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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Pastores brasileiros usam psicanálise para cativar fiéis evangélicos

Por meio do estudo das teorias de Freud, religiosos tentam aumentar o rebanho e o dízimo

Numa noite chuvosa de quarta-feira, desci do ônibus na rua Brigadeiro Luis Antônio, região central de São Paulo, quase em frente a uma das unidades da Igreja Universal do Reino de Deus situadas na capital paulista. No portão, uma senhora e dois jovens distribuíam exemplares da Folha Universal, periódico evangélico que circula semanalmente por todo o país há vinte e um anos. Ela estendeu o jornal e convidou-me a voltar “qualquer dia desses para conhecer a palavra de Deus”. Respondi que estava prestes a fazer isso. “Entre que o Senhor vai te abençoar, querida”, disse sorrindo. Entrei.

A Universal do Reino de Deus é a maior entre as igrejas neopentecostais existentes no Brasil. Segundo o Censo Demográfico de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ela reúne mais de 1,8 milhão de fiéis espalhados por todas as regiões do país. Fundada em 1977 pelo bispo Edir Macedo num subúrbio do Rio de Janeiro, faz parte do movimento das igrejas evangélicas surgidas no final dos anos 1970, que se distanciam do pentecostalismo tradicional, principalmente porque pregam a prosperidade como via de aproximação com Deus.

Naquela quarta-feira à noite, perdi as contas de quantas vezes o pastor evocou a imagem do diabo para representar todos os males existentes na Terra. Mas num momento específico, ele decidiu falar sobre males mais concretos, muito contemporâneos, e comumente associados a tratamentos psicoterápicos, psicanalíticos ou mesmo psiquiátricos: o medo e a síndrome do pânico. “Grande parte das igrejas neopentecostais se pretende especializada no cuidado de três conhecidos ‘problemas’ humanos: a saúde, o amor e o dinheiro”, diz o psicanalista Wellington Zangari, doutor em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo e vice-coordenador do Laboratório de Psicologia Social da Religião do Instituto de Psicologia da USP. “Para alguns pastores, não importa se existem médicos, psicólogos e outros profissionais de saúde para lidar com questões de doença. Há sempre uma interpretação bíblica para oferecer e vender saúde”.

A estratégia das igrejas neopentecostais e de seus pastores, segundo Zangari, tem sido a da assimilação, reinterpretação e incorporação dos diversos discursos presentes na cultura. Inclui-se aí o discurso da psicanálise, que cada vez mais é objeto de estudo por parte dos próprios pastores evangélicos – tanto neopentecostais, quanto pentecostais (batistas, presbiterianos e metodistas).

Psicanálise no templo

Izilmar Finco é pastor batista desde 1986, quando começou a atuar como missionário em Prado, na Bahia. Hoje, Izilmar trabalha na Igreja Batista de Eldorado (IBEL), em Serra, no Espírito Santo, e é filiado à Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB). Em 1998, formou-se em Psicanálise pela Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil (SPOB), criada em 1996 com a missão de popularizar e disseminar a psicanálise por todos os cantos do país. “Foi uma experiência muito enriquecedora e sou grato pela oportunidade que tive. A SPOB foi pioneira no Brasil na modalidade de formação de psicanalistas e deu a chance a muitas pessoas, assim como eu, de conhecer a psicanálise e seu valor na clínica, para ajudar as pessoas”, diz.

A psicanálise não é uma profissão regulamentada, ou seja, não existem cursos universitários especializados na prática criada por Sigmund Freud, tampouco leis que guiem especificamente seu exercício. A formação tradicional de um psicanalista passa pela graduação em Psicologia ou Medicina e pela associação a alguma sociedade psicanalítica, além da análise em si.

Na Sociedade Brasileira de Psicanálise, a primeira a ser criada na América Latina, em 1927, tal formação é oferecida somente a médicos e psicólogos registrados nos respectivos Conselhos Regionais, e a aceitação de profissionais graduados em outras áreas do conhecimento fica sob responsabilidade de uma Comissão de Ensino. Se aprovado, o pretendente deve se submeter a cinco anos de análise – com frequência mínima de quatro sessões semanais – além de realizar 160 seminários obrigatórios e atender a dois pacientes adultos ao menos quatro vezes por semana sob supervisão de um analista membro da sociedade.

Sendo livre a formação psicanalítica, entidades paralelas, como a Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil, oferecem cursos livres a qualquer interessado, como o pastor Izilmar Finco. Atualmente, a Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil é a maior sociedade de psicanalistas da América Latina. Em seus 18 anos de existência, concluiu mais de cem turmas em todos os estados brasileiros e formou cerca de três mil psicanalistas. O único pré-requisito para participar dos cursos é ter um diploma de graduação, seja ele qual for. Em dois anos, depois de participar de aulas duas vezes por mês e realizar 80 sessões de análise, o aluno recebe seu diploma de psicanalista.

A procura do curso por pastores evangélicos e líderes religiosos é intensa. Para o pastor Izilmar, se um religioso deseja desenvolver um bom ministério pastoral, ele precisa acumular uma série de conhecimentos, além da teologia: “Claro que a área da psique é uma delas. O pastor precisa se conhecer bem e saber como conhecer o outro”.  Com o auxílio da psicanálise ele afirma não atribuir tudo a questões espirituais. “Uma abordagem correta do problema é o primeiro passo para ajudar a encontrar a solução e a cura.”

Em 1927, Freud publicou um ensaio intitulado O futuro de uma ilusão, no qual afirma ser a religião “a neurose obsessiva universal da humanidade”, culpada pela decadência intelectual de parte dos seres humanos. Não seria então contraditório tentar conciliar religião e psicanálise? O pastor Izilmar acredita que não. “Não podemos negar o conhecimento ou os benefícios que a psicanálise trouxe para nós, desmistificando muitas coisas. Também de forma alguma podemos negar a fé e principalmente a fé em Jesus Cristo”, diz.

Gildásio dos Reis, pastor da Igreja Presbiteriana do Parque São Domingos, em São Paulo, e docente no Centro de Educação, Filosofia e Teologia (CEFT) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que teologia e psicanálise partem de pressupostos completamente diferentes. Por isso, não acredita ser honesto um pastor evangélico “atender pacientes utilizando acriticamente uma técnica que diverge sob muitos aspectos da fé cristã”. “Quando eu clinicava, há dez anos, deixava claro aos pacientes sobre minha fé e dizia que, no tratamento, iria fazer uso da teologia para ajudá-los.”

Quando os assuntos tratados passavam por questões como adultério, homossexualidade, aborto ou “qualquer comportamento que, à luz dos ensinos bíblicos, são considerados errados”, Gildásio utilizava-se dos princípios bíblicos “para orientar melhor os pacientes”.

Sérgio Laia, analista membro da Escola Brasileira de Psicanálise e professor, há mais de trinta anos, do curso de Psicologia da FUMEC, em Belo Horizonte enxerga também um problema conceitual na aliança entre as duas práticas: “A perspectiva de Freud era a de que a religião está para a civilização assim como a neurose está para o indivíduo. É dessa forma que a psicanálise lida com a religião – e uma pessoa que pratica uma atividade religiosa dificilmente aceitaria esse tipo de definição”.

“Ouvi de um dos meus professores uma frase de que nunca me esqueci: ‘Não há incompatibilidade entre verdade e verdade’. O que é verdade na psicanálise não anula as verdades do cristianismo”, relembra o pastor Izilmar.

A frase ouvida por ele durante o curso de psicanálise é de autoria do Dr. Heitor Antonio da Silva, um dos fundadores da Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil. Ele me repetiria a máxima alguns dias depois, quando nos falamos pelo telefone. “Não existe incompatibilidade alguma entre psicanálise e religião, pois se a psicanálise é uma verdade, ela tem que ser compatível com qualquer ciência. Se a religião é verdadeira, ela também terá que ser compatível com qualquer ciência”, explica Heitor, que além de psicanalista, também é pastor batista. “Se duas coisas se apresentam incompatíveis, ou ambas são mentirosas ou uma delas o é.”

Durante dez anos, Heitor da Silva foi diretor executivo da SPOB e um dos responsáveis por concretizar o objetivo de disseminar a psicanálise para todos os estados do país. Hoje, ele atua como diretor geral e presidente do grupo Redentor, que administra três faculdades no Rio de Janeiro. “A ideia de popularizar a psicanálise não significa que o façamos sem qualidade. É uma questão simples: a psicanálise é uma ciência independente”, ressalta. “Freud disse que a psicanálise era a profissão de pessoas leigas que curam almas e que não necessitam ser médicos.”

Em 2000, o deputado Éber Silva, do Rio de Janeiro – ele mesmo pastor da Igreja Batista – apresentou um projeto de lei no Congresso Nacional que visava a regulamentar o exercício da psicanálise no Brasil. Ele recebeu o apoio da SPOB, que passaria a atuar com maior reconhecimento,  aumentando os atritos já existentes com grande parte da comunidade psicanalítica, que comumente a associa a grupos evangélicos.

Heitor da Silva afirma que a SPOB foi vinculada aos evangélicos devido a “perseguições das sociedades ligadas ao organismo internacional”, pois sabem que ele e o presidente Dr. Ozéas da Rocha Machado são pastores evangélicos. “A SPOB não oferece cursos para pastores, mas para qualquer pessoa que tenha formação universitária. Nunca foi uma sociedade religiosa ou vinculada à religião”, defende-se. Ele admite, no entanto, que a sociedade de fato forma muitos pastores e líderes religiosos, pois estes exercem funções que lidam com a “problemática humana”.

O projeto de lei não foi aprovado. “O fato de esses cursos terem sido fechados e considerados sem validade não me parece terminar com o problema”, considera o psicanalista Wellington Zangari. “Eles permanecem em nosso meio, senão como superiores, como cursos livres. A ‘formação’ é a mesma, com direito a carteirinha de psicanalista depois do cumprimento de uma série de regrinhas e provinhas de leituras de apostilas mal feitas.” Para ele, a medida não elimina “a sombra do risco de formação de péssimos psicanalistas, com placas com seus nomes em consultórios, cartões de visita e sites na internet”.

O pastor Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, na inauguração do Templo de Salomão

O curioso é que as próprias plataformas de formação a distância voltadas especificamente para pastores e líderes religiosos também oferecem cursos de psicanálise. Se a procura dos próprios pastores pelo conhecimento psicanalítico acontece de forma “natural”, como afirma a maioria deles, o caminho inverso também é verdadeiro, uma vez que a formação em psicanálise está acoplada à formação religiosa. Na Faculdade Gospel, por exemplo, criada há vinte e cinco anos, junto às aulas de aperfeiçoamento em bibliologia, direito eclesiástico, história de Israel, liderança cristã e outros cento e cinquenta títulos, há também os cursos de “psicanálise clínica pastoral” e “psicanálise cristã”.

Apologia ao medo

Segundo Doryedson Cintra, professor de psicanálise nos cursos realizados pela Sociedade Contemporânea de Psicanálise (SCOPSI), as religiões evangélicas estão praticando uma psicanálise selvagem, espécie de chantagem terapêutica que ele chama de “comando passivo”. “Os pastores sabem que há algo na vida de cada indivíduo que inspira o medo e o terror. Só não sabem o quê. Com a apologia ao medo, eles incitam os membros a ponto de despertarem um comportamento histriônico, uma espécie de teatralidade muito comum nos casos de possessão”, teoriza. Ele afirma que, na verdade, essas pessoas se encontram psicologicamente abaladas e, inconscientemente, desenvolvem comportamentos que poderiam perfeitamente ser diagnosticados como transtornos histéricos, e não casos de possessão.

Ainda que as pessoas busquem a religião e a psicanálise para lidar com seus sofrimentos, Wellington Zangari acredita que o ponto de contato entre ambas termina aí: “Cada uma dessas perspectivas oferecem compreensões do ser humano baseadas em modos de obter conhecimento que são, por vezes, antagônicas”. A religião supõe a existência de agentes espirituais intencionais e uma ordenação da realidade que é ligada àqueles agentes. A ciência, por outro lado, não enxerga a realidade a partir de referenciais sobrenaturais.

Segundo ele, ao contrário da religião, a psicanálise encontra a natureza do sofrimento humano no próprio sujeito, em sua subjetividade e dinâmica pessoal. Nada é atribuído a Deus ou a qualquer associação do tipo. Além disso, as formas de lidar com esse sofrimento são distintas: “A religião poderá buscar a solução do sofrimento pela via da salvação divina ou do afastamento do demônio, o que supõe uma ação de tipo sobrenatural ou, ao menos, um contato entre o ser humano e uma instância desse universo transcendente. Na psicanálise, lida-se com o sofrimento justamente colocando o sujeito no centro, na natureza mesma do sofrimento. Ele próprio é o agente último da ação, implicado até o pescoço no sofrimento que sente.”





Fonte: Opera Mundi
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terça-feira, 12 de março de 2013

Vítimas de abuso sexual do sexo masculino têm mais dificuldade de lidar com o trauma

Estudo da Universidade de Massachusetts revelou um dado assustador e alarmante: nos EUA, um em cada seis homens e uma em cada quatro mulheres sofrerão algum tipo de abuso sexual antes de completar 16 anos. O estudo foi liderado pelo psicólogo David Lisak, da Universidade. Ele também trabalha numa ONG que auxilia homens que foram abusados. A violência e o trauma de um abuso sexual são intensos para os dois sexos, mas, de acordo com pesquisadores, pode ser mais difícil para os homens se recuperar.

Homens e mulheres violentados sofrem com a vergonha e o estigma do abuso e acabam se isolando e protegendo o criminoso com seu silêncio. Mas os homens ainda têm de lidar com outro problema: os estereótipos sobre sua masculinidade. “Homens, especialmente crianças e jovens, não denunciam os abusos”, diz a professora de enfermagem, Elizabeth Saweyc, da University of British Columbia. “Muitas das nossas histórias colocam os homens no comando da sexualidade. Quando acontece um abuso, esta posição, definida socialmente, é rompida. Não é apenas a violação dos limites e da autonomia pessoal, não só o direito de privacidade do garoto que está em jogo. O ato também contradiz seu senso de masculinidade”.

Esta ruptura na “ordem natural das coisas” causa uma confusão muito grande nos meninos porque eles não “deveriam ser” vítimas de abuso sexual. Elizabeth diz que, em muitos casos, eles têm até dificuldade em entender que estão sendo abusados. Como, na maioria das vezes, o criminoso é homem, os garotos acabam sendo levados a questionar a sua sexualidade, coisa que não acontece com as vítimas do sexo feminino. A professora conta que a sociedade ainda pode atrapalhar a recuperação. Por exemplo, quando o abuso é cometido por uma mulher, o trauma para o garoto é tão grande quanto se houvesse sido abusado por um homem, mas a sociedade vê isso como uma reprise do filme “A primeira noite de um homem”.

Um estudo realizado no Hospital infantil St. Paul em Minnesota com 226 meninas e 64 meninos, com idades entre 10 e 15 anos, que relataram ter sofrido abuso sexual, revelou que: das denúncias feitas em até 72 horas depois do ato, horário crítico para a polícia ter maiores chances de juntar evidências, a minoria era feita por garotos.

Outra diferença chocante é que os meninos são mais expostos à pornografia durante o abuso do que as meninas. As meninas, em sua maioria, são violentadas por mais de um criminoso. Com os meninos, geralmente é apenas um, algumas vezes um menor de idade, mais velho que a vítima. Os estudos também concluíram que as meninas contam primeiro para uma amiga sobre o abuso, enquanto meninos contam para suas mães. Outro fato chocante: “A segunda pessoa com quem os meninos conversam sobre o que aconteceu é com os próprios algozes”, contou a enfermeira, Laurel Edinburgh, co-autora do trabalho com Elizabeth Saweyc.

Além da dor, da confusão, da vergonha e do trauma, às vezes os jovens são acometidos por sentimento de raiva. Vítimas dos dois sexos têm altas chances de sofrer de doenças psiquiátricas como ansiedade e depressão. Além disso, o preconceito que sofrem os faz calar sobre o abuso sexual.

Mudança de atitude na sociedade pode reverter quadro

Por medo ou vergonha, as vítimas de violência sexual geralmente guardam para si a experiência, o que dificulta a estimativa de casos. Registros policiais, por este motivo, podem trazer apenas uma pequena parte dos números reais. Levantamentos com a população trazem números maiores, mas mesmo assim, os pesquisadores admitem que os sobreviventes deste tipo de crime não se sentem confortáveis em se abrir mesmo em pesquisas. “Eu não posso mais ficar preocupada com números como um em quatro, um em três, ou qualquer outra porcentagem. É um número enorme”, disse David Lisak.

O psicólogo chegou a entrevistar os abusadores e contou que a maioria é motivada pela ingenuidade e vulnerabilidade das vítimas. Muitos deles não param na primeira vez e, alguns abusam meninos e meninas. Sua satisfação se dá no controle sobre as crianças. Segundo ele, a maioria das vítimas conhece o responsável.

Para que os jovens possam ter mais confiança e coragem de denunciar os violentadores, Elizabeth Saweyc afirma que mudanças de ponto de vista são necessárias. Segundo ela, a sociedade deveria ser mais sensível à gravidade do crime. “Não deveríamos ter tanto preconceito em torno destes casos, na verdade, eles nem deveriam estar acontecendo. Enquanto as pessoas rejeitarem, desacreditarem ou negarem o fato, este crime perpetuará”. 



Fonte: LiveScience
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quarta-feira, 6 de março de 2013

A raiva é um distúrbio mental?

Recentemente foi descoberto um distúrbio mental que faz com que a pessoa adote um comportamento violento juntamente com agressividade verbal. Parece comum para você? 

Isso levantou um questionamento na comunidade científica: como sabemos que algo está fora do normal quando os sintomas do possível distúrbio são muito parecidos com o nosso comportamento usual?

O Distúrbio Intermitente Explosivo (IED) foi primeiramente diagnosticado em 1980 e é caracterizado por uma reação extremada a situações estressantes. Agora os cientistas procuram especificar seus sintomas para diferenciar a doença de “uma raivinha cotidiana”.

Segundo cientistas da Universidade de Chicago é possível que essa agressividade toda esteja “no sangue” e que o IED seja uma doença genética. Não há nenhuma estimativa de quantas pessoas possuam IED – mas acredita-se que essa doença seja muito comum.

Em 2004 um estudo feito com residentes de hospitais em Baltimore (Estados Unidos) estimou que 4% das pessoas desenvolve IED durante algum período de suas vidas. Mas segundo um estudo de 2006, publicado nos Arquivos de Psiquiatria Geral dos EUA, esse número é de 7.3% dos adultos.

Mas como um estudo estima que o dobro das pessoas que o outro estudo indicou possuam IED? É possível que seja devido aos critérios para definir a doença. Os sintomas usados para fazer o diagnóstico, até hoje, não são claros: eles não diferenciam a freqüência dos ataques de raiva e nem sua intensidade.

Segundo Emil Coccaro, professor de psiquiatria da Universidade de Chicago, o critério para definir que uma pessoa sofre com IED deve ser que ela tenha tido, no mínimo, três episódios de agressividade contra objetos ou pessoas em um ano e, além disso, com um nível de violência que seja fora de proporção. De acordo com o mesmo médico a definição atual da doença deixa margem para que pessoas que tenham tido apenas três ataques de raiva durante toda sua vida sejam diagnosticadas com IED.

Além disso, para um diagnóstico correto, o médico deve ter certeza que os ataques de raiva não estariam relacionados a outros distúrbios, como esquizofrenia, por exemplo. 



Fonte: Hypescience com informações de Life's Little Mysteries
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

10 informações valiosas para identificar um psicopata

10 – O que é ser um psicopata?
Psicopatia não é sinônimo de criminoso, ao ouvir falar do termo psicopata muitas pessoas pensam em assassinos em séries ou pessoas que cometem crimes hediondos, ledo engano, psicopatas em essência são pessoas que não conseguem discernir emoções, logo é possível encontrar psicopatas entre pessoas bem sucedidas que no geral não despertam nenhuma suspeita, como na política, grandes empresas e até mesmo em instituições religiosas.

9 – Ausência de emoções.
Com certeza a característica mais marcante da psicopatia. Psicopatas são incapazes de enxergar certas emoções, assim como os daltônicos não conseguem ver certas cores, o que os tornam pessoas extremamente frias e egoístas. Indivíduos com esse distúrbio tratam pessoas como objetos que podem ser descartados, não entendem o significado de ‘bem comum’ (se tiver tudo bem pra eles, então tudo estará bem) e são capazes de presenciar cenas macabras sem apresentar nenhuma alteração fisiológica, como suor nas mãos, coração acelerado, tremores até náuseas e vômitos. Para eles o medo é algo incompleto, superficial e não está associado a alterações corporais.

8 – Então o que eles sentem?
Devido a essa ‘pobreza emocional’ são eles incapazes de sentir amor, compaixão e o respeito pelo outro. Em momentos como esses apresentam todo tipo de encenação. Confundem o amor com pura excitação sexual, tristeza com frustração e raiva com irritabilidade, são bem superficiais. Resultados de uma pesquisa revelam que diferente das pessoas comuns, os psicopatas apresentam atividade cerebral reduzida nas estruturas relacionadas às emoções em geral e em contrapartida, um aumento na atividade nas regiões da cognição (capacidade de racionalizar). Assim pode-se dizer que são muito mais racionais que emocionais.

7 – O perigo mora ao lado.
Estima se que de 1% a 4% da população mundial apresente o chamado ‘transtorno de personalidade anti-social’, mas que não se manifesta de forma violenta, não se engane por isso, pois o fato de não cometer ato violento não que dizer que ele não deixe um rastro de destruição até no grau mais leve da psicopatia. Entre a população carcerária esse índice chega a 20%. No Brasil há cinco milhões deles entre nós, não se surpreenda caso você conheça algum psicopata, com certeza você deve conhecer. Então não se esqueça, quando tiver que decidir em quem confiar, tenha em mente que a combinação de ações maldosas com frequentes jogos cênicos por sua piedade praticamente equivale a uma placa na testa de uma pessoa portadora deste transtorno.

6 – Psicopatas são mentirosos compulsivos.
todo mundo mente, isso é fato, mas psicopatas fazem isso o tempo todo, até para eles mesmos, talvez como uma forma de suprir o vazio dentro deles. Mentem com competência, e são capazes de dizer coisas contraditórias olhando nos olhos de uma pessoa e não muito raro costumam fingir que praticam certas profissões como de médico ou advogado, usando e abusando de termos técnicos passando credibilidade, chegando ao limite de exercerem clandestinamente essas profissões, causando danos irreparáveis a terceiros. Com uma imaginação fértil e se focada sempre em si próprios, raramente ficam constrangidos ou perplexos quando são flagrados, apenas mudam de assunto ou tentam refazer a história para que pareça mais verossímil. Mentir, trapacear e manipular são talentos inatos dos psicopatas.

5- Psicopatas são charmosos e inteligentes.
Isso não quer dizer que psicopatas se vestem bem e são atraentes, mas sim que costumam ser espirituosos e bem articulados capazes de manipular pessoas mais vulneráveis. Por isso tornam-se líderes com freqüência, seja em presídios ou multinacionais, aliada a capacidade de mentir despudoradamente, os psicopatas conseguem se dar bem em entrevistas de emprego, conquista a confiança dos chefes e não raro exercerem cargos hierárquicos. Psicopatas possuem uma visão narcisista e supervalorizada de seus valores e importância (egocentrismo e megalomania) se vêem como o centro de tudo e tudo gira em torno deles.

4 – Ausência de sentimento de culpa.
Psicopatas não sentem culpa pelo que fazem, nem sentem medo de uma possível punição pelos seus atos, esses indivíduos não possuem nenhum encargo de consciência. Eles são capazes de verbalizar remorso (da boca para fora) e uma das primeiras coisas que aprendem é como demonstrar esse sentimento para atingir pessoas de bom coração. Inventam desculpas elaboradas que são capazes de mexer profundamente com os sentimentos nobres de uma pessoa. E pelo fato de serem egocêntricos e megalomaníacos nunca se apresentam errados, colocando sempre a culpa nos outros.

3 – Ausência de empatia.
Empatia é a capacidade de considerar e respeitar os sentimentos alheios, de se colocar no lugar do outro. Como já se disse para os psicopatas, as pessoas são meros objetos ou coisas, que devem ser usados sempre que necessário para satisfazer seu prazer. Caso demonstrem possuir laço mais estreitos com alguém é certamente pelo sentimento de possessividade e não por amor. Psicopatas em estado mais elevado e grave, são capazes de torturar e mutilar vítimas com a mesma sensação de quem fatia um suculento filé-mignon.

2 – O ambiente influi no tipo de psicopata.
Mesmo os que defendem que a psicopatia é algo 100% genético, não se pode negar que fatores externos, sociais e familiares influenciam como o transtorno será expresso no comportamento do individuo, indo de estado mais leve até o mais grave de psicopatia. Psicopatas que cresceram sofrendo abuso ou presenciando agressões teriam uma probabilidade maior de usar suas habilidades para matar pessoas. Já aqueles que cresceram em famílias equilibradas e não tiveram grandes dramas na infância, teriam uma probabilidade maior de transformar naqueles que mentem, roubam, trapaceiam, mas não chegam a praticar o ato violento criminoso em si.

1 – Psicopatia não tem cura.
Por acharem que não fazem nada de errado, psicopatas repetem os seus erros e tendem a reincidir três vezes mais que os criminosos comuns, ou seja, punições não servem de nada contra eles. Também não existem tratamentos comprovados nem remédios que façam efeito, mas tudo isso não quer dizer que eles devem ser punidos, pois possuem plena consciência de que seus atos não são corretos. O que se deve ter é o consentimento de que certas pessoas podem não ser confiáveis ou ser quem esperamos, além de ficar atento aos sinais claros e próprios dos psicopatas.



Fonte: Meu lixo virtual
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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Da ansiedade ao pânico

A ansiedade é um estado emocional que faz parte da experiência da vida. Sentimos-nos ansiosos diante de um acontecimento brusco, como a iminência de um desastre, ou quando nos defrontamos com prazos para a conclusão de uma tarefa. Em determinado grau é um estado de ânimo produtivo, pois aumenta a capacidade de realização colaborando para que estejamos alertas e preparados para o desafio e nos protege de possíveis perigos, preparando o organismo para obter êxito com um comportamento de ataque ou de fuga.

A ansiedade normal funciona como um sinal de alerta preparando o indivíduo para a ação.

Quando, porém, a ansiedade vem sem causa aparente ou em intensidade exagerada e passa a afetar negativamente o dia-a-dia torna-se prejudicial. É melhor reconhecer que há um problema.

Todos os Distúrbios de Ansiedade manifestam-se principalmente por um alto nível de apreensão. Experimenta um estado emocional de angústia, uma expectativa de que algo ruim aconteça acompanhado por várias reações físicas e mentais desconfortáveis. Muitas vezes incluem medo excessivo, pânico e temor. É uma resposta a uma ameaça interna, vaga e desconhecida.

A síndrome de pânico, por exemplo, trata-se de um caso particular de crise de ansiedade não controlada

Os ataques de pânico, ou crises, consistem em períodos de intensa ansiedade e são acompanhados de alguns sintomas específicos. Na maioria das vezes é uma reação do organismo quando se defronta com uma situação estressante cuja saída envolve decisões importantes, perdas afetivas, financeiras, mudanças de estilo de vida, etc.

Durante a crise, que tem seu ápice em 10 minutos, pelo menos quatro dos seguintes sintomas se manifestam: Palpitação, Taquicardia, Suor em excesso, Tremor, Náusea, Tontura, Sensação de não conseguir respirar, Medo de perder o controle, Medo de morrer. Muitos, num primeiro momento recorrem ao cardiologista acreditando que algo esta errado com o coração.

Algumas pessoas acabam limitando muito sua vida evitando atividades e situações normais, atividades diárias tais como ir às compras, pegar condução, ou em alguns casos, até mesmo têm medo de sair de casa.

‘Quem sofre com o pânico tem a preocupação persistente de ter novos ataques’.

Basicamente evitam qualquer situação que temem ou que os faria sentir-se impotentes e sujeitos a novos ataques de pânico. Passa-se a viver na expectativa de novas crises e busca-se estar em uma situação em que seja possível encontrar ajuda

As pessoas que sofrem de ataque de pânico, muitas vezes acabam associando outras fobias, complementando e agregando novos medos aos medos iniciais do pânico.

A cura não se dá de forma espontânea, o que significa que os sintomas não desaparecem a menos que a pessoa receba tratamento específico, especializado, para que seja eficaz. Esse é o passo embora seja o mais difícil é decisivo para o processo de cura.

A psicoterapia ajuda a trabalhar a ansiedade, as fobias e mudar a atitude perante o transtorno. Num primeiro momento, reduz as crises, a intensidade e a freqüência delas, trazendo alívio significativo. Pode ser necessário também iniciar um tratamento psiquiátrico, com antidepressivos e ou ansiolíticos, para acabar com os efeitos físicos, provocados pelo desequilíbrio bioquímico. Cada caso é um caso.




Fonte: Mary Scabora em Banco de Saúde
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sábado, 8 de dezembro de 2012

A era da psicopatia

Jesus disse que o esfriamento do amor faria a iniquidade se multiplicar na Terra. Por outro lado, a multiplicação da iniquidade esfria todo amor.

Portanto, seja porque o amor esfriou ou porque a iniquidade se multiplicou, o resultado é o mesmo: a Era do Gelo Final; os homens sem afeto; a vida sem amor; a existência como arte predatória e desalmada.

Hoje a psicopatia é o mal da era!

Já foi a histeria, depois a depressão, depois o pânico, e, agora, a psicopatia.

E pior: não há medicação para fazer amar com amor divino, sublime e verdadeiro!
E mais angustiante ainda:...

De acordo com Paulo em II Timóteo 3, tal psicopatia atingiria inclusive os crentes dos últimos dias.

Inafetividade, implacabilidade, arrogância, frieza, desconsideração, irreverência, culto ao próprio ego, e, sobretudo, hipocrisia; pois, têm forma de piedade, mas são filhos da Peidade; falam de Deus, porém O negam por suas próprias obras más; sobretudo O negam por suas ações de manipulação do próximo e de sedução dele.

Psicopatia tem graus, níveis e estágios!...

Entretanto, sua maior marca é a falta de culpa quando se erra..., de arrependimento a fim de consertar o erro..., e de afetividade, no caso de nada se sentir quando se ofende o próximo!...

Veja se apesar de todos os cultos que você frequenta sua alma já não é a de um psicopata.

Sem a prática constante do amor e sem que se exercite nele, toda alma cairá na psicopatia como doença global.

Já é fato; mas ficará tão pior que o goleiro Bruno nem no banco desse time ficará!
Pense nisso; mas, sobretudo, olhe para o seu próprio coração.



Fonte: Caio Fábio em seu site
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domingo, 25 de novembro de 2012

Depressão em cristãos

Era um dia de sol. Elias tinha lançado o desafio. Israel se achava nas garras de uma idolatria nacional. Acabe e sua rainha, Jezabel, tinham estabelecido o culto a Baal como religião oficial. Como servo do Altíssimo, o profeta foi levantado para chamar o povo de volta à aliança que o Senhor havia feito com Israel: seriam o seu povo e Ele, o seu Deus. Se tão somente lhe servissem, nenhuma outra nação gozaria de todos os benefícios da promessa feita a Moisés no Monte Sinai. Mas o rei tinha tomado uma estrangeira por esposa. Etbaal, o monarca dos sidônios, se aliou a Acabe e, para selar o acordo, deu sua filha para ser sua rainha – prática comum entre a realeza da época. Com ela foi junto a culto a Baal. E, gozando da cobertura do trono de Israel, aquela religião nefasta se alastrou. Os israelitas chegaram ao ponto de praticar sacrifício de sangue e orgias em praça pública – tudo para agradar o falso deus e garantir prosperidade nas colheitas e proteção contra inimigos.

O desafio era ousado, mas simples, como a Bíblia registra em 1 Reis 18: sobre um altar de pedras, um animal esquartejado seria exposto e o verdadeiro Deus mandaria fogo para consumir o sacrifício. Quatrocentos e cinquenta profetas de Baal invocaram o seu deus. Horas se passaram. Nada aconteceu. Não veio fogo. A deidade invocada não compareceu. Sua impotência ficou óbvia para todos.

Elias mandou encharcar o sacrifício a Jeová com água até encher a vala cavada ao redor do monte de doze pedras, ajuntadas como altar. Não poderia haver dúvidas de que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó era o verdadeiro. A sua vez chegou e, mediante a oração de Elias, o Senhor mandou fogo do céu – que consumiu o sacrifício e até a água escorrida para o chão. Em choque, o povo assistiu e reconheceu a falsidade do culto ao qual tinha sido seduzido. Seguraram os profetas de Baal e o próprio Elias passou cada um deles à espada. Matou 450 profetas de uma só vez.

O que a Bíblia não diz é que isso é muito cansativo. Matar 450 pessoas com uma espada após erguer um altar e orar não é para qualquer um. O homem estava gasto, enfraquecido, exausto. Estava na hora de tirar férias e desfrutar do triunfo que o Senhor lhe concedeu. Agora sim haveria o restabelecimento do culto ao verdadeiro Deus em Israel. Mas… isso não aconteceu. Assim que Jezabel recebeu a notícia, já em 1 Reis 19, mandou dizer a Elias que o episódio não ficaria impune. Certamente ela teria a sua vingança e o profeta seria um homem morto. Fraco e exausto, aquela virada perante uma vitória quase certa foi um golpe para ele, que, então, foge para o deserto.

Ali vemos algo que poucos reconhecem, hoje em dia. Elias se viu numa profunda depressão. Sei que depressão não é um termo bíblico, tampouco teológico. Mas ele fugiu para um lugar ermo. Em seguida, pediu a Deus para morrer. Sim, o vitorioso Elias queria morrer. O revés foi uma rasteira emocional de proporções inimagináveis. Qualquer um que já sofreu de depressão, ou que conhece alguém amado que sofre desse mal, enxerga no profeta alguém que certamente estava muito mais do que “para baixo”.

Depressão não é uma derrota espiritual. É uma condição humana que pode surgir por muitas razões. Certamente, uma derrota nos deixa para baixo. Mas… pedir para morrer? Isso é forte. Muito além de tristeza momentânea, o desejo pela morte é claramente um sintoma de depressão.

Servos de Deus passam por isso. Pessoas piedosas e espirituais também. O termômetro emocional sobe e desce, mesmo na vida de cristãos cheios de fé. Alguns passam por isso devido às circunstâncias. Mas há outras fontes de depressão. Existe o desequilíbrio químico, a menopausa, uma carência hormonal e até um trauma forte (como no caso de Elias). Todos esses fatores podem vir à baila e desencadear um processo que leva tempo para ser resolvido.

Nesses casos, a confissão positiva, o encorajamento e uma chamada à responsabilidade para ser um “vencedor” não ajudam. Temos de entender que o que está acontecendo dentro dessas pessoas resiste a estímulos externos. Resiste aos apelos dos que dependem delas. É algo sobre o qual não têm controle. Querem reagir, mas não conseguem. Seu mundo ficou cinza. Seus sentidos ficaram lerdos. Sua percepção da realidade fica distorcida. Medos surgem. Medos sem fundamento. Choram por nenhuma razão aparente. Frequentemente não conseguem parar de chorar por horas. Sua energia desaparece. Muitos ficam acamados por horas e horas, dias e dias, para o desespero dos que querem ajudar.

Se for o caso de uma esposa, o marido se vê impotente de protegê-la desse mal. Por mais que procure ajudar, apoiar e reafirmar seu amor, ela fica prostrada. E o cônjuge passa a se sentir triste, com raiva, revoltado (até com Deus). Volta e meia a pergunta salta de seus lábios: “Por quê, Senhor?!” Os médicos dizem que quem vive com alguém deprimido acaba deprimido também. Tem os sintomas, mas sem a doença – é uma síndrome chamada fadiga por compaixão.

Sei o que é isso. Tenho sido aquebrantado pela condição da minha amada esposa, Martinha. Vítima de dor crônica e menopausa, ela sofre de depressão já há alguns anos. Muitos queriam que eu escondesse o fato. “Pessoas não vão entender”, dizem. Pois está na hora de entender. Não conheço uma pessoa mais piedosa, de oração, amorosa e criativa do que ela. Apesar das dores, é uma menina de coração. É autora premiada de livros infantis, uma mãe de oração e criou dois filhos que honram o seu Senhor e andam nos Seus caminhos. Se alguém tem fé e um espírito leve é Martinha. Mas ela sofre.

O que tem ajudado é o tratamento. Muitos rejeitam medicamentos como se tomá-los fosse uma derrota espiritual. Posso assegurar que essa é uma das mentiras mais cruéis que já ouvi. Os que afirmam isso não têm a menor noção do que estão falando. Deus deu ao homem a capacidade de tratar males. A Medicina não é a rejeição da fé. Seja uma Aspirina para dor de cabeça, uma cirurgia de apendicite ou um antidepressivo, essas coisas são uma dádiva da ciência que Deus nos deu a capacidade de criar.

Para você que se esconde, torcendo para que ninguém descubra a sua dor, saiba que está em boa companhia. Elias sofreu disso. Minha Martinha sofre disso. E Deus não o abandonou. Por que sofremos tanto? Não é uma pergunta teológica para mim. É um clamor. Sei o que a Bíblia diz. Sei que Deus me ama. Sei que esses “sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles.” (2 Co 4.17). Ainda choro e sinto-me muito mal. Mas é nessa esperança que me lanço. Quando as lágrimas vêm, é nessa fé que me estribo. Não perca a sua. Deus sabe o que faz. Por favor, creia nisso.




Fonte: Walter McAlister em seu blog
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sábado, 11 de agosto de 2012

Desejo, logo existo?

Os prejuízos causados pelo ativismo político do Conselho Federal de Psicologia são realmente incalculáveis. Quando uma determinada ciência é prostituída em benefício de ideologias, sua reputação cai no mais absoluto descrédito. Os critérios de validade que fundamentam a produção do conhecimento, e que são universalmente aceitos, acabam substituídos pela conveniência política daqueles que detém circunstancialmente o poder – mesmo que seja o poder de uma simples autarquia.

Assim, a “boa teoria” não é mais aquela que resiste ao teste de realidade ou apresenta um valor heurístico considerável, mas a que atende a certos anseios pessoais ou coletivos, por mais intangíveis que sejam. E se os fatos negam a ideologia, tanto pior para os fatos. É que as construções ideológicas, em seu substrato mais íntimo, se assentam sobre disposições afetivas bastante arraigadas, algo que lhes confere uma capacidade de resiliência fora do comum. As ideologias não prestam contas à realidade: se limitam a criticar o que existe em nome do que não existe, e talvez jamais possa existir. É nesse ambiente de inspirações obscurantistas e degradação intelectual que a psicologia tem se tornado terreno fértil para toda sorte de impostores e demagogos.

A última audiência pública que discutiu a “cura gay” – assim carinhosamente batizada pela imprensa – foi um exemplo típico dessas distorções. Nela, houve um deputado que se sentiu à vontade para opinar sobre assuntos relacionados à Psicopatologia. Quais eram suas credenciais? Basicamente, um diploma de jornalista e uma fama exaurida em programa de reality show.

O grande problema, na verdade, não está tanto na tagarelice dos palpiteiros de ocasião, mas no silêncio obsequioso com o qual boa parte dos psicólogos vem testemunhando disparates desse jaez. Isso mostra que a patrulha ideológica do Conselho Federal de Psicologia alcançou o efeito almejado, e a esta altura dos acontecimentos, suponho eu, já decretou toque de recolher até na comunidade acadêmica. Enquanto os psicólogos se escondem nos consultórios e guardam o mais absoluto mutismo, o deputado Jean Wyllys vem à tribuna para dizer o seguinte:

“É óbvio que alguém homossexual vai ter egodistonia, mas por viver numa cultura homofóbica que rechaça e subalterniza sua homossexualidade. O certo seria colocar o ego em sintonia com seu desejo, é sair da vergonha para o orgulho.”

Se bem entendi a opinião do deputado, ele parte da premissa de que o desejo sexual possui primazia sobre o ego; logo, é o ego que deve estar em sintonia com o desejo, e não este em sintonia com aquele. Isso, segundo o sr. Wyllys, é que é o certo. Para efeito de argumentação, vou tomar a palavra “certo” no sentido aproximado de “normal”, já que não parece sensato supor que o certo, nesse caso, significa algo bizarro, anômalo ou desviante.

Dito isso, eu perguntaria ao sr. Wyllys: por que não considerar como certo – ou normal, como queira – o desejo sexual que está em conformidade com o sexo biológico? Quais os critérios utilizados pelo deputado para definir seu padrão de normalidade? É preciso que ele aponte os fundamentos clínicos, teóricos, filosóficos, ou até metafísicos, sobre os quais está apoiada sua opinião.

Sigmund Freud, por exemplo, que é considerado o maior psicólogo clínico de todos os tempos, pressupunha em sua teoria a existência de um registro real da sexualidade – “a diferença entre os sexos” – como causa do desejo para o sujeito. Essa idéia, aliás, foi condensada numa de suas célebres frases, segundo a qual “anatomia é destino”. Em momento algum Freud disse que o desejo sexual era destino. Donde se depreende que a anatomia do sujeito é um dado de realidade anterior a qualquer processo subjetivação, e, como tal, deve orientá-lo. Aliás, não só a anatomia, mas a fisiologia também.

Se o real precede o imaginário e o simbólico, e se o ego é a instância psíquica regida pelo “princípio de realidade”, como ensinava Freud, é natural que as pessoas achem certo (ou normal) que o desejo sexual esteja em sintonia com a realidade corporal.

O que leva o desenvolvimento psicossexual de alguém a perder-se nos desvãos de suas angústias e fantasias, levando-o a desordens na identidade sexual, é algo passível de investigação científica – e, quiçá, de solução terapêutica viável. Existem muitas tentativas de entender o fenômeno (“fixação narcísica”, “horror à castração”, etc), propostas por vários estudiosos da sexualidade humana – Freud entre eles. Porém, se a cultura encara com certa perplexidade ou estranhamento as práticas homossexuais, isso não dá margem para presumir que a patologia esteja obrigatoriamente na cultura, como pretende o deputado Jean Wyllys ao chamá-la de “homofóbica” (na verdade, o intuito não é diagnosticar uma patologia, mas proferir um simples insulto).

A capacidade de discernir o real do irreal, de diferenciar os estímulos provenientes do mundo exterior dos estímulos internos, está na própria gênese do processo de subjetivação. Freud designava como “prova de realidade” a esse dispositivo que, de maneira gradativa, consolida as funções superiores da consciência, memória, atenção e juízo, entre outros atributos que singularizam a natureza humana, razão pela qual se encontram tão enraizados na cultura. A esse respeito, é Freud quem diz:

“A educação pode ser descrita, sem hesitação, como o incentivo à superação do princípio do prazer, à substituição dele pelo princípio de realidade.” (Formulações sobre os dois princípios do funcionamento psíquico, Freud, 1911)

Sendo ainda mais específico, os critérios de doença e saúde utilizados pela disciplina da psicopatologia também pressupõem em grande medida essa distinção elementar entre fenômenos meramente subjetivos e a realidade objetiva. É dentro dessa perspectiva que o delírio e a alucinação se constituem como exemplos extremos de manifestações patológicas que perturbam, respectivamente, o juízo e a percepção da realidade. Enquanto que os devaneios e as fantasias, embora considerados benignos sob o aspecto da higidez mental, nem por isso deixam de ser igualmente irreais.

Por tudo isso, não surpreende que o filósofo racionalista René Descartes, ao cabo de uma longa reflexão, tenha concluído que o fundamento indubitável da existência deve repousar sobre as faculdades humanas superiores, idéia cuja fórmula ganhou expressão lapidar no seu cogito, ergo sum. Já o sr. Wyllys, o que faz? Como um bom hedonista, quer nos convencer de que o fundamento da existência humana reside mesmo é nas forças cegas do baixo-ventre, o que na mais respeitável filosofia de alcova pode ser equacionado por outro mote, qual seja, o libido, ergo sum. Quem acredita que o ego deve se curvar aos desejos sexuais é porque lhes confere um estatuto primordial na própria definição de natureza humana.

Ainda que não houvesse quaisquer parâmetros para se discutir a sexualidade humana, e que todas as opiniões, portanto, fossem colocadas na vala-comum das idiossincrasias pessoais, subsistiria o fato de que as pessoas pautam suas vidas por valores. Colocar a mera fruição do desejo sexual como o que há de mais sublime na vida humana pode não ser uma regra válida para todos. O que na concepção de uns significa “sair da vergonha para o orgulho”, pode ser o inverso para muitos outros, conforme as diferentes cosmovisões que se adote.

É por isso que o psicólogo não pode usar de sua autoridade profissional na tentativa de abolir sentimentos de vergonha ou culpa em seus pacientes. A missão do psicólogo clínico, segundo Freud, limita-se a transformar o sofrimento neurótico em infelicidade humana normal – essa que todos nós, em maior ou menor medida, sentimos. Quem acredita que o objetivo da psicoterapia é liberar os desejos sexuais de suas “amarras” culturais, convertendo indivíduos neuróticos em discípulos de Marquês de Sade, é porque pretende impor suas convicções hedonistas aos demais. Como alertava o psicanalista Gregory Zilboorg:

“O Homem não pode ser curado das exigências ético-morais e religiosas de sua personalidade, que nele vivem e dele fazem o que realmente é. Só o morboso, o irreal e inútil podem ser analisados.”

Em outra direção, tornou-se lugar-comum o argumento de que o homossexualismo seria prática natural porque é observada com freqüência em diversas espécies animais. Esse entendimento, porém, é bastante falho, pois compara entre si fenômenos essencialmente diversos. Ainda que, em uma determinada espécie, se observe o coito em indivíduos do mesmo sexo, não se pode defini-lo como homossexualismo sem incorrer naquilo que os etólogos chamam de “antropomorfização” do comportamento animal.

Os animais não possuem desejo sexual no sentido empregado por nós. Animais possuem tão-somente impulsos sexuais, e esses impulsos, em condições normais, seguem o comando fixo dos instintos estabelecidos ao longo de sua cadeia evolutiva. Acrescente-se que, sob a ótica da evolução, não pode haver algo como um “instinto homossexual” entre animais, pois é certo que os indivíduos com essa tendência não repassariam sua carga genética adiante. Até um suposto “instinto bissexual” teria chances bem reduzidas de proliferação, já que seria uma desvantagem bastante palpável se olharmos pela perspectiva ampla da escala evolutiva.

A hipótese explicativa mais plausível para a ocorrência desse fenômeno entre os animais segue outra direção. Quando premidos por um forte impulso sexual cujo meio de satisfação original encontra-se ausente, os animais comportam-se de modo a favorecer uma satisfação alucinatória do impulso. Quem nunca testemunhou cães que, ao verem-se privados de uma fêmea, passam a “montar” em nossas pernas, simular o coito em outros animais, no ursinho de pelúcia ou no ”puff” da sala? Por que não poderiam fazê-lo – como de fato o fazem – em outros cães do mesmo sexo? Se isso for homossexualismo, o que seriam os outros comportamentos?

Segundo Freud, o modo de satisfação alucinatório também é encontrado nos seres humanos, bem nos primórdios de seu desenvolvimento. Bebês que choram de fome e são acalmados por uma chupeta, ainda que não estejam sendo nutridos, experimentam também um modo de satisfação alucinatório. Com o passar do tempo, na medida em que acumulam frustrações e percebem que esse tipo de mecanismo não é capaz de aplacar a fome, as crianças o abandonam em favor de um “sentido de realidade”. É a partir desse momento que ego vai se estruturando no aparelho psíquico. Mas só os seres humanos são capazes disso.



Fonte: Luciano P. Garrido em Psicologia sem Ideologia
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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Religião não motiva desistência de tratamento para fertilidade, diz psicóloga

Optar por uma religião vai além de frequentar um templo ou uma igreja, é escolher uma filosofia de vida. Quando o assunto é reprodução assistida, cada entidade religiosa tem um posicionamento sobre as técnicas. De acordo com Rose Massaro Melamed, psicóloga da clínica Fertility, de São Paulo, algumas pacientes apontam a questão religiosa como uma das angústias relacionadas ao processo do tratamento. No entanto, na maioria dos casos, o casal não desiste do procedimento por esse motivo. 

Rose conta que, em sua vivência na área, foram poucos os casais que deixaram o tratamento por conta de limitações relacionadas a opções religiosas. Para ela, quem segue rigidamente doutrinas religiosas contrárias às técnicas de reprodução assistida nem chega a dar início ao tratamento. 

Aqueles que estão em buscando as clínicas, mas se sentem incomodados com a questão da religiosidade, na maioria das vezes contam o problema para o terapeuta ou psicólogo. Segundo Rose, é difícil que o paciente leve o assunto para a sala do especialista em reprodução. "Essas pessoas, normalmente, vão ao consultório do psicólogo buscando se ouvir. Escutar se, em seu interior, ela se permitiu passar pelo procedimento, mesmo que haja divergências religiosas", explica. 

O que dizem as religiões 

A religião com um maior número de fiéis no Brasil é o catolicismo que, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), tem 123,2 milhões de seguidores. O levantamento revelou ainda que as igrejas evangélicas foram as que mais cresceram entre 2000 e 2010, atingindo 42 milhões de brasileiros. 

De acordo com Elizabeth Kipman, ginecologista, obstetra e membro da Comissão de Bioética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Igreja Católica brasileira segue os conceitos da "bioética personalista". Segundo a médica, essa linha ética faz questionamentos que vão além dos resultados e preocupa-se com os meios que serão utilizados para atingir o objetivo. 

Elizabeth explica que a Igreja Católica está de acordo com métodos em que não haja intervenção na geração do bebê, ou seja, os tratamentos para o preparo de uma gravidez que deve ser concebida com a participação única do casal. Ela discorda de técnicas como inseminação artificial intrauterina e fertilização in vitro (FIV). 

"A preocupação da igreja é que no ato de concepção não seja separado o aspecto unitivo do casal da fecundidade entre ambos", esclarece a médica. "A igreja preza pela união do casal. Portanto, ela concorda com os tratamentos que preparam a mulher para a gravidez, mas discorda daqueles que necessitam de uma intervenção de um terceiro no momento da geração." 

Segundo o deputado federal João Campos (PSDB-GO), líder da frente parlamentar evangélica, o grupo ainda não tem um posicionamento fechado sobre o tema. "Nós não somos contra. Achamos que é preciso encontrar um limite que respeite a ética médica e a cristã", afirma o deputado. "Por conta disso, nós propusemos uma audiência pública, que deve ocorrer em meados de agosto, para discutir o tema." 

Campos acrescenta que um assunto tão importante para a sociedade não deve ser regulamentado somente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e precisa de legislações próprias. 



Fonte: Terra
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dez sinais de que você perdeu o controle sobre suas dívidas

A paciente chegou tranqüila ao consultório psiquiátrico. Cinco minutos depois, quando começou a falar sobre seu problema, mostrou sintomas físicos de ansiedade. “Ela tremia e transpirava”, conta Dra Tatiana Filomensky, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. A paciente, que prefere não ter seu nome publicado, é viciada em compras e, como consequência da patologia, acumulou uma dívida de R$ 600 mil.

Ela conta que fica o tempo inteiro pensando no que pretende comprar e como vai fazer para conseguir saciar seu desejo. Seu casamento fracassou e os outros membros da família já não conversam mais com ela. “Ela se sente como uma dependente de crack”, diz a psiquiatra. Nos Estados Unidos, 5% da população têm o mesmo problema, segundo Tatiana, mas ainda não há dados oficiais sobre o Brasil. “Mas o caso é muito mais comum no País do que se imagina, e a maior incidência é na população de 31 a 39 anos,” diz a médica.

Em casos menos graves, mas também preocupantes, o endividado costuma esconder as compras para que seus familiares não vejam, ou mentir sobre o preço.

Às vezes o comprador não percebe que está ultrapassando um limite saudável de consumo, diz a Dra Vera Rita de Mello Ferreira, psicanalista e doutora em psicologia econômica pela PUC-SP. Mas as especialistas afirmam que é possível identificar sinais de que as compras estão exageradas e dão dicas de como resolver a situação.

A gravidade do problema não é camuflada pelo próprio consumidor, mas sim pelo fato de existir uma aceitação social do ato de fazer compras, o que não acontece com o consumo de drogas, por exemplo. Além disso, o Brasil está passando por um período de enorme incentivo ao consumo e de crédito fácil, o que estimula a população a consumir e tomar empréstimos, sem que as pessoas tenham consciência do problema que pode estar surgindo.

Ação

Identificar o problema é o primeiro passo para resolver a situação. Mas os especialistas advertem que não basta assumir a dificuldade de lidar com as dívidas. É preciso que o endividado encare a realidade e entenda que “as dívidas são um desafio a ser superado,” diz Patrícia de Rezende, psicoterapeuta e orientadora em finanças pessoais.

Para enfrentar o problema, é preciso coragem. “Há casos em que o comprador sabe que está gastando além do que deveria, mas prefere fingir que está tudo bem. Ele vive em um falso otimismo excessivo e costuma dizer a si mesmo: ‘no mês que vem eu dou um jeito nisso’.” diz Vera. “Mas o tempo passa e, com altas taxas de juros, a situação acaba saindo do controle,” acrescenta.

Caso não consiga aceitar a situação sozinho, as especialistas concordam que o endividado deve ter ao menos a iniciativa de buscar ajuda.

Na esfera psicológica, a primeira missão do consumidor – de preferência, com a ajuda de um profissional - é identificar as causas que o levaram a acumular as dívidas, diz Patrícia. Dependendo desta resposta, será trilhado o caminho para resolver a situação.

No âmbito financeiro, é preciso disciplina para conseguir organizar o orçamento, o que muitas vezes vai demandar alguns sacrifícios, como cortes de gastos e uma diminuição do padrão de vida (veja dicas abaixo).

O ideal, na opinião de Vera, é que o endividado busque um consultor de finanças de confiança para dar dicas sobre como reestruturar as dívidas. Outra opção é ouvir o que amigos e familiares têm a dizer, “desde que sejam pessoas sensatas,” acrescenta a psicoterapeuta.

SINAIS DE QUE SUAS DÍVIDAS PODEM ESTAR FORA DE CONTROLE:

1 - Esconde as compras para que os familiares e amigos não vejam

2 - Mente que os produtos custaram menos do que o valor real

3 - Sempre adia a resolução do problema das dívidas para o ‘mês que vem’

4 - Paga apenas a parcela mínima do cartão de crédito

5 - Toma empréstimo de uma instituição para cobrir a dívida em outra

6 - Tem sempre uma justificativa para suas dívidas, quase sempre "culpando" um terceiro pela situação (salário, governo, patrão)

7 - Faz as contas dos ganhos e despesas considerando seu salário bruto

8 - Possui dívidas longas – superiores a três meses – de compras de itens supérfluos, que não sejam a casa própria, o carro, ou um crédito educativo, por exemplo

9 - Evita falar sobre as dívidas

10 - Não consegue ficar um dia sem comprar algo

DICAS PARA EVITAR O ENDIVIDAMENTO EXAGERADO:

1 - Corte despesas desnecessárias

2 - Converse sobre o assunto com amigos e familiares, se forem pessoas sensatas

3 - Não compre por impulso e não confunda necessidade de consumo com desejo de comprar

4 - Nunca gaste contando com ganhos futuros ainda não confirmados

5 - Priorize as despesas básicas e reserve parte do salário para situações de emergência

6 - Não faça novos empréstimos para quitar dívidas atuais, a menos que os juros sejam mais vantajosos

7 - Pague sempre o valor total da fatura do cartão de crédito, pois pagamentos inferiores acarretam a cobrança de altos juros

8 - Evite fazer financiamentos ou empréstimos de longo prazo

9 - Ao financiar, leia, entenda e avalie o compromisso que está assumindo. Informe-se sobre o Custo Efetivo Total (CEF) do empréstimo e compare com o de outras lojas

10 - Decida sobre novas dívidas juntamente com sua família

Crédito: especialistas e Procon-SP


Fonte: Olívia Alonso no iG
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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Colecionar objetos pode ser indício de transtorno obsessivo compulsivo

Hábito considerado saudável na maioria dos casos pode estar relacionado ao TOC

Colecionar objetos e guardá-los dentro de casa pode ser um sinal de alerta para o transtorno compulsivo obsessivo (TOC). Segundo uma pesquisa recente, o hábito, ainda que na maioria das vezes seja considerável saudável, pode estar relacionado com o problema.

O estudo indica que a necessidade de controle, perfeccionismo, meticulosidade e ordem extremas são características comuns de pessoas que mantêm coleções e este comportamento pode levar ao descontrole e, em casos extremos chegar à síndrome de diógenes, caracterizada pela incapacidade de se jogar fora qualquer objeto.

O TOC pode ser identificado através de sintomas como baixa autoestima, deficiência em se relacionar e socializar, além das dificuldades de enfrentar problemas.

— É preciso ficar atento aos sinais para identificar quando um simples hábito de colecionar objetos se torna uma obsessão acompanhada por impulsividade. Procurar ajuda de um profissional especializado no assunto é sempre o mais indicado para que o tratamento seja realmente eficaz — explica a psicóloga e tutora do Portal Educação Denise Marcon.

No entanto, nem todo colecionador pode sofrer com os transtornos. Na psicologia, o hábito ajuda a desenvolver diversas habilidades positivas, como perseverança, ordenação, paciência e memória.



Fonte: Click RBS
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domingo, 17 de julho de 2011

5 frases que você NÃO deve dizer ao seu filho

Elaboramos uma lista com itens que podem quebrar a relação de confiança entre vocês ou prejudicar a autoestima da criança.

Você certamente sabe que o primeiro contato de uma criança com o mundo acontece dentro da família e que os adultos, portanto, tem um papel fundamental na formação da personalidade e identidade social de uma criança. Por isso, tanto os seus atos quanto aquilo que você diz para o seu filho tem grande importância – e podem ter um impacto positivo ou negativo sobre ele.

Segundo a da professora de psicologia da faculdade Pequeno Príncipe (PR) , ligada ao hospital de mesmo nome, Mariel Bautzel, toda a estrutura psíquica e social de uma pessoa é formada na primeira infância. “Não é raro vermos adultos que não sabem lidar com os próprios sentimentos ou que desconfiam muito do outro”, explica a especialista. Para ela, a causa pode estar lá atrás, na infância.

Pensando nisso, com a ajuda de Mariel e também da psicoterapeuta do hospital Infantil Sabará (SP), Germana Savoy, listamos cinco frases que você NÃO deve dizer ao seu filho.

“Pára de chorar”

A clássica frase inibe a expressão do sentimento da criança, sendo que o ideal é que você a ensine a lidar com as próprias emoções. “Sempre aconselho que os pais mostrem uma alternativa para o filho. Uma boa saída é pedir que eles mantenham a calma no momento do choro”, diz Germana.

“Volte já para a sua cama, isso é só um sonho”

Até os 5 ou 6 anos, os pequenos não sabem diferenciar com precisão o mundo real do mundo dos sonhos, por isso eles não entendem bem quando você disser que aquilo que elas vivenciaram não é real. O melhor é acalentá-lo, dizer que o medo logo vai passar e colocá-lo para dormir na cama dele novamente.

“Essa injeção não vai doer”

Mentir para o seu filho faz com que a relação de confiança entre vocês seja quebrada. Fale sempre a verdade. Além da dor da injeção, ele também vai ficar magoado por ter sido enganado.

“Você não aprende nada direito”

Crianças que tem uma referência negativa de si mesmas obviamente ficam com a autoestima prejudicada, explica Germana. E, como elas ainda possuem um mecanismo de defesa pouco desenvolvido, tudo o que um adulto disser terá um impacto enorme. Dizer que elas são burras, ou que nunca vão aprender matemática, por exemplo, pode fazer com que realmente acreditem que tem essas fraquezas.

"Se você não me obedecer, eu vou embora"

A criança tem de aprender a respeitar os pais pela autoridade - e não por medo de perdê-los ou, pior ainda, de serem maltratados. Ameaças e chantagens estão fora de cogitação.

Claro que, às vezes, os pais acabam falando coisas que não gostariam... Se isso acontecer, não se culpe. O jeito é recuperar a calma e conversar com a criança, explicando que agiu de forma errada.

Fonte: Crescer
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domingo, 8 de maio de 2011

Autora de best-sellers sobre bullying e psicopatia alerta que tristeza e mania são transformadas em doenças

A psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa tornou-se uma das autoras mais lidas no país ao penetrar no complexo mundo de pessoas frias e perversas e transformá-lo no livro "Mentes perigosas - o psicopata mora ao lado" (Ed. Fontanar), há dois anos na lista dos mais vendidos do país. No ano passado, um outro livro da autora rapidamente tornou-se assunto de debate: "Bullying - mentes perigosas na escola", também da Fontanar. Com a capacidade de transpor para a linguagem leiga assuntos antes restritos à psiquiatria, Ana Beatriz relança agora, pela mesma editora, um antigo trabalho, "Mentes e manias. TOC: Transtorno Obsessivo-Compulsivo". Consultora de novelas da TV Globo em temas como esquizofrenia e psicopatia, a especialista acredita que a popularização dos conceitos é diretamente responsável pelo aumento do diagnóstico, pela procura por tratamento e também pela redução do preconceito. Nesta entrevista, ela fala sobre os diferentes transtornos comportamentais e garante que a busca por um cérebro perfeito é inglória. "A imperfeição é a nossa única certeza."

O GLOBO: Os diagnósticos de transtornos de alteração de comportamento são cada vez mais frequentes. A cada dia, mais e mais pessoas conhecidas vêm a público revelar algum problema. Quase todo mundo toma ou já tomou algum tipo de antidepressivo. Estamos diagnosticando melhor ou criando doenças para vender mais remédio?

ANA BEATRIZ BARBOSA:
Depende. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é o transtorno mais grave de ansiedade que uma pessoa pode ter de forma permanente. Nos anos 70 e 80, achava-se que apenas 0,2% da população tinha TOC. Mas o que se viu, inicialmente nos EUA, depois do filme "Melhor impossível", em que Jack Nicholson ganhou um Oscar ao interpretar um sujeito com o transtorno, foi a difusão da ideia. As pessoas que sofrem desse transtorno têm consciência de que as coisas que fazem (os pensamentos negativos, os rituais de neutralização) são tão fora de lógica que tendem a omitir de todos. E têm a sensação de que são os únicos a terem aquilo. Com o filme, se viu que não era assim. No Brasil, foi quando Luciana Vendramini, em 2003, e Roberto Carlos, em 2004, vieram a público falar do problema. Então, sim, no caso do TOC, hoje há um maior número de diagnósticos, mas não está se criando nada. Isso ocorre porque há mais informação disponível sobre o transtorno.

"As pessoas que sofrem de TOC têm consciência de que as coisas que fazem são tão fora de lógica que tendem a omitir de todos ".

O GLOBO: E outros transtornos?

ANA BEATRIZ:
Em outras doenças, sim, acho que há um excesso de diagnóstico. É o caso, por exemplo, do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). É incrível a quantidade de pessoas que chega ao meu consultório dizendo que tem TDAH quando, na verdade, não tem. Falta conhecimento e acaba havendo confusão com outros problemas, como o autismo, por exemplo. No caso da depressão também há um excesso de diagnóstico. A "deprê" está virando depressão.

O GLOBO: Hoje, todo mundo que se separa toma antidepressivo. Dá para encarar o fim de um casamento sem remédio?

ANA BEATRIZ:
Pessoas que terminam um casamento não estão necessariamente sofrendo de depressão. Depois de dez, 20 anos, vivendo com alguém, a separação traz uma mudança significativa de vida. E isso leva um tempo para acontecer, é natural que a pessoa fique triste. Me surpreenderia se estivesse feliz. O sofrimento é normal e necessário ao nosso amadurecimento e o cérebro sabe lidar com isso. Agora, se a pessoa está há três meses sem sair de casa, por exemplo, se há histórico de suicídio na família, aí temos mesmo que interferir.

O GLOBO: E os grandes traumas, como o massacre da escola em Realengo ou o 11 de Setembro?

ANA BEATRIZ:
O nosso cérebro não está preparado para ver certas coisas. Ele precisa de um período de luto, um mês pelo menos, em que não se deve mexer com ele. Deve-se deixar a pessoa reagir da forma que for, se calar, falar, não se pode forçar. Qualquer reação é normal: choro, frieza. A partir do segundo mês, quando acaba a fase de luto, o tempo vai nos mostrar quem vai adoecer em função daquilo e quem não vai. Tem muito a ver com a personalidade de cada pessoa.

O GLOBO: Esse tempo de um mês é o tempo da tristeza normal?

ANA BEATRIZ:
O cérebro tem seus mecanismos de defesa para esses traumas muito violentos. Ele libera uma série de substâncias para anestesiar mesmo. E isso tem essa duração média. Se você interfere antes, aumenta a probabilidade de as pessoas adoecerem, se deprimirem, porque você está mexendo numa situação que o cérebro quer esquecer. Para o cérebro não tem ficção e realidade. Quando se fala, ele revive tudo novamente, revê a imagem milhões de vezes, levando a uma exaustão emocional. É preciso dar um tempo.

O GLOBO: Então é falsa a ideia de que falar sobre um problema é sempre bom? Esquecer é bom?

ANA BEATRIZ:
Sim, principalmente para grandes tragédias. Não estou dizendo que é para esconder problemas embaixo do tapete, mas numa grande tragédia é preciso deixar o cérebro se anestesiar por um tempo. A grande maioria das pessoas não vai adoecer. Agora, ao fim de um mês, dois meses, se persistirem reações diferentes, como insônia, pesadelos, medos que não existiam antes, aí sim, é o caso de investigar se a pessoa está com alguma doença.

O GLOBO: Existe um cérebro perfeito? É possível almejar isso?

ANA BEATRIZ:
Jamais. A anormalidade é a única certeza, a imperfeição humana é uma certeza. O cérebro perfeito seria bom em todas as áreas, funcionando com energia máxima para matemática, comunicação, desenho, arte, música, isso não existe. Cada cérebro tem potencialidades maiores, que se transformam em talentos específicos, e deficiências em função desses supertalentos. Há autistas, por exemplo, que desenham muito bem, mas quando começam a se socializar, que é o nosso objetivo sempre, esse dom é quase apagado. A perfeição não existe.

O GLOBO: Todo gênio tem um certo grau de obsessão? Não é preciso ser um pouco obsessivo para ser muito bom em algo? Ou a relação entre genialidade e loucura é apenas um clichê romântico?

ANA BEATRIZ:
No mínimo, elas têm traços obsessivos para conseguir fazer algo com tamanho empenho. Claro que, no caso de pessoas com um talento extraordinário para alguma coisa, toda a energia que está focada num ponto está deixando de ir para outro. Mas se não houver isolamento social, em prejuízo para a vida afetiva, causando sofrimento, não tem problema. O que caracteriza o adoecimento são os pensamentos negativos e intrusivos e os rituais que trazem prejuízos reais, no trabalho, na vida familiar.

"A anormalidade é a única certeza, a imperfeição humana é uma certeza ".

O GLOBO: Então o problema é mais na frequência e no fato de interferir ou não em outras áreas?

ANA BEATRIZ:
A diferença da normalidade para a anormalidade, para o transtorno mental, é quantitativa, não qualitativa. A base funcional do cérebro é comum a todo mundo. O adoecimento está no exagero ou na ausência. Todos temos o que chamamos leigamente de manias, mas se elas não atrapalham nossa rotina, nossa vida, ok.

O GLOBO: Qual a diferença entre mania e superstição?

ANA BEATRIZ:
As pequenas manias do dia a dia, os hábitos, todo mundo tem, a questão é o tempo que isso toma e o prejuízo que traz. Agora, mania, na psiquiatria, é a compulsão do TOC para controlar os efeitos dos pensamentos negativos, rituais de associação ilógica. Superstição não tem nada a ver com isso. É uma crença culturalmente aceita. Por exemplo, a pessoa passa debaixo de uma escada sem querer, comenta sobre isso, mas logo depois esquece. Se ela tiver TOC, isso vai durar uma semana, um mês.

O GLOBO: Religiões são cheias de rituais não necessariamente lógicos para que algo de bom aconteça ou algo de ruim não ocorra. É como um TOC culturalmente aceito?

ANA BEATRIZ:
As religiões são cheias de rituais e a grande maioria das pessoas não os leva ao pé da letra. Mas o fanatismo dentro da religião já é um indício de grande adoecimento. É vinculado ao sofrimento. Seguir todos aqueles rituais por pavor, desespero, necessidade de controle.

O GLOBO: Todos os dias, recebemos uma quantidade enorme de informações, provenientes de livros, TV, cinema, jornais, computador. Qual o efeito disso no cérebro? Diz-se que a capacidade do cérebro é infinita. É verdade?

ANA BEATRIZ:
Já se começa a estudar a síndrome do excesso de informação. O cérebro tem uma capacidade expansiva maravilhosa, mas se isso é feito de forma intensa e massacrante, e em alta velocidade, leva à exaustão mental.

O GLOBO: Por que é mais difícil aceitar os problemas físicos do que os mentais? Sabe-se que 4% da população sofrem de TOC, uma prevalência tão alta quanto a da diabetes.

ANA BEATRIZ:
As pessoas não têm essa noção de que a diferença entre a normalidade e a anormalidade é quantitativa, que quando se entende isso, é possível entender qualquer um. As pessoas têm preconceito porque têm tanta aversão a enlouquecer, a perder o controle de si mesmas, de suas ações, que preferem ter um câncer a ter um filho com problema mental. Elas não entendem que o cérebro é um órgão como outro qualquer, que precisa ser cuidado.

O GLOBO: Recentemente a atriz Catherine Zeta-Jones veio a público dizer que sofre de Transtorno Bipolar. Essa também é uma doença pouco conhecida?

ANA BEATRIZ:
Tenho minhas dúvidas se ela é bipolar. Os bipolares alternam períodos relativamente longos de depressão profunda e grande euforia. Eu acho que ela tem um outro problema, que costuma ser confundido com a bipolaridade, que é o transtorno de personalidade borderline (ou limítrofe). São pessoas que apresentam grande instabilidade emocional, que tendem a ser muito dependentes de quem amam, não toleram rejeição. Afeta principalmente mulheres, que podem ser do tipo de quebrar tudo em casa, serem muito ciumentas. Histórias como as de Elizabeth Taylor, por exemplo, são clássicas. Elas passam rapidamente de um estado ao outro, diferente do bipolar. É um transtorno pouco conhecido, no Brasil esse diagnóstico praticamente não é feito. Será tema do meu novo livro.

O GLOBO: Há mais loucos hoje no mundo? O bullying é mais recorrente? Ou é a mídia que divulga mais as histórias?

ANA BEATRIZ:
O que a gente vê é que, com a globalização, os comportamentos estão mais orquestrados e padronizados. O bullying sempre existiu, claro, mas não era tão massificado. Hoje, as crianças do mundo inteiro têm um mesmo padrão de comportamento a ser seguido. E as que fogem a ele são mais violentamente atacadas. E há um submundo na internet que dá muito medo. Comunidades do tipo "toda mulher gosta de ser estuprada" e "morte aos gays", que tem 40 mil seguidores. Veja, isso dá um respaldo incrível para um cara que está sozinho. A globalização deu força a pessoas que antes tinham preconceitos, maldades e perversões sem eco algum. Agora, elas têm eco, se organizam. O rapaz de Realengo era esquizofrênico. Há 20 anos, ele viveria isolado, e o mais provável é que terminasse se matando. Mas aí ele imita uma coisa de fora. É uma loucura fomentada por gente cruel.


Fonte: O Globo
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