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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Pastores brasileiros usam psicanálise para cativar fiéis evangélicos

Por meio do estudo das teorias de Freud, religiosos tentam aumentar o rebanho e o dízimo

Numa noite chuvosa de quarta-feira, desci do ônibus na rua Brigadeiro Luis Antônio, região central de São Paulo, quase em frente a uma das unidades da Igreja Universal do Reino de Deus situadas na capital paulista. No portão, uma senhora e dois jovens distribuíam exemplares da Folha Universal, periódico evangélico que circula semanalmente por todo o país há vinte e um anos. Ela estendeu o jornal e convidou-me a voltar “qualquer dia desses para conhecer a palavra de Deus”. Respondi que estava prestes a fazer isso. “Entre que o Senhor vai te abençoar, querida”, disse sorrindo. Entrei.

A Universal do Reino de Deus é a maior entre as igrejas neopentecostais existentes no Brasil. Segundo o Censo Demográfico de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ela reúne mais de 1,8 milhão de fiéis espalhados por todas as regiões do país. Fundada em 1977 pelo bispo Edir Macedo num subúrbio do Rio de Janeiro, faz parte do movimento das igrejas evangélicas surgidas no final dos anos 1970, que se distanciam do pentecostalismo tradicional, principalmente porque pregam a prosperidade como via de aproximação com Deus.

Naquela quarta-feira à noite, perdi as contas de quantas vezes o pastor evocou a imagem do diabo para representar todos os males existentes na Terra. Mas num momento específico, ele decidiu falar sobre males mais concretos, muito contemporâneos, e comumente associados a tratamentos psicoterápicos, psicanalíticos ou mesmo psiquiátricos: o medo e a síndrome do pânico. “Grande parte das igrejas neopentecostais se pretende especializada no cuidado de três conhecidos ‘problemas’ humanos: a saúde, o amor e o dinheiro”, diz o psicanalista Wellington Zangari, doutor em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo e vice-coordenador do Laboratório de Psicologia Social da Religião do Instituto de Psicologia da USP. “Para alguns pastores, não importa se existem médicos, psicólogos e outros profissionais de saúde para lidar com questões de doença. Há sempre uma interpretação bíblica para oferecer e vender saúde”.

A estratégia das igrejas neopentecostais e de seus pastores, segundo Zangari, tem sido a da assimilação, reinterpretação e incorporação dos diversos discursos presentes na cultura. Inclui-se aí o discurso da psicanálise, que cada vez mais é objeto de estudo por parte dos próprios pastores evangélicos – tanto neopentecostais, quanto pentecostais (batistas, presbiterianos e metodistas).

Psicanálise no templo

Izilmar Finco é pastor batista desde 1986, quando começou a atuar como missionário em Prado, na Bahia. Hoje, Izilmar trabalha na Igreja Batista de Eldorado (IBEL), em Serra, no Espírito Santo, e é filiado à Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB). Em 1998, formou-se em Psicanálise pela Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil (SPOB), criada em 1996 com a missão de popularizar e disseminar a psicanálise por todos os cantos do país. “Foi uma experiência muito enriquecedora e sou grato pela oportunidade que tive. A SPOB foi pioneira no Brasil na modalidade de formação de psicanalistas e deu a chance a muitas pessoas, assim como eu, de conhecer a psicanálise e seu valor na clínica, para ajudar as pessoas”, diz.

A psicanálise não é uma profissão regulamentada, ou seja, não existem cursos universitários especializados na prática criada por Sigmund Freud, tampouco leis que guiem especificamente seu exercício. A formação tradicional de um psicanalista passa pela graduação em Psicologia ou Medicina e pela associação a alguma sociedade psicanalítica, além da análise em si.

Na Sociedade Brasileira de Psicanálise, a primeira a ser criada na América Latina, em 1927, tal formação é oferecida somente a médicos e psicólogos registrados nos respectivos Conselhos Regionais, e a aceitação de profissionais graduados em outras áreas do conhecimento fica sob responsabilidade de uma Comissão de Ensino. Se aprovado, o pretendente deve se submeter a cinco anos de análise – com frequência mínima de quatro sessões semanais – além de realizar 160 seminários obrigatórios e atender a dois pacientes adultos ao menos quatro vezes por semana sob supervisão de um analista membro da sociedade.

Sendo livre a formação psicanalítica, entidades paralelas, como a Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil, oferecem cursos livres a qualquer interessado, como o pastor Izilmar Finco. Atualmente, a Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil é a maior sociedade de psicanalistas da América Latina. Em seus 18 anos de existência, concluiu mais de cem turmas em todos os estados brasileiros e formou cerca de três mil psicanalistas. O único pré-requisito para participar dos cursos é ter um diploma de graduação, seja ele qual for. Em dois anos, depois de participar de aulas duas vezes por mês e realizar 80 sessões de análise, o aluno recebe seu diploma de psicanalista.

A procura do curso por pastores evangélicos e líderes religiosos é intensa. Para o pastor Izilmar, se um religioso deseja desenvolver um bom ministério pastoral, ele precisa acumular uma série de conhecimentos, além da teologia: “Claro que a área da psique é uma delas. O pastor precisa se conhecer bem e saber como conhecer o outro”.  Com o auxílio da psicanálise ele afirma não atribuir tudo a questões espirituais. “Uma abordagem correta do problema é o primeiro passo para ajudar a encontrar a solução e a cura.”

Em 1927, Freud publicou um ensaio intitulado O futuro de uma ilusão, no qual afirma ser a religião “a neurose obsessiva universal da humanidade”, culpada pela decadência intelectual de parte dos seres humanos. Não seria então contraditório tentar conciliar religião e psicanálise? O pastor Izilmar acredita que não. “Não podemos negar o conhecimento ou os benefícios que a psicanálise trouxe para nós, desmistificando muitas coisas. Também de forma alguma podemos negar a fé e principalmente a fé em Jesus Cristo”, diz.

Gildásio dos Reis, pastor da Igreja Presbiteriana do Parque São Domingos, em São Paulo, e docente no Centro de Educação, Filosofia e Teologia (CEFT) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que teologia e psicanálise partem de pressupostos completamente diferentes. Por isso, não acredita ser honesto um pastor evangélico “atender pacientes utilizando acriticamente uma técnica que diverge sob muitos aspectos da fé cristã”. “Quando eu clinicava, há dez anos, deixava claro aos pacientes sobre minha fé e dizia que, no tratamento, iria fazer uso da teologia para ajudá-los.”

Quando os assuntos tratados passavam por questões como adultério, homossexualidade, aborto ou “qualquer comportamento que, à luz dos ensinos bíblicos, são considerados errados”, Gildásio utilizava-se dos princípios bíblicos “para orientar melhor os pacientes”.

Sérgio Laia, analista membro da Escola Brasileira de Psicanálise e professor, há mais de trinta anos, do curso de Psicologia da FUMEC, em Belo Horizonte enxerga também um problema conceitual na aliança entre as duas práticas: “A perspectiva de Freud era a de que a religião está para a civilização assim como a neurose está para o indivíduo. É dessa forma que a psicanálise lida com a religião – e uma pessoa que pratica uma atividade religiosa dificilmente aceitaria esse tipo de definição”.

“Ouvi de um dos meus professores uma frase de que nunca me esqueci: ‘Não há incompatibilidade entre verdade e verdade’. O que é verdade na psicanálise não anula as verdades do cristianismo”, relembra o pastor Izilmar.

A frase ouvida por ele durante o curso de psicanálise é de autoria do Dr. Heitor Antonio da Silva, um dos fundadores da Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil. Ele me repetiria a máxima alguns dias depois, quando nos falamos pelo telefone. “Não existe incompatibilidade alguma entre psicanálise e religião, pois se a psicanálise é uma verdade, ela tem que ser compatível com qualquer ciência. Se a religião é verdadeira, ela também terá que ser compatível com qualquer ciência”, explica Heitor, que além de psicanalista, também é pastor batista. “Se duas coisas se apresentam incompatíveis, ou ambas são mentirosas ou uma delas o é.”

Durante dez anos, Heitor da Silva foi diretor executivo da SPOB e um dos responsáveis por concretizar o objetivo de disseminar a psicanálise para todos os estados do país. Hoje, ele atua como diretor geral e presidente do grupo Redentor, que administra três faculdades no Rio de Janeiro. “A ideia de popularizar a psicanálise não significa que o façamos sem qualidade. É uma questão simples: a psicanálise é uma ciência independente”, ressalta. “Freud disse que a psicanálise era a profissão de pessoas leigas que curam almas e que não necessitam ser médicos.”

Em 2000, o deputado Éber Silva, do Rio de Janeiro – ele mesmo pastor da Igreja Batista – apresentou um projeto de lei no Congresso Nacional que visava a regulamentar o exercício da psicanálise no Brasil. Ele recebeu o apoio da SPOB, que passaria a atuar com maior reconhecimento,  aumentando os atritos já existentes com grande parte da comunidade psicanalítica, que comumente a associa a grupos evangélicos.

Heitor da Silva afirma que a SPOB foi vinculada aos evangélicos devido a “perseguições das sociedades ligadas ao organismo internacional”, pois sabem que ele e o presidente Dr. Ozéas da Rocha Machado são pastores evangélicos. “A SPOB não oferece cursos para pastores, mas para qualquer pessoa que tenha formação universitária. Nunca foi uma sociedade religiosa ou vinculada à religião”, defende-se. Ele admite, no entanto, que a sociedade de fato forma muitos pastores e líderes religiosos, pois estes exercem funções que lidam com a “problemática humana”.

O projeto de lei não foi aprovado. “O fato de esses cursos terem sido fechados e considerados sem validade não me parece terminar com o problema”, considera o psicanalista Wellington Zangari. “Eles permanecem em nosso meio, senão como superiores, como cursos livres. A ‘formação’ é a mesma, com direito a carteirinha de psicanalista depois do cumprimento de uma série de regrinhas e provinhas de leituras de apostilas mal feitas.” Para ele, a medida não elimina “a sombra do risco de formação de péssimos psicanalistas, com placas com seus nomes em consultórios, cartões de visita e sites na internet”.

O pastor Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, na inauguração do Templo de Salomão

O curioso é que as próprias plataformas de formação a distância voltadas especificamente para pastores e líderes religiosos também oferecem cursos de psicanálise. Se a procura dos próprios pastores pelo conhecimento psicanalítico acontece de forma “natural”, como afirma a maioria deles, o caminho inverso também é verdadeiro, uma vez que a formação em psicanálise está acoplada à formação religiosa. Na Faculdade Gospel, por exemplo, criada há vinte e cinco anos, junto às aulas de aperfeiçoamento em bibliologia, direito eclesiástico, história de Israel, liderança cristã e outros cento e cinquenta títulos, há também os cursos de “psicanálise clínica pastoral” e “psicanálise cristã”.

Apologia ao medo

Segundo Doryedson Cintra, professor de psicanálise nos cursos realizados pela Sociedade Contemporânea de Psicanálise (SCOPSI), as religiões evangélicas estão praticando uma psicanálise selvagem, espécie de chantagem terapêutica que ele chama de “comando passivo”. “Os pastores sabem que há algo na vida de cada indivíduo que inspira o medo e o terror. Só não sabem o quê. Com a apologia ao medo, eles incitam os membros a ponto de despertarem um comportamento histriônico, uma espécie de teatralidade muito comum nos casos de possessão”, teoriza. Ele afirma que, na verdade, essas pessoas se encontram psicologicamente abaladas e, inconscientemente, desenvolvem comportamentos que poderiam perfeitamente ser diagnosticados como transtornos histéricos, e não casos de possessão.

Ainda que as pessoas busquem a religião e a psicanálise para lidar com seus sofrimentos, Wellington Zangari acredita que o ponto de contato entre ambas termina aí: “Cada uma dessas perspectivas oferecem compreensões do ser humano baseadas em modos de obter conhecimento que são, por vezes, antagônicas”. A religião supõe a existência de agentes espirituais intencionais e uma ordenação da realidade que é ligada àqueles agentes. A ciência, por outro lado, não enxerga a realidade a partir de referenciais sobrenaturais.

Segundo ele, ao contrário da religião, a psicanálise encontra a natureza do sofrimento humano no próprio sujeito, em sua subjetividade e dinâmica pessoal. Nada é atribuído a Deus ou a qualquer associação do tipo. Além disso, as formas de lidar com esse sofrimento são distintas: “A religião poderá buscar a solução do sofrimento pela via da salvação divina ou do afastamento do demônio, o que supõe uma ação de tipo sobrenatural ou, ao menos, um contato entre o ser humano e uma instância desse universo transcendente. Na psicanálise, lida-se com o sofrimento justamente colocando o sujeito no centro, na natureza mesma do sofrimento. Ele próprio é o agente último da ação, implicado até o pescoço no sofrimento que sente.”





Fonte: Opera Mundi
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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Igreja publica cartilha com dicas de moda para orientar evangélicos

"Minha mãe quase me levou para a Febem. Eu usava drogas, namorava um traficante e sempre estava com roupas muito curtas, vulgares. Hoje o Espírito Santo me toca quando me visto."

Esse é o testemunho que Ana Carolina Xavier, 18, dá quando quer evangelizar as amigas que não entendem seu look atual: uma blusa branca abotoada até o colo e uma calça jeans que pouco delineia o corpo.

Com peças apropriadas "para adorar a Deus", ela frequenta o Templo de Salomão, espaço de proporções faraônicas para 10 mil pessoas construído pela Igreja Universal, aberto há um mês no Brás, zona leste de SP.

Como a maioria das 33 pessoas entrevistadas na saída de três encontros religiosos no templo, Ana Carolina não lê revistas de moda. Mas está atenta às instruções de sites evangélicos e às de Flavia Francellino, uma jovem repórter de comportamento do jornal institucional da igreja, a "Folha Universal".

"Esqueça legging", "observe se algo está marcando" e "não se maquie como se fosse para a São Paulo Fashion Week" estão entre as recomendações de Flavia, que publicou neste mês um texto chamado "O que vestir para ir ao Templo de Salomão", reproduzido nas redes sociais. Ela não quis dar entrevista para esta reportagem.


"Me vestia como uma qualquer, com shorts curtos para chamar a atenção", conta a auxiliar de enfermagem Tatiane Cardoso, 34.

"Perdi meu amor antes de entrar para a igreja porque usava tudo de forma vulgar. Hoje, se for para usar renda, que seja com uma blusa por baixo", diz a manicure e cabeleireira Aline de Jesus, 24.

VIRTUOSA ELEGANTE

As fieis afirmam que, independentemente da roupa, a mulher tem de estar "virtuosa". Isto é, "andar na moda, elegante, mas não mostrar tanto o corpo num lugar que é para você se reportar a Deus", explica a secretária curitibana Fernanda Martins, 21.

Ela, que usava um vestido estampado em tons de azul, diz escolher também as roupas do namorado, o eletricista Felipe José, 24. O casal se conheceu num programa de reuniões da igreja para aproximar jovens.
"Gosto de vesti-lo no estilo esporte fino", conta ela, enquanto ele, tímido, concorda com tudo. "Mas tem que estar com todos os botões fechados, né? Não gosto se ele sai com a camisa aberta."

À RISCA

Por meio de sua assessoria, a Igreja Universal afirma que não há regras de vestimenta para frequentar o Templo de Salomão e que as informações publicadas são pontos de vista dos profissionais do jornal.

A diarista Maria Helena Soares, 43, porém, gosta de seguir à risca as orientações dos pastores para não usar "regatas, bermudas, maquiagem pesada e bonés dentro do Templo." Ela usava uma saia até os pés combinada com blusa lilás e cachecol.

Dona de casa, Cleide Santos, 55, diz que "Deus vem mudando a visão do povo, evangelizando o mundo e fazendo as pessoas perceberem que o que importa é o caráter e a integridade. Amém?".


Fonte: Folha
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quarta-feira, 12 de março de 2014

Dezenove sintomas de uma auto imagem negativa

Como vai sua auto imagem? Como você se vê? A nossa auto imagem são as lentes através das quais enxergamos tudo na vida. Uma pessoa que tem uma visão de si mesma distorcida, embaçada, deformada, é a sim que ela vai ver a vida, as outras pessoas e o próprio Deus. Para ajudar você fazer uma avaliação da sua auto imagem, vamos ver alguns sintomas de uma auto imagem negativa.

1- Atitude pessimista diante da vida. O pessimista sempre enxerga a vida com lentes embaçadas, por isso para ele o tempo sempre está nublado.

2- Retraimento por falta de confiança para apresentar-se socialmente. Na maioria das vezes esta pessoa busca o isolamento.

3- Excesso de preocupação quanto às opiniões alheias. O complexo de inferioridade faz a pessoa se preocupar exageradamente com o que os outros dizem ou vão dizer.

4- Demasiada preocupação quanto a aparência. A pessoa tem a tendência de achar que nunca está bom o suficiente.

5- Visão negativa das outras pessoas, acha que todos são concorrentes, que precisam ser vencidos e não como amigos para compartilhar.

6- Senso de masculinidade ou feminilidade direcionados apenas para conquistas sexuais. São tentadas a usar o sexo como arma.

7- Insatisfação consigo mesma. Esforço para tornar-se alguém ou alguma coisa, em vez de relaxar e de ter prazer em ser o que se é.

8- Desprezo ao presente, focalizando maior sucessos passados ou sonhos futuros.A pessoa que despreza o presente, vive um vazio existencial que muitas vezes leva a depressão.

9- Incapacidade de ver o lado bom das pessoas. O complexado, é pessimista, e o pessimista sempre tem um visão acusatória ou crítica dos outros.

10- Dependência doentia. O auto-retrato distorcido leva a pessoa desenvolver relacionamentos de dependência.

11- Incapacidade para aceitar elogios. Por detrás de uma “falsa humildade”, quase sempre há uma pessoa insegura e complexada.

12- Não desenvolve hábitos de comportamento vitorioso. A pessoa sempre vê de forma antecipada a derrota, o insucesso, o fracasso.

13- Insegurança e medo de intimidade nos relacionamentos interpessoais. O isolamento é a consequência natural na vida da pessoa com uma auto-imagem negativa.

14- Dificuldade para aceitar o amor de outras pessoas. Aquele que não se ama, dificilmente aceitara com facilidade o amor dos outros. Sempre vai interpretar a aproximação como uma ameaça.

15- Apego aos bens materiais para se sentir segura. Pessoas com complexo de inferioridade, tem necessidade de estar sempre provando alguma coisa.

16- Usa sempre rótulos negativos em relação a si mesmo. “Nunca vou conseguir”. “Não nasci para isso.” “Já sabia que comigo não iria dar certo.” “Eu já me conformei, nem luto mais por isso.” Estas são algumas declarações das pessoas que te um auto retrato negativo.

17- Não tem opinião própria e quase sempre segue a multidão. São as pessoas que sempre dizem, “o que vocês fizerem está bom.”

18- Atitude e comportamento perfeccionista. Parece um paradoxo, mas por traz de uma pessoa perfeccionista, quase sempre tem alguém com “complexo de inferioridade”.

19- Hiper sensibilidade. Você já ouviu falar em pessoa “casquinha de ferida”? Assim é aquele que se sente sempre inferior por causa da sua auto imagem negativa.





Fonte: Amo a Família
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quarta-feira, 5 de março de 2014

Reconhecendo comportamentos manipuladores e dissimulados

Manipular é parte de convencer alguém de algo, mas dissimular é um problema, é uma falha de caráter, pois significa fingir, fazer parecer diferente, encobrir, disfarçar. Veja como lidar com pessoas com esse comportamento.

 Manipular é uma palavra oriunda do latim, proveniente da palavra manípulos, que a partir do século 19 assumiu o significado de manejo habilidoso de objetos, pessoas ou situações.

Epistemologia das palavras

É muito interessante a epistemologia das palavras, ou seja, o estudo da origem das palavras, pois através desse estudo podemos compreender o real significado delas.

No caso da palavra manipular vemos que significa habilidade de manejar algo, não é à toa que quando precisamos de um remédio um pouco mais "personalizado" ou específico para nossas necessidades somos encaminhados para farmácias de manipulação; lá o farmacêutico responsável produzirá um remédio, seguindo orientações médicas, que será sob medida, portanto, manejo habilidoso de uma substância.

Todos somos manipuladores

No caso de um marceneiro, podemos dizer que ele é um manipulador de madeiras, pois sua profissão requer o manejo habilidoso desse objeto.

E o que dizer de um líder religioso? Manejo habilidoso de pessoas; ou ainda um agente bancário que faz empréstimos, manejo habilidoso de situações e pessoas. Enfim, o que quero mostrar é que em algum momento de nossa vida, ou melhor, em vários momentos de nossa vida apresentamos comportamentos manipuladores.

Quando fazemos uma entrevista de emprego, por exemplo, aquele que tiver maior habilidade no manejo de pessoas será o selecionado. Sua função ali é manipular o entrevistado para que escolha você e não o outro candidato. E quando um rapaz vai pedir uma moça em namoro, precisa convencê-la de que será uma boa escolha, ou quando vai se apresentar ao pai dela.

Todo ser humano é manipulador, faz parte do nosso instinto de sobrevivência. O bebê precisa manipular sua mãe, através do choro, para que lhe dê o alimento; porém, essa palavra carrega algo negativo, como se fosse uma falha de caráter ser manipulador, contudo isso é um erro, todos somos manipuladores o tempo todo.

Diferença entre manipular e dissimular

O problema não está em manipular, que basicamente é convencer alguém de algo, mas sim em dissimular, que significa fingir, fazer parecer diferente, encobrir, disfarçar.

No meu trabalho com dependentes químicos, muitas vezes, a palavra manipulador é usada como adjetivo negativo, todavia, em minha opinião, há de ser ter cuidado com esses julgamentos.

Alguém manipulador não necessariamente o faz para o mal e caberá a pessoa a qual tentou-se manipular, avaliar a situação. Para que haja alguém manipulando precisa haver alguém que se deixe manipular. Sim! É uma decisão deixar-se manipular, pois nesse caso não se usa de falsos argumentos, a pessoa não é enganada como na dissimulação.

Exemplos de manipulação e dissimulação

Houve certa vez uma paciente dependente química que disse que estava com dor e que gostaria de não participar de determinada atividade, ela até chorou. Frente àquela situação eu a liberei da atividade, porém, dois minutos depois ela estava em outro local dançando freneticamente. Quando ela me viu disse que a dor havia passado.

Neste exemplo, vamos identificar o que seria uma manipulação e o que seria uma dissimulação. Ela estaria me manipulando ao me convencer que não queria participar da atividade porque gostaria de dançar, manipulação essa que poderia dar certo ou não, o resultado iria depender da habilidade de manejo e convencimento dela e da minha em avaliar a situação. Porém, ela estava dissimulando, pois usou de uma mentira para tentar me manipular e é aí que se encontra o problema, a falha no caráter.

A dissimulação acontece junto com a tentativa de manipulação, talvez por isso a confusão no significado dessa palavra. E é com a dissimulação que devemos tomar cuidado, pois a pessoa dissimulada usa mentira para disfarçar a verdade na tentativa de convencer alguém de algo que ela quer. A pessoa é enganada além de manipulada.

Como age uma pessoa manipuladora

A pessoa manipuladora geralmente usa fatos para argumentar e tentar convencer alguém, tem coerência em seu discurso, habilidade no falar e em expor seu ponto de vista, alta capacidade de uso da memória e bom controle das emoções.

Afinal, qual o problema com a manipulação?

No caso da manipulação existem pessoas extremamente manipuladoras e outras extremamente manipuláveis, o que pode caracterizar um problema já que uma sempre fará o que a outra quer.

Pessoas manipuláveis tendem a ser tímidas, inseguras e instáveis emocionalmente, e pessoas manipuladoras aproveitam dessas situações.

Nesse caso a pessoa que tem tendência a ser manipulada deve observar se está agindo de acordo com a sua vontade ou a vontade do outro, se o que faz está de acordo com seus valores ou não. Ou ainda, se estão agindo da forma que agiriam se ninguém as tivesse convencido disso e principalmente se suas ações lhe trazem alegria ou sofrimento.





Fonte: Taís Bonilha da Silva no site Família
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Pai é PAI e não ajudante da mãe!

Paternidade é uma função própria do pai, com direitos e obrigações familiares importantes. Pai não é coadjuvante da mãe, é seu complementar.

A mãe costuma pedir ajuda ao pai: Ajude aqui, por favor, fique um pouco com as crianças! Ele acha que está apenas ajudando a mãe e não se sente fazendo a sua parte. Muitos pais nada fazem enquanto suas mulheres não pedem. Para os filhos não interessa se é a mãe que está muito ativa ou se o pai é muito passivo. O que eles precisam é de pai e de mãe. Neste ponto, alguns pais reclamam que suas mulheres os tratam como se fossem filhos.

Paternidade é a atitude de estar pronto a atender seus filhos, sem esperar que a mãe peça.

Um pai acomodado, além de não ser um bom exemplo na família, estimula o filho a explorar a mãe. Numa família assim pode se estabelecer uma confusão entre pai acomodado/pai bonzinho e mãe ativa/mãe rabugenta – quando na realidade o pai é negligente e a mãe ativa é obrigada a cobrar as obrigações de todos.

Fica muito clara esta situação quando uma mãe reclama que ela é a “pãe” da família. Ela tenta preencher também as funções de pai, o que é quase impossível.

Há muitos homens, no entanto, que já assumem bem mais seu papel. Muito longe de querer substituir a mãe, eles querem tomar parte na educação do filho. Reparei em um passageiro que, em pleno voo, trocava as fraldas de seu bebê, que deveria ter um ano de idade. A mãe não estava presente. Um bebê cuidado pela mãe e pelo pai cresce com menos preconceitos e com menos machismo. Aquela família parece estar desenvolvendo a Alta Performance.



Fonte: Içami Tiba no livro Família de Alta Performance – Conceitos contemporâneos na Educação
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O que fazer se seu filho escolher uma religião diferente da sua?

Seu filho segue uma doutrina diferente de sua família? Antes de questioná-lo, procure entender o que o levou a fazer esta escolha

"Desde que se envolveu com um grupo religioso, minha filha de 14 anos só fala da nova doutrina e se isolou dos antigos amigos. Seu comportamento já beira o fanatismo. Devo proibir?" (pergunta enviada por leitora)

Ligar-se a uma fé diferente da praticada pela família ou envolver-se com uma religião quando ninguém na casa é religioso pode ser um jeito de provar a individualidade. Na tentativa de se diferenciar dos pais, o jovem elege grupos e ídolos cujas condutas e regras lhe parecem mais condizentes com sua visão de mundo.

O medo dos pais é de que o filho se submeta cegamente às imposições desses grupos - sejam religiosos, políticos ou de outra natureza -, abrindo mão de valores da família. E o risco existe. Ao escolher igreja, partido ou tribo, meninos e meninas agem como se tudo ali fosse maravilhoso, afastando-se de outros convívios e experiências. A falta de senso crítico e o isolamento os deixam vulneráveis e é preciso cuidado com o fanatismo e a subserviência. Fique alerta com grupos que utilizam seus adeptos para fazer proselitismo ou como mão de obra gratuita em atividades de arrecadação de fundos. Antes de tomar qualquer iniciativa, porém, pondere se não há intolerância de sua parte. A maioria das religiões professa valores universais, que compõem uma ética maior. Não é a religião que torna as pessoas melhores nem piores. Mas há problemas quando a liberdade de escolha e a consciência ficam prejudicadas por dogmas e preconceitos.

Mesmo assim, bater de frente com o adolescente é batalha perdida. O poder de mando que havia na infância deve ser substituído pela autoridade baseada no respeito. Embora busque a individualidade, seu filho espera apoio e aprovação. Aproveite essa base de confiança e afeto para exercer ascendência positiva.

O primeiro passo é escutar sua filha e deixar claro seu respeito à decisão dela. Valorize o que existe de positivo na ideologia escolhida sem deixar de apontar, no entanto, onde a prática não combina com a pregação. Destaque pontos negativos, como a falta de oportunidade para conviver com outros grupos, e, se houver, a intolerância diante de quem tem outra fé.

Fique atenta ainda a alguns sinais que sutilmente indicam que o adolescente quer limite e proteção. Um caso típico é o do jovem com dificuldade para dizer não e que repete várias vezes para os pais que "vai à igreja a tal hora". A repetição sinaliza um pedido de contestação. Diga que ele não vai porque você sabe que não é bom. Uma alternativa é ir junto para conhecer melhor. Caso confirme que se trata de seita intolerante, com ideias que confrontam princípios da sua família, não hesite em proibir. Preservar o tom afetivo não significa permitir tudo. O importante é fundamentar seus argumentos e manter o clima de respeito.




Fonte: Miguel Perosa, psicólogo especializado em adolescência na M de Mulher
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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Fundamentalismo evangélico – ameaça à democracia

Campo Grande não merecia, na comemoração dos seus 114 anos de emancipação, o desprazer de assistir a tal “Marcha para Jesus” organizada por pastores-políticos e políticos-pastores reunindo cerca de 40 mil fanáticos para ouvir o “mais do mesmo” – as bobagens retrógradas de Silas Malafaia, Robson Rodovalho e outros.

O movimento evangélico hoje é um dos maiores perigos para a sociedade brasileira e o Estado Laico por seu potencial fundamentalista Malafaia, Feliciano, Rodovalho, Macedo, R.R. Soares e outros nomes menores que estão despontando (e outros que ainda despontarão) são a pior espécie de fanatismo religioso possível. A única diferença entre esse grupo e o fundamentalismo islâmico está nos referenciais religiosos nos quais se apóiam.

É certo que a grande maioria dos muçulmanos não é fundamentalista; mas os poucos que alcançam o poder cometem barbaridades em nome de sua fé. O fundamentalismo evangélico caminha pelo mesmo rumo. Alguém em são consciência e com um mínimo de instrução ou sensibilidade consegue acreditar neles e em seus discursos? Somente os analfabetos funcionais, que pouco lêem (aliás, sequer a Bíblia lêem, ou lêem com olhares medievais) os apóiam.

Não nos iludamos. Os evangélicos têm um projeto de tomada de poder na sociedade brasileira. Os evangélicos têm um projeto político muito perigoso para o Brasil. Utilizam as Escrituras Sagradas do modo como lhes convém, para interferir na Comissão de Direitos Humanos, para propor ou alterar leis e infringir descaradamente as cláusulas pétreas da Constituição Federal. Eles se infiltram nos partidos e conseguem ser eleitos para cargos no executivo e no legislativo.

Mas eles não têm fidelidade partidária nem princípios sociais claros. São mesquinhos e egoístas. Seus princípios são os da promiscuidade “igreja-estado”. A bancada evangélica é, comprovadamente, a mais inútil do Congresso Nacional.

No fundo, seu projeto é acabar com as manifestações religiosas com as quais não compartilham, sejam elas católico-romanas, espíritas, do candomblé, umbanda ou de qualquer outra religião que não a deles; desejam interferir na orientação sexual privada das pessoas “em nome de Deus”; fazem acusações levianas de que o movimento LGBT deseja acabar com as famílias; querem dominar o Ensino Religioso nas Escolas Públicas e, se conseguirem tomar o poder, não hesitarão em se infiltrar nas forças armadas utilizando o potencial bélico brasileiro para seus objetivos.

Sim, matarão se for preciso, invocando textos bíblicos, o “Deus guerreiro” do Antigo Testamento e seus exércitos sanguinários; sim, destruirão o “Cristo Redentor” e qualquer outro monumento de outra religião; sim, se tiverem pleno poder proibirão o carnaval, festas juninas, romarias marianas, terreiros de candomblé e exigirão conversão forçada a seu modelo de vida e à sua religião; o fundamentalismo que os inflama não terá qualquer restrição em proibir shows populares, biquínis nas praias e utilizarão armas químicas para fazer valer seus ideais. Viveremos um “talibã evangélico”, com homens com o mesmo olhar raivoso de malafaia, e gays internados em campos de concentração para que sejam “curados”.

Alguns dirão que estou exagerando. Porém, Malafaia disse ao microfone: “Nós declaramos que vamos tomar posse dos meios de comunicação, das redes de internet, do processo político, nós vamos fazer a diferença, vamos influenciar o Brasil com o evangelho de Jesus”.

Se permitimos que seu projeto vá à frante, preparem as burcas. Nosso futuro será sombrio.

(*) Reverendo Carlos Eduardo Calvani é da Igreja Anglicana no Brasil



Fonte: Rev. Carlos Eduardo Calvani em Campo Grande News
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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A ciência matou Deus? Para muitos cientistas, a resposta é não

"Dizer que Deus não existe porque não conseguimos o provar é uma infantilidade acadêmica" - Jorge Ponciano Ribeiro, professor emérito da Universidade de Brasília

O físico britânico Peter Higgs foi premiado com o Nobel da Física por sua descoberta da 'partícula de deus'. O apelido dado ao bóson de Higgs – que são as partículas de matéria mais elementares, presentes em tudo no planeta, desde plantas à pedras e nós – decepcionou o cientista ateu, defensor de que de divino o universo não tem nada. Contudo, independentemente de sua opinião sobre os diferentes tipos de religião, o britânico criticou publicamente a reincidente postura radical do consagrado biólogo Richard Dawkins contra religiosos. Quem também recentemente provocou criacionistas foi o roqueiro Jimmy London, vocalista do Matanza, ao falar, ao vivo no Rock in Rio 2013, sobre o último álbum da banda Alice in Chains, 'The devil put dinosaurs here'. Ao comentar o porquê do título, London afirma que criacionistas acreditam que o diabo criou os dinossauros para destruírem os bichinhos criados por Deus. 

Ganhador do Nobel de Física de 2013, Peter Higgs acredita que ciência e fé não são incompatíveis

Assim como eles, formadores de opinião de diversas áreas do conhecimento têm há muito tempo disputado um cabo de guerra no que diz respeito a possibilidade ou não da coexistência pacífica de ciência e religião. A disputa ficou mais acirrada, especialmente, com o aparecimento do Criacionismo, doutrina que lê a Bíblia literalmente – incluindo os dois primeiros capítulos de Gênesis, que narram a criação do mundo em sete dias por Deus. Mito, fato ou poesia, a discussão causa frisson no meio intelectual, filosófico e teológico. Em meio a tudo isso, resta ao censo popular o sentimento de que se posicionar a favor de uma teoria necessariamente nos faz contrários à outra. Mas afinal de contas, é possível ter fé e, ao mesmo tempo, acreditar no que a ciência nos ensina sobre a vida?

Em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, Higgs afirmou que acredita, apesar de não ser religioso, que ciência e fé não são incompatíveis. “O crescimento da nossa compreensão do mundo por meio da ciência enfraquece a motivação que faz de algumas pessoas religiosas. Mas isso não é a mesma coisa que dizer que religião e ciência são incompatíveis. Eu simplesmente penso que algumas das razões tradicionais para a fé estão bem minadas. Contudo, isso não encerra a questão. Qualquer um que é convencido, mas não é um crente dogmático, pode continuar com suas crenças. Isso significa que eu acho que você tem de ser mais cuidadoso sobre todo o debate entre ciência e religião do que algumas pessoas foram no passado”, disse Higgs ao El Mundo.

Álbum mais recente da banda Alice in Chains critica a proposta criacionista, em defesa do ensino exclusivo da Teoria da Evolução em escolas norte-americanas

A premissa indica que não é impossível para uma pessoa acreditar em ambas as coisas. No entanto, muitos especialistas pontuam que não há como contestar o que uma diz, com base na outra, como seria possível entre outras áreas do conhecimento. 

Para o historiador e professor do Departamento de Ciências da Religião da PUC Minas, Rodrigo Coppe Caldeira há uma incomensurabilidade entre ciência e religião. “Cada uma tem o seu lugar como fenômeno humano", afirma. Assim como defendem outros teóricos, Coppe acredita que essas áreas do conhecimento não se anulam, mas buscam responder perguntas diferentes da psiquê humana: o "como" e o "por quê". "A ciência busca conhecer e explicar como a vida existe, já a religião fala sobre o sentido da vida", comenta.

Adão e Eva, de Michelangelo Buonarrotti

Coppe ainda ressalta que as origens do pensamento científico estão intrinsecamente ligadas a pensadores religiosos. “Na verdade, quem buscou os avanços físicos e filósofos, no século XVII, eram de religiosos, como René Descartes, Isaac Newton, entre outros nomes, que contribuíram de maneira muito importante para a ciência e não por isso deixaram de se considerar crentes”.

Entender que desde a epistemologia da palavra religião já tem definições diferentes é, na opinião do professor emérito da Universidade de Brasília, Jorge Ponciano Ribeiro, um dos primeiros passos para a discussão. Segundo ele, os grupos religiosos se dividem, assim como os significados da palavra. Religare, vem de ligar, e segundo Ponciano, designa o grupo que tem Deus a priori. Relegere, vem de reler, e é associado a um grupo que busca Deus, mesmo que não intencionalmente.

O primeiro, que usa de rituais religiosos para se aproximar desse Deus, é composto por pessoas, em sua maioria, mais simples, de religiosidade natural e tradicional. “Elas podem ser um pouco alienadas mesmo e acabam colocando a religião acima da realidade”, afirma. Do outro lado temos pessoas como Sartre e Einstein, que tiveram a impressão de terem descoberto ser possível sim a existência de Deus. São pessoas que tem Deus à sua imagem e semelhança e têm uma profunda relação de intimidade e cumplicidade com ele”. 

Contudo, ele destaca: “dizer que Deus não existe porque não conseguimos o provar é uma infantilidade acadêmica e querer dizer que o cientista não pode acreditar em Deus é uma ignorância absoluta”. 



Fonte: Saúde Plena
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Campanha exibe crianças “adultizadas” e gera revolta na redes sociais

Uma campanha de dia das crianças. O que te vem na mente? Crianças – de prováveis sete, oito anos – brincando, pedindo presentes aos pais, tudo da forma mais sadia possível, certo? Não para a marca “Courofino”.

A campanha, publicada nas redes sociais no último sábado (dia 12), exibe uma criança com cerca de dois anos de idade trajando somente uma calcinha e um sapato de salto alto da “Courofino” numa pose um tanto quanto adulta – e sensual – para sua idade. A campanha teve  cerca de 100 denúncias para o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (Conar), que abriu o processo na segunda-feira, dia 14, e no dia 16, a empresa já deve ter sido notificada. É provável que o processo ocorra em novembro.

Agora, analisando a foto, é possível tirar outra conclusão da campanha que não seja a de erotização da imagem infantil? Segundo a empresa, o objetivo era retratar a criança numa brincadeira adotada por muitas meninas: se vestir com as roupas das mães; algo, então, como “eu quero ser como a mamãe quando crescer”.

A ideia, realmente, não é ruim. O problema está na maneira como foi apresentada. Não ficaria muito mais bonitinha uma menina com um salto alto (já que essa é a intenção da campanha), sentada no colo da mãe, com as roupas adultas e rindo, numa verdadeira brincadeira?

Estimado leitor, não faço a mínima ideia de como funciona o universo da publicidade, mas creio que, até eu, dignamente leiga, saberia que numa campanha de dia das crianças, a infantilidade, a inocência devem ser priorizadas.  Além do mais, não é legal expor crianças ao ridículo (sim, ridículo) em qualquer situação.

De fato, sabemos que os problemas com publicidade não acontecem somente em uma marca e, se tratando do público infantil, encontrei essas para vocês:

A Ambev (Companhia de Bebida das Américas) advertiu a Skol que o sorvete de cerveja, divulgado nas redes sociais, chamaria a atenção do público juvenil. Além de, é claro, por ser sorvete, seu teor alcoólico seria ignorado e o acesso aos jovens seria muito mais fácil.

Um comercial do Posto Ipiranga mostra uma criança e seu suposto pai na propaganda fazendo trabalhos artesanais. A denúncia foi feita como incitação ao trabalho infantil. Delicado, mas nesse caso, creio que o que a propaganda queria trazer era pai e filho trabalhando juntos, se “dando bem”. Como disse, delicado.

Isso não é bem uma campanha, mas trago – sem trocadilhos – um fato interessante: uma pesquisa realizada nos países emergentes aponta que, no Brasil, 59% das crianças de 6 e 5 anos reconhecem alguma marca de cigarro.

Aqui, vocês viram apenas campanhas que, de alguma forma, agridem a imagem infantil. Mas e as inúmeras campanhas publicitárias que, apesar de não agredir a imagem da criança, levam a crer que “esse carrinho é melhor, eu quero muito ele!” agredindo, dessa forma, a mente da criança?

O Brasil não é um país rico e, mesmo nesses, a desigualdade não foi extinta. Imagine só como deve ser triste para uma mãe ou um pai explicar que não tem dinheiro para comprar aquela pista de carrinhos ou aquela boneca princesa.

Claro que nem sempre foi assim. As propagandas antigas, mesmo quando o produto era infantil, o público alvo eram os pais, os que iriam de fato comprar os brinquedos. Quando se percebeu que, se a propaganda fosse destinada às crianças, o apelo para comprar o produto seria muito maior, fez-se a mágica: televisão, revistas, jornais, banners, outdoors… Tudo isso obriga a criança a entender que ela precisa daquele produto para ser sorridente e feliz como na propaganda.

Quero deixar bem claro que não estou fazendo um movimento contra a publicidade dos brinquedos ou produtos destinados às crianças, mas apenas questionando se a utilização das crianças para atrair umas às outras não é algo um pouco arriscado, principalmente se tratando de campanhas que acabam como a da “Courofino”.

Em suma, como é permitido o uso de imagens de crianças, é preciso que os publicitários sejam mais atentos e cuidadosos em relação a apresentação da campanha para que a infância não seja mais um alvo do “tudo por dinheiro”.




Fonte: Fashionatto Literatortura R7
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domingo, 22 de setembro de 2013

10 dicas para os homens não enlouquecerem suas esposas

1- Não esparrame suas coisas pela casa. Evite deixar em cada cômodo do lar suas peças de roupas.

2- Não tente fazer várias coisas ao mesmo tempo, tipo assistir televisão, ler jornal e responder uma pergunta da sua esposa.

3- Chegue em casa para almoçar trazendo a reboque 05 amigos para almoçar, sem antes ter avisado a sua esposa.

4- Fale mal da mãe dela. Apelide sua  sogra de jararaca, surucucu, cobra peçonhenta, filhote de cruz credo e outros adjetivos mais.

5- Evite as palavras mágicas como por favor, obrigado, com licença e outras mais.  Trate a sua esposa como uma empregada doméstica.

6- Esqueça essa história de romantismo, afinal de contas isso é coisa do passado, portanto, nunca a  leve ao cinema, teatro ou a um restaurante para jantar.

7- Esqueça datas importantes como o dia que começaram a namorar, aniversário dela ou a data que casaram.

8- No dia do aniversário dela dê de presente uma panela. 

9- Nunca converse. Quando ela quiser conversar, responda de forma monossilábica demonstrando com isso que você está sem paciência. 

10- Seja ciumento não permitindo com que ela saia com as amigas exigindo dela atenção em tempo integral.

Pois bem, os maridos que fizerem isso com certeza transformarão as vidas de suas esposas e consequentemente as suas próprias vidas num verdadeiro inferno.

Pense nisso!




Fonte: Pr Renato Vargens em seu blog
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domingo, 25 de agosto de 2013

15 coisas que você precisa abandonar para ser feliz

1. Desista da sua necessidade de estar sempre certo

Há tantos de nós que não podem suportar a ideia de estarem errados – querem ter sempre razão – mesmo correndo o risco de acabar com grandes relacionamentos ou causar estresse e dor, para nós e para os outros. E não vale a pena, mesmo. Sempre que você sentir essa necessidade “urgente” de começar uma briga sobre quem está certo e quem está errado, pergunte a si mesmo: “Eu prefiro estar certo ou ser gentil?” (Wayne Dyer) Que diferença fará? Seu ego é mesmo tão grande assim? 

2. Desista da sua necessidade de controle

Estar disposto a abandonar a sua necessidade de estar sempre no controle de tudo o que acontece a você e ao seu redor – situações, eventos, pessoas, etc. Sendo eles entes queridos, colegas de trabalho ou apenas estranhos que você conheceu na rua – deixe que eles sejam. Deixe que tudo e todos sejam exatamente o que são e você verá como isso irá o fazer se sentir melhor.

“Ao abrir mão, tudo é feito. O mundo é ganho por quem se desapega, mas é necessário você tentar e tentar. O mundo está além da vitória.” Lao Tzu

3. Pare de culpar os outros

Desista desse desejo de culpar as outras pessoas pelo que você tem ou não, pelo que você sente ou deixa de sentir. Pare de abrir mão do seu poder e comece a se responsabilizar pela sua vida.

4. Abandone as conversinhas auto-destrutivas

Quantas pessoas estão se machucando por causa da sua mentalidade negativa, poluída e repetidamente derrotista? Não acredite em tudo o que a sua mente está te dizendo – especialmente, se é algo pessimista. Você é melhor do que isso.

“A mente é um instrumento soberbo, se usado corretamente. Usado de forma errada, contudo, torna-se muito destrutiva.” Eckhart Tolle

5. Deixe de lado as crenças limitadoras sobre quem você pode ou não ser, sobre o que é possível e o que é impossível. De agora em diante, não está mais permitido deixar que as suas crenças restritivas te deixem empacado no lugar errado. Abra as asas e voe!

“Uma crença não é uma ideia realizada pela mente, é uma ideia que segura a mente.” Elly Roselle

6. Pare de reclamar

Desista da sua necessidade constante de reclamar daquelas várias, várias, váaaarias coisas – pessoas, momentos, situações que te deixam infeliz ou depressivo. Ninguém pode te deixar infeliz, nenhuma situação pode te deixar triste ou na pior, a não ser que você permita. Não é a situação que libera esses sentimentos em você, mas como você escolhe encará-la. Nunca subestime o poder do pensamento positivo.

7. Esqueça o luxo de criticar

Desista do hábito de criticar coisas, eventos ou pessoas que são diferentes de você. Nós somos todos diferentes e, ainda assim, somos todos iguais. Todos nós queremos ser felizes, queremos amar e ser amados e ser sempre entendidos. Nós todos queremos algo e algo é desejado por todos nós.

8. Desista da sua necessidade de impressionar os outros

Pare de tentar tanto ser algo que você não é só para que os outros gostem de você. Não funciona dessa maneira. No momento em que você pára de tentar com tanto afinco ser algo que você não é, no instante em que você tira todas as máscaras e aceita quem realmente é, vai descobrir que as pessoas serão atraídas por você – sem esforço algum.

9. Abra mão da sua resistência à mudança

Mudar é bom. Mudar é o que vai te ajudar a ir de A a B. Mudar vai melhorar a sua vida e também as vidas de quem vive ao seu redor. Siga a sua felicidade, abrace a mudança – não resista a ela.

“Siga a sua felicidade e o mundo abrirá portas para você onde antes só havia paredes” Joseph Campbell

10. Esqueça os rótulos

Pare de rotular aquelas pessoas, coisas e situações que você não entende como se fossem esquisitas ou diferentes e tente abrir a sua mente, pouco a pouco. Mentes só funcionam quando abertas.

“A mais extrema forma da ignorância é quando você rejeita algo sobre o que você não sabe nada” Wayne Dyer

11. Abandone os seus medos

Medo é só uma ilusão, não existe – você que inventou. Está tudo em sua cabeça. Corrija o seu interior e, no exterior, as coisas vão se encaixar.

“A única coisa de que você deve ter medo é do próprio medo” Franklin D. Roosevelt

12. Desista de suas desculpas

Mande que arrumem as malas e diga que estão demitidas. Você não precisa mais delas. Muitas vezes nos limitamos por causa das muitas desculpas que usamos. Ao invés de crescer e trabalhar para melhorar a nós mesmos e nossas vidas, ficamos presos, mentindo para nós mesmos, usando todo tipo de desculpas – desculpas que, 99,9% das vezes, não são nem reais.

13. Deixe o passado no passado

Eu sei, eu sei. É difícil. Especialmente quando o passado parece bem melhor do que o presente e o futuro parece tão assustador, mas você tem que levar em consideração o fato de que o presente é tudo que você tem e tudo o que você vai ter. O passado que você está desejando – o passado com o qual você agora sonha – foi ignorado por você quando era presente. Pare de se iludir. Esteja presente em tudo que você faz e aproveite a vida. Afinal, a vida é uma viagem e não um destino. Enxergue o futuro com clareza, prepare-se, mas sempre esteja presente no agora.

14. Desapegue do apego

Este é um conceito que, para a maioria de nós é bem difícil de entender. E eu tenho que confessar que para mim também era – ainda é -, mas não é algo impossível. Você melhora a cada dia com tempo e prática. No momento em que você se desapegar de todas as coisas, (e isso não significa desistir do seu amor por elas – afinal, o amor e o apego não têm nada a ver um com o outro; o apego vem de um lugar de medo, enquanto o amor… bem, o verdadeiro amor é puro, gentil e altruísta, onde há amor não pode haver medo e, por causa disso, o apego e o amor não podem coexistir), você irá se acalmar e se virá a se tornar tolerante, amável e sereno… Você vai alcançar um estado que te permita compreender todas as coisas, sem sequer tentar. Um estado além das palavras.

15. Pare de viver a sua vida segundo as expectativas das outras pessoas

Pessoas demais estão vivendo uma vida que não é delas. Elas vivem suas vidas de acordo com o que outras pessoas pensam que é o melhor para elas, elas vivem as próprias vidas de acordo com o que os pais pensam que é o melhor para elas, ou o que seus amigos, inimigos, professores, o governo e até a mídia pensa que é o melhor para elas. Elas ignoram suas vozes interiores, suas intuições. Estão tão ocupadas agradando todo mundo, vivendo as suas expectativas, que perdem o controle das próprias vidas. Isso faz com que esqueçam o que as faz feliz, o que elas querem e o que precisam – e, um dia, esquecem também delas mesmas. Você tem a sua vida – essa vida agora – você deve vivê-la, dominá-la e, especialmente, não deixar que as opiniões dos outros te distraiam do seu caminho.



Fonte: Guia Ingresse
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sexta-feira, 19 de julho de 2013

O que é ser evangélico?

Ser evangélico, crente ou simplesmente protestante, como se dizia antigamente, hoje é mais do que ser uma pessoa diferente. Ser evangélico é ter uma marca, uma mancha, ser bem visto por muitos e, principalmente, ser mal visto em muitos lugares, ocasiões e em muitas repartições.

Já escrevi sobre este tema, mas o mesmo continua palpitante e intrigante e, portanto, merece ser revisitado periodicamente. Há uma necessidade, e até uma urgência em escrever sobre este tema que continua intrigando e até instigando muita gente. O mundo precisa saber realmente o que é ser evangélico.

Paradoxalmente, o evangélico muitas vezes tem procurado não se comportar como tal até para evitar constrangimentos e causar algum problema aonde vai ou aonde chega. Mas, em geral, quando ele chega, mesmo sem se identificar acaba sendo reconhecido, às vezes por um gesto ou por alguma palavra que deixa escapar. E então acontece aquela inevitável pergunta: "você é crente?".

O crente então, mesmo querendo, não tem mais como se esconder - a menos que negue a sua condição -, mas mesmo assim ele já foi descoberto, reconhecido e agora tem que enfrentar os seus algozes. Nas minhas muitas viagens já passei várias vezes por situações semelhantes. E muitas vezes já fui tentado a negar a minha fé, mas Deus sempre me deu forças para assumir a minha condição de filho e servo dele, mesmo em meio a tentações e retaliações.

Hoje, ao contrário do que muita gente pode afirmar, ser crente ou ser evangélico, em muitos casos, é uma tortura diante das muitas perseguições e ameaças contra as pessoas que discordam do modelo aceito e propagado por este mundo em estado avançado de depravação moral. Hoje, discordar de alguns comportamentos dentro dos segmentos sociais é correr o risco de ser processado, perseguido e marcado, principalmente se for uma pessoa conhecida ou com alguma influência na mídia.

Diante de tantas exigências e ameaças, muitas vezes o crente tenta se esconder ou se disfarçar para assim proteger-se e proteger a sua família, pelo fato de pensar e de crer de forma diferente embasado na Bíblia. E também por ainda acreditar na família e nos valores bíblicos relacionados a ela. Mas muitos, infelizmente, tem sucumbido diante das ameaças, e qual Pedro têm negado a Jesus, e muitos até o têm traído e o vendido a exemplo de Judas, o Iscariotes.

Hoje, é necessário ter uma definição, e está cada vez mais difícil assumir uma posição e enfrentar as trevas propagando a mensagem de Jesus que certa afirmou: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida". (João 8. 12). Ser evangélico hoje é correr sérios riscos podendo até mesmo perder a vida para, em troca, salvar a sua alma. Este é o momento de conhecer quem realmente serve a Deus e está disposto a pagar o preço por amor a Ele.



Fonte: Cícero Alvernaz em Ultimato
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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Os 16 processos judiciais mais bizarros da história

Em 2008, Wanderson Rodrigues de Freitas, de 22 anos, invadiu uma padaria em Belo Horizonte. Portando um pedaço de madeira para simular uma arma embaixo da camiseta, rendeu a funcionária do caixa, pegou os R$ 45 que encontrou e estava de saída quando o dono do estabelecimento apareceu na porta. Era o décimo assalto em 7 anos de existência da padaria - o mais recente tinha acontecido apenas 4 dias antes. O comerciante se irritou e partiu para cima de Freitas. Os dois rolaram pela escada que dá acesso ao estabelecimento. Na rua, o ladrão apanhou de outras pessoas que passavam, até a polícia ser chamada e prendê-lo em flagrante. Ele foi preso e, de dentro da cadeia, entrou com um processo por danos morais contra o dono da padaria. "Os envolvidos estouraram o nariz do meu cliente", diz José Luiz Oliva Silveira Campos, advogado do ladrão. "Em vez de bater, o dono da padaria poderia ter imobilizado Wanderson. Ele assaltou, mas não precisava apanhar."

A ação não foi aceita pelo juiz, Jayme Silvestre Corrêa Camargo. "A pretensão do indivíduo, criminoso confesso, apresenta-se como um indubitável deboche", ele afirmou em sua decisão. "Uma das exigências para pedir indenização é o que o seu ato seja lícito, e não é o caso", diz Clito Fornassiari Júnior, mestre em direito processual civil pela PUC-SP. Wanderson está preso e aguardando o julgamento.


Condenado a 20 anos de prisão por assassinato, Mircea Pavel, de 41 anos, processou Deus. A alegação: quando ele foi batizado, Deus prometeu protegê-lo do Diabo. Como o seu crime foi obra do demônio, Deus não cumpriu sua parte no contrato. Em 2011, a corte decidiu que o processo estava fora de sua jurisdição.



Em 1995, o americano Robert Brock resolveu processar a si mesmo e pedir uma indenização de US$ 5 milhões, alegando que violou suas crenças religiosas quando cometeu os crimes que o levaram à prisão (agredir pessoas num bar e dirigir embriagado). Como estava preso, Robert esperava que o Estado tivesse que pagar a indenização a ele. "É possível dever para si mesmo", explica Fornassiari. "Se você deve para seu pai e ele morre, você passa a ser credor de você mesmo. Mas a dívida é automaticamente anulada. Não se pode processar a si mesmo". A Justiça americana não aceitou o processo.

Em 2008, o prefeito da cidade de Batman, na Turquia, entrou com um processo contra a Warner Bros e o diretor Christopher Nolan pelo uso do nome Batman no filme Cavaleiro das Trevas. A cidade de 300 mil habitantes ganhou esse nome em 1957, e hoje é a sede do maior ponto de exploração de petróleo do país. Em seu processo, o prefeito Nejdet Atalay alegou que o filme se apropriava indevidamente do nome da cidade - apesar de o personagem ter surgido antes, em 1939.


Encheu a cara e culpou o chefe
A canadense Linda Hunt, 52, foi embora bêbada de uma festa de sua empresa. Bateu o carro e processou o patrão porque permitiu que ela saísse dirigindo naquele estado. Ganhou US$ 300 mil. "No Brasil, o processo só seria aceito se o chefe tivesse coagido a funcionária a beber, ou tivesse cedido seu próprio carro ou da empresa para ela", explica Clito Fornassiari Júnior.

Pelo direito de soltar pum
Uma funcionária de uma fábrica de Cotia (SP) processou a companhia que a demitiu por justa causa. É que o motivo alegado para a demissão era flatulência. O caso foi parar nas mãos do desembargador Ricardo Artur Costa e Trigueiros, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, que deu ganho de causa à trabalhadora. "A eliminação involuntária, conquanto possa gerar constrangimentos e, até mesmo, piadas e brincadeiras, não há de ter reflexo para a vida contratual."

Calote na umbanda
Um prestador de serviços do Amapá ganhou na Justiça o direito a ser indenizado em R$ 5 mil. É que ele realizava "serviços de umbanda" para uma rede de frigoríficos, mas tomou um calote. A proprietária da empresa alegou que o trabalho não surtiu efeito, e por isso não foi pago. Para a Vara do Trabalho de Macapá, a limpeza espiritual dos ambientes foi feita com regularidade e merecia o pagamento combinado.



Sem sexo na noite de núpcias
Em 2009, na província chinesa de Hubei, o agricultor Li Jun resolveu tirar satisfação com sua nora, Liang Qian, quando descobriu que ela tinha se recusado a fazer sexo com o filho dele na noite de núpcias. Acabou apanhando da família toda. Agora move um processo por danos morais. O juiz ainda tenta convencer os dois lados a fazer um acordo, mas o casal já se reconciliou.

Traição é uma boa
Jeffrey Mechanic, conselheiro conjugal de Nova York, responde a uma ação movida pelo casal Guido Venitucci, 44 anos, e Heather Aldridge, 39. Guido alega que foi induzido pela terapia a trair a esposa (seria uma forma de salvar o casamento, pois a esposa não lhe dava "satisfação suficiente"). O casal diz ter gasto US$ 150 mil com as sessões. E pede ao terapeuta US$ 8 milhões de indenização.

Quebrando a banca
No Zimbábue, a dona de casa Nonkazimulo Dube processou o ex-marido Talent Tafara porque ele quebrou a cama do casal - fazendo sexo com uma amante. A reclamante pede o equivalente a R$ 350. Ela pediu ao ex que consertasse a cama, mas ele não quis. Como a inflação anual no Zimbábue é de 4 500%, o valor da indenização terá de ser corrigido no final do processo.


Atropelada pelo Google
Em 2009, a americana Lauren Rosenberg buscou no Google Maps o melhor caminho para fazer a pé. Foi atropelada e agora processa a empresa em US$ 100 mil, pois o site não informou que a rua não tinha calçada. O Google diz que a informação estava disponível - mas Lauren alega que, no Blackberry dela, ficou ilegível. "No Brasil, há processos movidos por motoristas induzidos pelo GPS a entrar em favelas", conta Fornassiari.

Se formou, não arranjou emprego...
Trina Thompson, 27 anos, recém-formada em Tecnologia da Informação pela Monroe College, em Nova York, processou a faculdade em US$ 70 mil. O argumento: 7 meses depois de formada, ela não tinha conseguido emprego. E a culpa seria da faculdade, que não teria prestado o apoio prometido. Em nota, a instituição respondeu: "Oferecemos apoio à carreira dos nossos alunos. Este caso não merece mais considerações".

O cafezinho de US$ 2,86 milhões
Este caso é tão clássico que deu origem ao Prêmio Stella - que celebra as decisões judiciais mais bizarras do ano. Em 1992, Stella Liebeck, de 79 anos, processou o McDonald¿s porque se queimou ao abrir um copinho de McCafé. Ganhou US$ 2,8 milhões, pois seus advogados provaram que a lanchonete servia o café pelando, a 70 graus centígrados - temperatura considerada alta demais para o consumo do produto.

Cerveja não traz felicidade
O cidadão americano Richard Harris não gostava muito de cerveja. Mas, depois de assistir a um comercial na TV, resolveu experimentar. Só que a bebida não cumpriu a promessa feita na propaganda: nenhuma mulher linda e vestida com poucas roupas se interessou por ele. Harris disse que o caso lhe causou estresse, e moveu um processo contra a cervejaria Anheuser-Busch. Pediu uma indenização de US$ 10 mil. Não ganhou.

O homem que assistia TV demais
Quando percebeu que fumava demais vendo televisão e sua mulher tinha engordado, o americano Timothy Dumouchel encontrou o culpado: a empresa de TV a cabo, que não cancelou a assinatura quando ele pediu e deixou a família viciada em televisão. O processo, de 2004, foi arquivado por falta de mérito.

Orcas trabalhadoras

Neste ano, as orcas Tilikum, Katina, Kasatka, Ulises e Corky entraram com um processo trabalhista contra o parque Sea World na Flórida e na Califórnia. Elas alegam que a empresa promove trabalho escravo porque não reconhece os direitos animais a remuneração e férias. Como orca não fala, o caso foi movido pelo grupo ambientalista Peta em nome dos bichos. Se fosse na Espanha, o processo teria mais chances de avançar: desde 2008, o país reconhece os direitos civis de um animal, o chimpanzé.
O recordista
O presidiário Jonathan Lee Riches, da Carolina do Sul, já moveu mais de mil ações - e perdeu todas. Veja alguns dos alvos:

- Elvis Presley, por ter tirado as próprias costeletas e ter um acordo secreto com Osama Bin Laden.

- Michael Jackson, por abrigar um exército secreto de Hitler em Neverland.

- O cantor 50 Cent, por roubar as suas músicas.

- O jogador de beisebol Barry Bonds, por vender gás mostarda a Saddam Hussein.

- George W. Bush, Papa Bento 16, Bill Gates, Rainha Elizabeth, Burt Reynolds, Nostradamus, União Europeia e Plutão (sim, o planeta), por ofensas aos direitos civis.

Ilustração Rafael Quick
Fonte: Revista Super Interessante

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Evangélicos progressistas defendem gays e direitos iguais

Patrick, da Aliança Bíblica: "Para mim, ser progressista é não ter uma relação de submissão incondicional com a figura do pastor ou do líder religioso"

Eles são evangélicos, frequentam os cultos, leem a Bíblia e lutam para defender suas opiniões pessoais – mesmo que elas distoem do que pensa a maioria de seus irmãos em fé. Patrick, Morgana e Elias são considerados evangélicos progressistas, que se declaram contra a violência aos homossexuais, pregam a igualdade de direitos entre homens e mulheres e adotam uma postura mais questionadora sobre temas polêmicos, não sem enfrentar preconceitos dentro e fora do grupo ao qual pertencem. “Infelizmente, a sociedade vê o evangélico como conservador, limitado intelectualmente e manipulável. Mas esta não é uma imagem totalmente verdadeira”, afirma o comentarista esportivo Elias Aredes Junior, evangélico praticante.

A comunidade evangélica no Brasil conta com mais de 42 milhões de pessoas, de acordo com dados do IBGE. O crescimento do número de fiéis é expressivo – eram 15,4% da população no ano 2000 e chegaram a 22,2%, em 2010.

Embora estejam todos “enquadrados” no mesmo grupo, há denominações bastante distintas. Os ensinamentos são diferentes em uma igreja da corrente histórica, como a Batista ou a Metodista, em comparação a uma pentecostal, à qual pertence a Assembleia de Deus, por exemplo, ou a uma neopentecostal, como a Igreja Universal do Reino de Deus.

Com doutrinas tão diferentes, alguns evangélicos buscam comunidades mais abertas a questionamentos e também participam de movimentos progressistas, para defender interpretações e pontos de vista nem sempre aceitos nos cultos. Conheça a história de três jovens cristãos que se incluem neste grupo.

Para Patrick, a polarização "evangélicos versus gays" precisa ser superada

Abaixo a submissão incondicional

Formado em ciências sociais, Patrick Timmer, 27 anos, trabalha como secretário-geral na Aliança Bíblica Universitária do Brasil, em São Paulo. De família evangélica, é membro da igreja Comunidade de Jesus, e se considera um “progressista”. “O termo progressista pode significar muita coisa. Para mim, é não ter uma relação de submissão incondicional com a figura do pastor ou do líder religioso”, define.

Para Patrick, tudo o que é ouvido no culto precisa “passar pelo crivo das escrituras e ganhar uma interpretação coerente”. Ele acredita que todo evangélico deve ter uma postura crítica e saber buscar respaldo na própria Bíblia. “É preciso analisar o contexto, procurar literaturas de apoio, conversar com outras pessoas. O diálogo e o debate sempre ajudam na construção de uma democracia saudável”, afirma.

Ele explica que, em muitos casos, trechos da Bíblia são usados para justificar atos de opressão ou abuso, especialmente contra as mulheres. “Certas leituras podem levar a uma interpretação equivocada de superioridade de gênero. Mas a submissão para justificar a violência não tem base bíblica”, defende Patrick.

Sobre o homossexualismo, comumente alvo de críticas de líderes religiosos e dos políticos da bancada evangélica, Patrick diz que é preciso mudar esta polarização de “evangélicos versus gays”. Para ele, violência e intolerância são inaceitáveis, sejam por racismo, machismo, xenofobia ou homofobia.

Morgana é secretária-executiva da rede Fale, união de grupos evangélicos que promove a justiça social 

A favor de um Estado laico

A missionária Morgana Boostel, 26 anos, também se considera uma evangélica progressista. Ela é secretária-executiva da Rede Fale, uma organização internacional ligada a várias congregações evangélicas, que atua em campanhas contra injustiças sociais. Em março deste ano, a Rede publicou uma carta aberta, assinada por 173 pastores e líderes evangélicos, se posicionando contra a permanência de Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM). Dezenas de comentários na própria página da rede rechaçaram a opinião dos pastores.

“Todos devem ter os direitos garantidos, independentemente da sua história ou trajetória familiar”, defende.

Evangélica desde criança, ela já frequentou a igreja Batista e hoje é membro da Comunidade Anglicana Neemias, na cidade de Vitória (ES). Morgana defende fervorosamente a liberdade de crença e se mostra contrária à intervenção da Igreja em ações do governo. “Estado laico não é a ausência de elementos de fé, mas a possibilidade de expressá-la da forma que cada um considere importante”.

Para ela, assim como a opção religiosa, todas as escolhas devem ser respeitadas. Cada um é responsável por decidir o que achar melhor para a própria vida, até mesmo quando se trata de questões sexuais. “É inadmissível qualquer tipo de violência contra homossexuais. Isso inclui o preconceito, pois [o preconceito] incita a violência”.

Elias, comentarista esportivo, é ligado a movimentos progressistas desde a adolescência 

Em defesa da diversidade

O comentarista esportivo Elias Aredes Junior, 40 anos, sempre foi de família evangélica. Ainda adolescente, aprendeu com os tios a questionar os valores pregados nas igrejas que sempre frequentou. “Comecei a despertar para temas de justiça social e igualdade, o que me levou a participar ativamente de movimentos estudantis”, conta ele, que hoje também frequenta reuniões e encontros do Movimento Evangélico Progressista.

Elias, que faz parte de uma igreja na cidade de Campinas (SP), considera boa parte da comunidade evangélica bastante conservadora. “Muitas vezes, a igreja não consegue lidar com este cenário multifacetado. E isso não é bom porque não contempla a diversidade. Quem não estiver dentro de um modelo preestabelecido fica de fora”, diz.

Ele cita um exemplo que ouviu de um pastor em outra denominação religiosa, que frequentava anteriormente. Durante um culto, o líder disse que, ao ver uma passeata gay, teve vontade de jogar o carro contra a multidão. “Achei aquilo horrível. Posso não concordar com a conduta gay, mas o Estado tem a obrigação de assegurar-lhes todos os direitos, inclusive o de manifestação”, opina.

Para Elias, o problema de lidar com a diversidade vai além da questão gay, incluindo também as novas formações familiares. “Vi vários casos de preconceito contra mães solteiras. Então, quando uma mulher é solteira ou separada, ela não pode ser considerada família pela igreja?”, questiona.

Para mudar este cenário e promover a inclusão, Elias acredita que cabe aos próprios evangélicos lutar pelo que acreditam e “adotar” líderes e representantes que estejam mais de acordo com o perfil de cada um. “O pastor da igreja que frequento é aberto ao diálogo e respeita o que eu penso. Uma nobre e gratíssima exceção neste cinturão ditatorial existente na comunidade evangélica brasileira”, afirma.



Fonte: Delas IG
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