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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

300 mil exemplares da Bíblia entrarão no Irã secretamente

300 mil exemplares da Bíblia numa nova tradução para farsi entrarão secretamente no Irã. Isso foi anunciado pelos editores da nova edição da Bíblia na apresentação do livro em Londres, informa The Times.

Planeia-se que 300 mil exemplares do livro entrarão no Irã durante três anos.

O clero muçulmano iraniano manifesta-se contra a difusão da Bíblia e persegue quem faz isso. O transporte para o país de algumas cópias da Bíblia pode levar à prisão.

Ao mesmo tempo, os grupos missionários cristãos que trabalham no país declaram que a comunidade cristã no Irã é a que mais cresce no mundo. Segundo dados dos missionários, atualmente, ela conta com cerca de 400 mil pessoas e aumenta 20% ao ano.




Fonte: Voz da Rússia
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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

'Converta-se ou morra', diz ultimato de extremistas islâmicos a milhares de cristãos no Iraque

Muitos cristãos estão sendo ameaçados e obrigados a fugir, ao norte do Iraque

Milhares de cristãos do norte do Iraque, incluindo comunidades que viveram por quase 2 mil anos na região, estão fugindo após o ultimato do grupo militante EIIL (Estado Islâmico do Iraque e do Levante) na semana passada: “Se converta ao Islã, pague o imposto, ou seja morto por sua fé”.

"Em minha opinião esta é uma situação muito grave. Nenhum líder ocidental está se movendo para impedir uma tragédia, mas eles oferecem apenas palavras vazias e nenhuma ação", afirmou Dr. Munir S. Kakish, Presidente do Conselho de Igrejas Evangélicas locais da Terra Santa, ao The Christian Post em um e-mail no último domingo (29). "EIIL deve ser interrompido antes que eles erradiquem os cristãos de outras áreas".

A edição online do jornal The Independent observou que o grupo EIIL, que assumiu o controle da cidade de Mosul e grande parte da região ao redor, deu aos cristãos até o meio-dia do último sábado (28) para cumprir o ultimato. Os militantes têm declarado o estabelecimento de um "Estado Islâmico" no território do Iraque e da Síria, onde também tem atuado.

"Oferecemos-lhes três opções: o Islã; o contrato conhecido como “dhimma”, que permite o direito de residência desde que ocorra o pagamento da jizya, taxa cobrada aos não-muçulmanos; e, se eles se recusarem isso eles não vão ter nada, além da espada", relata a declaração do ISIS lida nas mesquitas de Mosul, conforme relato da BBC News.

Um número de líderes cristãos e grupos de vigilância de perseguição fizeram várias convocações à comunidade internacional para fazer todo o possível para ajudar a proteger os cristãos do Iraque. Muitos já estariam fugindo para a região autônoma do Curdistão, que em sua maior parte conseguiu proteger suas fronteiras e escapar de ataques dos militantes.

"As famílias cristãs estão a caminho para Dohuk e Erbil”, disse o Patriarca Louis Sako à agência de notícias AFP.

"Pela primeira vez na história do Iraque, Mosul está agora sem cristãos", disse ele.

O patriarca acrescentou que os islâmicos têm sido vistos marcando casas de cristãos com a letra "N" para "Nassarah", um termo usado para os cristãos no Alcorão.

Louis Sako estima que mais de 60 mil cristãos viviam em Mosul, antes de 2003 e das operações lideradas pelos Estados Unidos contra o ditador Saddam Hussein. Em junho de 2014, esse número caiu para 35 mil, enquanto outros 10 mil fugiram após os ataques iniciais do ISIS.

Igrejas em Mosul tem sido atacadas e saqueadas, disse o arcebispo caldeu Nona ao Human Rights Watch.

"Cada carro levava três homens armados, a maioria deles com máscaras. Eles arrombaram as portas e pegaram pequenas estátuas de dentro da propriedade, levaram para fora e as quebraram. Eles assumiram o controle das instalações e colocaram suas bandeiras negras no telhado e na entrada", disse Nona sobre um ataque à sua arquidiocese.

Eles disseram aos “vizinhos” que “esta é a nossa propriedade agora, não a toquem”.

O Iraque poderá em breve ser dividido em três regiões distintas como uma resposta aos ataques do EIIL, previu um funcionário do governo curdo recentemente.

"Bagdá parece estar nos levando para aquela direção, e estamos mais perto do que nunca", observou Karim Sanjari, ministro do Interior para a região curda, de acordo com grupo de auxílio cristão “World Compassion Terry Law Ministries”.

Jason Law, vice-presidente de Operações da World Compassion, disse ao CP que a possibilidade do Iraque ser dividido em estados xiitas, sunitas e curdos estados é bastante real.

"Em minha opinião, acho que é a única solução. Entre as pessoas com quem tenho falado, parece ser um tipo de consenso. Todo mundo acredita que esta é a única solução", continuou Law.

"Eu acho que essa é a resposta, e eu acho que nós estamos vendo essas linhas sendo traçadas agora. É lamentável que estejam usando guerra para fazer isso, mas eu acredito que essa é a solução".





Fonte: The Christian Post
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Cresce número de pessoas sem religião, dizem especialistas do Rio Grande do Sul

Para antropólogo, crença no sagrado existe e não precisa de mediadores.
Grupo já soma 5% da população do estado e 8% da brasileira.

Cada vez mais cresce no país o número de pessoas que se consideram “sem religião”. Sem uma ligação religiosa com qualquer crença tradicional, elas se dizem mais felizes. No Rio Grande do Sul, esse grupo soma 5% da população, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Não ter uma religião não significa a perda da fé. De acordo com o antropólogo Rodrigo Toniol, a crença no sagrado existe, mas não precisa de mediadores. Ela está dentro de cada um na forma de energia e espiritualidade.

“Quem se declara como sem religião é, sobretudo, jovem, com idade média de 26 anos. Eles não rejeitam valores religiosos, mas sim a institucionalidade ou até mesmo a mediação de sacerdotes o de uma igreja, por exemplo”, diz o estudioso.

Toniol, que faz parte do Núcleo de Estudos de Religião da UFRGS, diz que o fenômeno dos “sem religião” ganhou força nos últimos anos: o grupo aumentou 70% em duas décadas e hoje representa 8% da população brasileira, de acordo com o censo do IBGE.

“Há 8% de declarantes sem religião, o que significa que se eles fossem considerados como uma religião, seria a terceira maior do país, perdendo apenas para católicos e evangélicos. Espiritualidade e energia são duas palavras-chaves para entender este fenômeno”, explica o antropólogo.

O professor de educação física Tiago Frosi é um admirador da filosofia oriental e garante que encontra a energia na meditação. “É como se fosse essa ideia de que somos parte da natureza do universo, mas não apegado a à ideia de um Deus fora de nós, o qual temos que adorar. Acho que esta divindade, este sagrado, é parte de nós mesmos e de tudo o que está à nossa volta”, diz.

Frosi diz ainda que atualmente se sente mais feliz e mais conectado com os outros do que quando estava inserido em uma religião organizada.

O professor de artes marciais Rodrigo Leitão também buscou apoio em muitas religiões, e procurou tirar de cada uma aquilo que acreditava. “Eu acredito em tudo um pouco e ao mesmo tempo em nada disso, mas não sou sem fé. Eu tenho muita fé na física, por exemplo”, conclui.



Fonte: G1
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O que fazer se seu filho escolher uma religião diferente da sua?

Seu filho segue uma doutrina diferente de sua família? Antes de questioná-lo, procure entender o que o levou a fazer esta escolha

"Desde que se envolveu com um grupo religioso, minha filha de 14 anos só fala da nova doutrina e se isolou dos antigos amigos. Seu comportamento já beira o fanatismo. Devo proibir?" (pergunta enviada por leitora)

Ligar-se a uma fé diferente da praticada pela família ou envolver-se com uma religião quando ninguém na casa é religioso pode ser um jeito de provar a individualidade. Na tentativa de se diferenciar dos pais, o jovem elege grupos e ídolos cujas condutas e regras lhe parecem mais condizentes com sua visão de mundo.

O medo dos pais é de que o filho se submeta cegamente às imposições desses grupos - sejam religiosos, políticos ou de outra natureza -, abrindo mão de valores da família. E o risco existe. Ao escolher igreja, partido ou tribo, meninos e meninas agem como se tudo ali fosse maravilhoso, afastando-se de outros convívios e experiências. A falta de senso crítico e o isolamento os deixam vulneráveis e é preciso cuidado com o fanatismo e a subserviência. Fique alerta com grupos que utilizam seus adeptos para fazer proselitismo ou como mão de obra gratuita em atividades de arrecadação de fundos. Antes de tomar qualquer iniciativa, porém, pondere se não há intolerância de sua parte. A maioria das religiões professa valores universais, que compõem uma ética maior. Não é a religião que torna as pessoas melhores nem piores. Mas há problemas quando a liberdade de escolha e a consciência ficam prejudicadas por dogmas e preconceitos.

Mesmo assim, bater de frente com o adolescente é batalha perdida. O poder de mando que havia na infância deve ser substituído pela autoridade baseada no respeito. Embora busque a individualidade, seu filho espera apoio e aprovação. Aproveite essa base de confiança e afeto para exercer ascendência positiva.

O primeiro passo é escutar sua filha e deixar claro seu respeito à decisão dela. Valorize o que existe de positivo na ideologia escolhida sem deixar de apontar, no entanto, onde a prática não combina com a pregação. Destaque pontos negativos, como a falta de oportunidade para conviver com outros grupos, e, se houver, a intolerância diante de quem tem outra fé.

Fique atenta ainda a alguns sinais que sutilmente indicam que o adolescente quer limite e proteção. Um caso típico é o do jovem com dificuldade para dizer não e que repete várias vezes para os pais que "vai à igreja a tal hora". A repetição sinaliza um pedido de contestação. Diga que ele não vai porque você sabe que não é bom. Uma alternativa é ir junto para conhecer melhor. Caso confirme que se trata de seita intolerante, com ideias que confrontam princípios da sua família, não hesite em proibir. Preservar o tom afetivo não significa permitir tudo. O importante é fundamentar seus argumentos e manter o clima de respeito.




Fonte: Miguel Perosa, psicólogo especializado em adolescência na M de Mulher
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Estudo mostra que ciência e religião andam de mãos dadas nos EUA

Ciência e religião podem se misturar facilmente nos Estados Unidos, um país relativamente religioso, revelou uma pesquisa divulgada no domingo. O estudo da Universidade de Rice, no Texas, foi feito com mais de 10 mil americanos, inclusive cientistas e evangélicos.

"Nós descobrimos que quase 50% dos (cristãos) evangélicos acreditam que ciência e religião podem trabalhar juntas e apoiam uma à outra", afirmou a socióloga Elaine Howard Ecklund.

Ecklund apresentou os resultados no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), em Chicago. Apesar de amplamente diverso, os Estados Unidos têm maioria cristã. "Isto contrasta com o fato de que apenas 38% dos americanos sentem que ciência e religião podem trabalhar juntas", explicou Ecklund.

A consulta revelou que 27% dos americanos acreditam que ciência e religião estão em desacordo e que entre aqueles que se sentem dessa forma, 52% se posicionam do lado da religião. O estudo da Universidade de Rice demonstrou que os cientistas e a maioria da população são ativos similarmente em suas vidas religiosas.

A pesquisa demonstrou que 18% dos cientistas assistiram a cultos religiosos semanais, em comparação com 20% da população em geral. A consulta também demonstrou que 15% dos cientistas se consideram muito religiosos contra 19% da população em geral.

Enquanto isso, 13,5% dos cientistas leem textos religiosos semanais, em comparação com 17% da população americana. Dezenove por cento rezam várias vezes ao dia contra 26% da população como um todo. Além disso, quase 36% dos cientistas afirmaram não ter dúvidas sobre a existência de Deus. "A maioria do que vemos nos noticiários é de histórias sobre estes dois grupos divergentes sobre questões controversas, como o ensino do criacionismo nas escolas", disse Ecklund.

Portanto, "esta é uma mensagem esperançosa para os desenvolvedores de políticas e educadores porque os dois grupos não têm que abordar a religião com uma atitude de combate", prosseguiu Ecklund. "Ao invés disso, deveriam abordar o tema tendo a colaboração em mente", concluiu.



Fonte: AFP
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Pela fé, eles recolhem lixo pela cidade e oferecem orações. Que religião é essa?

Em uma manhã de quinta-feira na praça Ary Coelho, um grupo se destaca por recolher o lixo que deixa o lugar com aspecto de abandono. Com luvas de plástico e disposição aparente, 4 pessoas vão retirando o que foi jogado no chão e colocando em sacolas.

Enquanto o serviço de limpeza é feito por uns, outro homem sai pelo lugar oferecendo orações. “Posso oferecer uma oração para a senhora?”, diz o rapaz de quimono preto. A mulher aceita, ele se ajoelha e com as mãos vai fazendo movimentos enquanto pede por ela a limpeza da alma.

Carlos Eduardo, de 34 anos, é um dos seguidores da igreja Tenrikyo, criada no Japão em 1838. Na praça, ele explica que a base do que acredita reúne “céu, razão e ensinamento”.

Pelas cidades por onde passam para divulgar a religião, os fiéis limpam pontos específicos, sujos, como uma forma de ajudar o próximo. “Quando limpamos, também estamos limpando o espírito”, diz.

Em Campo Grande, não há sede da igreja, que no Brasil só existe fisicamente em Bauru (SP). Ao chegar por aqui, a impressão não foi boa. “A praça é bastante suja”, comenta Carlos.

Fiéis recolhem lixo na praça de Campo Grande

O grupo está na cidade desde terça-feira e ontem se reuniu com grupo Alcoólicos Anônimos. Um dia depois, já tinha gente do AA ajudando na coleta de lixo.

Essa relação com a sujeira começa pelos ensinamentos de Oyassama, uma japonesa nascida em 1798, que seria a porta-voz de Deus na terra. A igreja acredita que “poeiras”, como a mentira e a avareza, provocam doenças físicas e da alma.

Os fiéis têm como objetivo em vida praticar o “Serviço Alegre’ e como merecimento terão o “alimento celeste”. “É ensinado que todos os seres humanos que tomarem este alimento terão a vida conservada sem doença, morte ou enfraquecimento até atingirem a idade de 115 desfrutando uma Vida Plena de Alegria”, reforça a Tenrikyo em sua página na internet.



Fonte: Campo Grande News
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Líderes religiosos vetam orações no enterro de muçulmanos 'beberrões'

Líderes religiosos muçulmanos do estado de Bihar (Índia) decretaram que orações em enterros de homens que consomem bebida alcoólica estão proibidas. 

"É uma decisão histórica não oferecer orações fúnebres para beberrões que morrem. Esperamos que essa seja uma forte mensagem para os muçulmanos que estejam pensando em consumir bebida alcoólica", disse Hafiz Maulana Mahtab Alam Makhdumi, de acordo com o "India Times". "As pessoas que bebem devem ser, primeiramente, boicotadas no convívio social. Mas, se ele não conseguirem pôr fim ao hábito, não rezaremos nos seus enterros", acrescentou.

O consumo de bebida alcoólica é vetado pelo Islã.



Fonte: Page not found
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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Missão reversa: A diáspora das igrejas brasileiras em Londres

"Já se pode falar em termos de uma missão reversa, uma vez que os brasileiros agora trazem para o Velho Mundo as religiões que há séculos os missionários levaram para a América", constata a geógrafa inglesa.

A transnacionalização dos credos brasileiros para Londres, capital da Inglaterra, deve ser compreendida dentro do contexto de globalização, observa a pesquisadora inglesa Olivia Sheringham, na entrevista que concedeu por telefone à IHU On-Line.

Hoje, estima-se que existam aproximadamente 90 igrejas protestantes, sobretudo pentecostais, em Londres. Some-se a esse universo oito igrejas católicas, nas quais as missas são rezadas em português. Já se pode, inclusive, falar em termos de uma missão reversa, uma vez que os brasileiros agora trazem para o Velho Mundo as religiões que há séculos os missionários levaram para a América.

Para a pesquisadora, mais do que um centro econômico, o Brasil deve ser pensado sob a perspectiva de ser um “centro de religião” do planeta. “O Brasil está espalhando suas religiões para diferentes partes do mundo no contexto dessa diáspora religiosa”, disse na conversa com a IHU On-Line. E completa: “A igreja católica atuante em Londres tem sua ênfase na identidade brasileira. Em torno dela gravita um pequeno Brasil. A igreja dá apoio social e espiritual, mas se trata de um apoio que cria um ambiente brasileiro, para as pessoas sentirem um pouco de sua identidade nacional em Londres”. Já a igreja protestante tenta inserir o imigrante dentro da cultura inglesa e não quer se considerar como igreja do “migrante”.

Olivia Sheringham é graduada em Línguas Modernas (Francês e Espanhol) pela Universidade de Cambridge e em Estudos Latino-Americanos pelo Instituto de Estudos das Américas, além de PhD em Geografia Humana pela Universidade Queen Mary, em Londres. É pesquisadora no Programa Diáspora da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Suas pesquisas incluem transnacionalização de credos, identidade e pertencimento com foco na imigração latino-americana, sobretudo brasileira. Em breve será publicado o livro de sua autoria Transnational Religious Spaces: Faith and the Brazilian Migration Experience (Basingstoke: Palgrave Macmillian). É autora do artigo Brazilian churches in London and transnationalism of the middle, publicado na obra The diaspora of Brazilian religions (Leiden: Brill, 2013).

Confira a entrevista.

HU On-Line - Quais são as principais igrejas brasileiras que se radicaram em Londres?

Olivia Sheringham – Estima-se que hoje existam cerca de 90 igrejas protestantes, sobretudo pentecostais, em Londres. Isso inclui a Igreja Universal do Reino de Deus, que tem 16 templos na capital britânica. Há, ainda, a Assembleia de Deus e igrejas evangélicas menores, como o Ministério de Luz para os Povos. Algumas dessas igrejas têm vínculos com as igrejas no Brasil.

Além das igrejas evangélicas, há oito igrejas católicas espalhadas em Londres que, juntas, formam a Capelania Católica Brasileira de Londres. Nesses locais são rezadas missas em português. A primeira missa rezada em português em Londres aconteceu em 1996.

Em 2004, seus adeptos conseguiram um passe mais permanente para estabelecer essa igreja. Há quatro padres brasileiros que foram enviados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil — CNBB para aí atuarem. O número de fiéis é de cerca de 3 mil pessoas.

Outra religião brasileira na capital é o espiritismo. Há uma Sociedade Espírita, fundada por brasileiros em 1998, e um terreiro de candomblé.

IHU On-Line - Qual foi o contexto histórico e social dessa transnacionalização de credos?

Olivia Sheringham - O contexto da globalização dos meios de comunicação influenciou a globalização da religião. Isso teve um impacto no movimento dos credos ao redor do mundo.

Falando especificamente sobre o Brasil, a diversidade religiosa desse país se espalhou pelo mundo em forma de uma diáspora. Há, assim, um “mercado” no qual é possível escolher a religião que se quer professar, e essa escolha pode ser mudada com o passar do tempo.

Minhas pesquisas abordam a questão da relação entre migração e religião e como a religião atravessa fronteiras. Esse fenômeno tem diversas características. A migração dos brasileiros para a Inglaterra aconteceu por causa de vários fatores, como das dificuldades econômicas enfrentadas pelo Brasil. As pessoas vinham para a Inglaterra para tentarem a vida.

Depois de 2001, ficou mais difícil de ir para os Estados Unidos, por isso houve um incremento na vinda à Europa. Como muitos brasileiros têm antepassados europeus em função da migração oriunda desse continente para o Brasil nos séculos XIX e XX, essas pessoas conseguem com mais facilidade passaporte europeu. A força da libra esterlina foi outro atrativo para os brasileiros rumarem a Londres como imigrantes. Some-se a isso que Londres teve um mercado informal de trabalho muito forte, sendo mais fácil para os brasileiros conseguirem emprego. Assim, chegaram os brasileiros na Inglaterra, formando uma diversidade religiosa.

Diáspora brasileira

Pode-se, também, falar em missão reversa, tomando em consideração a ida de inúmeros missionários para o Brasil no século passado e a recente volta dessas religiões para o Velho Mundo. Esse movimento traz a religião do Brasil para a Inglaterra. Trata-se de uma interessante missão reversa.

Agora se fala do surgimento do Brasil como centro econômico do mundo, mas também creio que esse país deva ser pensado como um centro da religião no planeta. O Brasil está espalhando suas religiões para diferentes partes do mundo no contexto dessa diáspora religiosa.

IHU On-Line - O que essas religiões brasileiras radicadas em Londres expressam sobre o pertencimento e a identidade de seus fiéis?

Olivia Sheringham - Esse foi um aspecto da minha pesquisa sobre a identidade brasileira e a religião. Também nesse caso as variações são inúmeras. Falo especificamente dos exemplos que estudei.

A igreja católica atuante em Londres tem sua ênfase na identidade brasileira. Em torno dela gravita um pequeno Brasil. A igreja dá apoio social e espiritual, mas se trata de um apoio que cria um ambiente brasileiro, para as pessoas sentirem um pouco de sua identidade nacional em Londres. A missa é rezada em português, sempre se fala no que acontece no Brasil, e as canções são entoadas em português. A comida servida depois da missa também é típica.

As festas católicas promovidas remetem, igualmente, ao Brasil, como é o caso das festas juninas, por exemplo. Certa vez fui a uma festa específica sobre o estado de Goiás. Então havia música, comida e bebidas brasileiras. A igreja católica tem o propósito de apoiar o imigrante para que ele se sinta mais em casa em Londres, e assim se insira na sociedade britânica com mais facilidade.

Cristo global

Por outro lado, a igreja evangélica onde trabalhei, em Londres, é parecida com outras igrejas evangélicas, que dão ênfase na universalidade do Reino de Deus, e não no Brasil especificamente.

Para essa religião, Cristo é mais global. Portanto, a ênfase é dada na integração, para que o imigrante aprenda inglês e que não fique sem os documentos oficiais. A partir dessa perspectiva, o imigrante deve entender que não está no Brasil, mas sim na Inglaterra. No centro espírita, a procura é por brasileiros de classe média, com ênfase também na integração à cultura inglesa.

IHU On-Line - Há uma interação entre a comunidade britânica e essas igrejas? Existe um diálogo inter-religioso?

Olivia Sheringham - A Aliança Pastoral, uma ligação entre igrejas protestantes da Inglaterra, é um meio de diálogo entre essas confissões com as igrejas brasileiras. Pensemos no fato de que muitas das igrejas evangélicas alugam e compartilham seus templos.

Na igreja evangélica em que fiz a minha pesquisa, convivem quatro igrejas evangélicas diferentes. O mesmo acontece com a igreja católica. São alugadas igrejas, que são compartilhadas com igrejas inglesas e de outras nacionalidades. Um padre católico me disse que há muitos ingleses que vêm às festas brasileiras — assim como a festa junina — organizadas pela Capelania Católica Brasileira. Portanto, eles procuram se comunicar com o público inglês.

IHU On-Line - Quais são as peculiaridades dessas religiões brasileiras em Londres em relação ao modelo que possuem no Brasil?

Olivia Sheringham - Como o papel da igreja muda em Londres? Em muitos aspectos. O papel da igreja em Londres é apoiar o imigrante, não apenas no contexto e vida espiritual, mas social.

Como essas pessoas podem viver em Londres? A igreja católica dá aulas de inglês, oferece conselhos sobre o contexto legal em Londres, como conseguir um visto, trabalho e outros aspectos. O papel da igreja é quase como centro social, além de religioso. Ao final de cada missa o padre anuncia se há trabalho disponível para brasileiros. Além disso, vários padres católicos falam que é preciso ter maior flexibilidade, pois muitos dos fiéis que procuram a igreja em Londres não eram católicos no Brasil. No Brasil, por exemplo, se espera que as pessoas que frequentem a igreja sejam casadas formalmente. Em Londres a situação é bem mais complicada e é preciso estar mais aberto às diferenças. Um migrante pode ir à igreja católica porque ali são oferecidas aulas de inglês, por exemplo.

Hoje há uma clareza por parte da igreja católica, que percebe que seu papel é proteger o imigrante, defendendo-o do Estado. Portanto, usa a própria história religiosa para justificar essa atitude de defesa, visto que Jesus Cristo foi um refugiado. Então, o mundo não deve ter essas fronteiras, e as religiões devem proteger o imigrante. Para os evangélicos, por outro lado, o imigrante deve ser legalizado, ter seu visto e ser integrado à sociedade britânica. Assim, não apoiam o migrante sem visto e aconselham os membros da igreja para que se regularizem.




Fonte: Márcia Junges no Instituto Humanistas Unisinos
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sábado, 19 de outubro de 2013

Livros escolares ensinam que 'matar cristãos é o caminho para o martírio' no Paquistão

Em um levantamento desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio (MEMRI), um relatório registrou a presença de livros nas escolas públicas do Paquistão que ensinam aos alunos que matar cristãos é o caminho para obter o martírio.

O relatório indica que muitos livros didáticos de ensino fundamental no Paquistão alimentam uma tendência islâmica com ênfase na promoção do ódio e da Jihad, filosofia de luta e empenho em prol da fé considerada perfeita, segundo os muçulmanos.

Outros registros apontam a presença de reinvindicações para que crianças de idade escolar sejam forçadas a se converter ao Islã, ampliando o quadro de perseguição contra outras religiões.

De acordo com o documento, o ódio contra minorias religiosas tem se fortalecido no país, situação que é confirmada por meios oficiais independentes, líderes do governo e estudiosos religiosos. A discriminação tem sido tão intensa que o termo "minoria" é utilizado de forma pejorativa.

O contexto atual no Paquistão inclui alegações de ataques regulares contra os paquistaneses que não são muçulmanos, assim como seitas islâmicas menores, como os grupos xiitas e Ahmadi, que a maioria não considera como muçulmanos reais.

E em relação ao cristianismo, Dom Joseph Coats, Arcebispo de Karachi e chefe do Conselho dos Bispos Paquistaneses, revelou que os cristãos do país estão sob constante pressão para se converter ao islamismo, e os principais casos podem ser observados justamente nas escolas com jovens, objeto de estudo do órgão MEMRI.

"O cotidiano das minorias religiosas no Paquistão são caracterizadas pela pobreza, injustiça e discriminação. Os não-muçulmanos são identificados como cidadãos de segunda classe nos manuais escolares. Professores pedem repetidamente aos alunos que escrevam textos intitulados 'escreva uma carta para seu amigo incentivando-o a se converter ao Islã'", relatou Dom Joseph Coats à agência italiana AKI.



Fonte: The Christian Post
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Religião pode ser fator de proteção contra o uso de álcool

Pesquisa nacional aponta que a religiosidade pode proteger universitários brasileiros em relação ao consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas

Estudo recente publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria e divulgado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes no País sobre o tema, analisou a relação entre religiosidade e uso de álcool e drogas entre universitários.

A pesquisa utilizou o banco de dados do I Levantamento Nacional sobre o uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras, realizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) em parceria com o Programa do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (GREA-FMUSP), com o objetivo de traçar o perfil dessa população frente ao consumo de álcool e outras drogas e sua implicação para a saúde.  

Por meio de um questionário estruturado e anônimo, 12.595 jovens responderam aproximadamente 100 perguntas sobre uso de substâncias, religiosidade, questões acadêmicas, informações sociodemográficos, entre outras.

O envolvimento religioso foi avaliado pela frequência com que o estudante reportou ir a cerimônias, serviços ou outros tipos de reuniões religiosas. Os alunos responderam à pergunta: "Você pratica sua religião?", podendo escolher uma das seguintes opções: (a) Não (b) Sim, apenas em eventos especiais, (c) Sim, mais de uma vez por mês. Aqueles que assinalaram a alternativa “c” foram classificados como “praticantes” (39%), enquanto os que reportaram as alternativas “a” ou “b” foram denominados “não praticantes” (61%).

Cerca de 85% dos estudantes relataram possuir alguma afiliação religiosa, sendo o catolicismo a mais frequente (50%), seguida pela evangélica/protestante (17,5%). 

Entre os fatores sociodemográficos analisados, nota-se que o envolvimento com a religião é mais comum entre universitários mais velhos, negros e mulatos, casados e do sexo feminino. Ainda, os praticantes parecem ser mais propensos a frequentar bibliotecas e, dentre as atividades realizadas fora da instituição de ensino, dedicam tempo para o trabalho voluntário. Já os não praticantes são mais propensos a faltar às aulas, geralmente utilizando esse tempo para ficar com os amigos ou namorado(a), ir ao cinema, clube, praia ou realizar outra atividade de lazer. 

Em relação ao uso de substâncias, 8% e 2% dos não praticantes relataram já ter feito uso de, respectivamente, álcool e de outras drogas quando faltavam às aulas, enquanto que essas taxas entre os que praticavam religião foram de 2% e 0,2%, respectivamente. 

No mês que antecedeu a entrevista, verificou-se que os não praticantes relataram, em comparação aos praticantes, maior consumo de bebidas alcoólicas (80% versus 54%), tabaco (32% versus 14%) e drogas ilícitas (76% versus 17%). Ademais, constatou-se que os que não praticam religião são mais propensos a fazer uso de álcool, tabaco, maconha e outras drogas que os que praticam (2,5, 2,8, 2 e 1,4 vezes mais chances de uso para cada uma das substâncias citadas, respectivamente).  

De maneira geral, o presente estudo demonstrou que os universitários que praticam a religião tendem a participar mais de atividades normativas (ir à biblioteca e realizar trabalho voluntário); já os não praticantes apresentaram comportamentos menos normativos e que podem, dependendo da circunstância, trazer riscos. Os autores esclarecem que possivelmente a religiosidade tem influência nos valores e comportamentos saudáveis dos indivíduos, protegendo-os de comportamentos que possam comprometer a saúde – incluindo o consumo de álcool e drogas – e, ainda, melhorar a qualidade de vida. Contudo, embora a religiosidade seja um fator protetor, o mecanismo pelo qual essa proteção se confere ainda é desconhecido. 

Os pesquisadores sugerem que a inserção de aspectos espirituais em programas de prevenção e no tratamento de problemas relacionados ao consumo de álcool e drogas pode ser útil para reduzir a prevalência do uso entre os universitários. Além disso, enfatizam que novos estudos são necessários para identificar e esclarecer os mecanismos pelos quais a religiosidade exerce essa influência protetora. 





Fonte: Revista Brasileira de Psiquiatria
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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sete pessoas morrem afogadas em ritual religioso na Índia

Segundo autoridades, 13 pessoas estão desaparecidas.
Festival hindu em honra ao deus Ganesh ocorre no rio Yamuna.

Ao menos sete pessoas morreram afogadas e outras 13 estão desaparecidas após a celebração de um festival hindu em honra ao deus Ganesh no rio Yamuna, em sua passagem por Nova Déli, informou uma fonte policial nesta quinta-feira (19) à Agência Efe.

As mortes foram registradas ontem em diferentes zonas de Dimarpur, no norte da capital indiana, explicou a subcomissária da polícia local Sindhu Pillay, que acrescentou que seis dos corpos resgatados já foram identificados.

Em entrevista à agência local "Ians", outra fonte policial elevou o número de mortes confirmadas para oito e disse que os serviços de resgate receberam várias chamadas de supostos afogamentos, fato que pode elevar ainda mais o número de vítimas.

Milhões de devotos se dirigiram ontem aos rios e praias de todo o país para submergir grandes imagens de Ganesh no último dia do festival religioso dedicado a esta santidade.
Durante o festival "Ganesh Chaturthi", que se estende ao longo de dez dias, o popular deus com cabeça de elefante se mostra presente em várias cerimônias religiosas, sendo que a última delas consiste em submergir uma estátua para que a santidade possa retornar a seu mundo.

Esta tradição, também praticada com outros deuses e chamada 'visarjan', causa inúmeras mortes a cada ano e também preocupa os ecologistas, que alerta sobre a poluição das águas causadas pelas oferendas lançadas pelos fiéis, principalmente em relação ao chumbo e outras substâncias.

No caso do rio Yamuna, um dos rios mais sagrados para os hindus, seu leito é composto basicamente de águas residuais de fábricas e dos esgotos procedentes dos grandes núcleos urbanos como Nova Déli, um fato que o transforma em um dos mais poluídos do mundo.



Fonte: EFE
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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Crise no Egito mostra que intolerância, religião e violência envenenam qualquer democracia

Organizações civis denunciaram violações dos direitos humanos cometidas pela polícia e o Exército egípcios

A história relata que muitos regimes autoritários viram seus dias contados ao enfrentar a fúria descontrolada do povo nas ruas. Também é verdade que movimentos religiosos, como, por exemplo, o protestantismo na Europa dos séculos 16 e 17, foram decisivos para o progresso das instituições políticas ocidentais. Mas não se engane facilmente com os exemplos pontuais do passado. Na realidade, os papéis da violência e da fé espiritual na formação e no desenvolvimento das democracias modernas deveriam ser marginais, quiçá imperceptíveis. Mas não é bem isso o que estamos vendo no mundo.

A crise política enfrentada atualmente pela sociedade egípcia não poderia ser mais emblemática para se compreender os perigos que representa a mistura entre intolerância, violência e religião numa democracia em vigor ou em construção - como é o caso do Egito. O que levou o país para o cenário atual de incerteza e insegurança está diretamente ligado às atitudes dos dois grupos que detêm em suas mãos a maior parcela de poder nacional. Tanto os militares quanto a Irmandade Muçulmana não souberam promover o diálogo e a permeabilidade necessários numa sociedade plural. Isto, como se vê, acarretou em uma descontrolada insatisfação e revolta civil.

Há poucos dias, a emissora CNN apresentou um programa em que uma ativista da Irmandade e um apoiador dos militares deveriam debater. Na ocasião, não houve qualquer conversa produtiva, mas o comportamento dos dois convidados foi revelador e pode ser entendido como uma caricatura dos sintomas mais problemáticos da política nacional do Egito. Por alguns minutos, os lados trocaram agressivas acusações. Por vezes, eles impediram grosseiramente a fala do adversário. E, claramente, ouviam somente as próprias vozes e ideias.

Diante da falta de educação (elegância) e disposição para cooperar adequadamente, a mediadora da emissora teve dificuldades para acalmar os ânimos dos debatedores e, sem que conseguisse esclarecer suas dúvidas, a jornalista acabou encerrando o quadro. É exatamente assim que agiram nos últimos meses os líderes do país árabe-africano: cada qual tentou se sobrepor arbitrariamente ao adversário.

Paralelamente, boa parte do povo ficou em segundo plano assistindo ao embate sem compreender ao certo o que estava acontecendo. Depois de tudo, a população agora corre o risco de perder muito dos avanços conquistados com a destruição da ditadura de Hosni Mubarak, que comandou o país entre 1981 e 2011.

Os dois principais atores hegemônicos do Egito (Forças Armadas e Irmandade Muçulmana) possuem razões de sobra para exigirem explicações dos rivais e defenderem seus últimos atos. De um lado, os militares acusam o partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade, de promover um governo de viés excessivamente religioso, centralizar os poderes nacionais, ignorar as demandas populares e, ainda, incitar a violência de seus ativistas contra a ordem pública.

Os islamitas, por sua vez, criticaram a legitimidade das novas ações autoritárias do Exército dentro do recém-implementado sistema democrático, a começar pelo golpe militar de 3 de julho, que derrubou o presidente eleito Mohamed Mursi. Além disso, eles lutam para não serem condenados à ilegalidade, e tentam ainda denunciar a agressividade indiscriminada da repressão policial contra seus simpatizantes nas ruas, na mídia e na Justiça.

Sem dúvida, estas e outras condutas similares são justificativas plausíveis para se colocar em questão todo o processo de abertura política e reforma social proposto inicialmente pelas forças dominantes do Egito. Mas a constatação destes e outros obstáculos para o avanço da democracia local não pode servir como pretexto para o endurecimento dos atritos. Pelo contrário, uma sociedade que busca a maturidade das instituições públicas precisa resolver suas divergências por meio da negociação, e não pelo “vida ou morte”. Em um contexto democrático, os atores devem flexibilizar suas posturas, além de mostrar disposição em ceder e adaptar-se momentaneamente a novas situações, em consideração ao interesse coletivo.  

Sem a Irmandade nas mesas de negociação, neste momento estratégico de reconstrução nacional, como indicam as últimas medidas dos militares, nenhuma decisão de interesse comum será verdadeiramente eficaz e plural. Paralelamente, os grupos religiosos precisam evitar a tentação de transformar o Estado em palanque de pregação e doutrinação. Também não devem apelar para os argumentos divinos/sobrenaturais para mobilizar e sensibilizar a opinião pública.



Fonte: R7
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Conheça o pastafarianismo e outras religiões curiosas

Lukas Novy não é o primeiro Pastafari a aparecer com uma peneira em sua licença: em 2011, um tribunal na Áustria concedeu a mesma permissão a Niko Alm

Quando um tribunal da República Tcheca deu permissão para que Lukas Novy usasse um escorredor de macarrão na cabeça nas fotografias de seus documentos oficiais, muitos perceberam ser ignorantes a respeito do motivo que ele alegava para a excentricidade: o culto conhecido como "pastafarianismo".

O culto, que recomenda o uso do escorredor ─ provavelmente em honra a seu deus, o Monstro de Espaguete Voador (Flying Spaghetti Monster, ou FSM, na sigla em inglês), uma espécie de bola gigante de espaguete com almôndegas ─, não costuma ser levado a sério pelos meios de comunicação.

Em seu site oficial, a Igreja do monstro diz que o "FSM é real, totalmente legítimo e respaldado por ciência pura".

"Qualquer coisa que pareça humor ou sátira é uma mera coincidência", afirma a página.
A nota de introdução explica ainda que "alguns pastafaris creem realmente no FSM", e faz uma ressalva: "a sátira é uma base honesta e legítima para a religião".

A Justiça tcheca parece concordar com a afirmação, já que determinou, na sexta-feira passada, que o uso do escorredor nas fotos de documentos "se ajusta às leis da República Tcheca no que corresponde ao uso permitido de acessórios na cabeça por razões médicas ou religiosas".

Mas os pastafaris não são os únicos, nem os últimos, a criarem para si um culto alternativo às religiões tradicionais, com maior ou menor grau de aceitação e credibilidade.

Conheça alguns deles:

Jedismo e outra inspiradas em filmes e TV

É uma religião baseada nas ideias da série Guerra nas Estrelas. Não há um fundador ou estrutura central, mas tem uma base relativamente grande de seguidores declarados - apareceu como a crença alternativa mais importante em censos de vários países europeus a partir de 2001.

No censo de 2001, 0,7% dos britânicos e 1,5% dos neozelandenses disseram seguir a "força", colocando o Jedismo em sexto lugar no censo desses países.

É claro que esses resultados foram precedidos por uma campanha liderada por jedistas, e acredita-se que muitos que professam a religião o fazem apenas para ofender o governo ou protestar contra a inclusão de uma questão religiosa no censo.

Existem várias "Igrejas do Jedismo" no mundo e sua base comum é o "código jedi". Alguns descrevem a crença como uma mistura de taoismo e budismo, enquanto outros dizem ser apenas um grupo de fãs radicais da história de ficção científica.

Uma outra religião inspirada em séries ou personagens de filme ou de televisão é o woodismo, em homenagem ao diretor de cinema Ed Woods.

Sociedade Etérea e outras ligadas a extraterrestres

O número de religiões e cultos ligados à existência de alienígenas ou à vida em outros planetas é relativamente alta.

Talvez a crença mais famosa seja a Cientologia, que fala de Xenu, um ditador da "Confederação Intergaláctica" que trouxe milhões de seres para a Terra e os exterminou. Alguns líderes da Cientologia dizem que a insistência em associar o culto à figura de Xenu é uma estratégia negativa de promoção da religião.

Mas há outros que não se importam de ser associados à crença de que existe vida em outros planetas. O Raelismo, por exemplo, criado pelos francês Claude Rael-Vorilhons – Rael, como é conhecido - tem sido comparado à Cientologia.

A Cientologia conta com um grupo grande de nomes famosos, como o ator Tom Cruise, para divulgar suas idéias

Rael afirma que os alienígenas o levaram para um outro planeta, onde entrou em contato com Jesus, Maomé e outras grandes figuras das religiões estabelecidas.

Segundo Rael, eles disseram que a humanidade foi criada em um laboratório 
extraterrestre há 25 mil anos atrás, que os alienígenas vão aparecer em Israel em 2025, e que ele deve transmitir uma mensagem de "meditação sensual" ao planeta.

A Cientologia também foi comparada à Sociedade Etérea. Seu criador é George King, um ex- taxista de Londres, entusiasta da ioga, que afirma que Jesus, Krishna e Buda eram extraterrestres.

King diz também que foi escolhido para ser a voz de um "parlamento interplanetário".

Happy Science (Ciência da Felicidade)

É definido como um movimento religioso, criado no Japão por Ryuho Okawa, e reconhecido oficialmente em 1991.

Okawa afirma ser a reencarnação de um supremo espiritual chamado El Cantare, suposto nome real de várias figuras-chave nas crenças cristãs, muçulmanas, budistas e confucionistas. Okawa diz também estar em conexão direta com os guardiões religiosos de grandes figuras políticas com quem detém entrevistas, que em seguida são publicadas.
Uma das mais recentes foi uma conversa que ele disse ter tido com a ex-primiê britânica, Margaret Thatcher, apenas 19 horas após sua morte.

A igreja entrou na arena política com a criação de um partido "para a realização da felicidade", mas aparentemente ainda não se afirmou nesse campo.

Mas enquanto a Igreja da Ciência da Felicidade espera aumentar a população do Japão - em parte para impedir uma invasão da Coreia do Norte - a Igreja da Eutanásia, criada pelo reverendo Chris Korda, nos Estados Unidos, quer destacar o insustentável crescimento da população global.

De acordo com seu site, que inclui um contador da população, o seu lema é "não procrearás" e seus quatro pilares são o suicídio, aborto, canibalismo e sodomia ("qualquer ato sexual não destinado à procriação"). Supostamente é uma provocação para inflamar os ativistas que defendem a vida.

O Movimento do Príncipe Felipe

É o culto de uma tribo da Oceania ao príncipe Felipe, marido da Rainha Elizabeth da Inglaterra.

Príncipe Felipe é um deus da montanha

O povo indígena Yaohnanen, das ilhas Vanuatu, acredita que o príncipe Felipe é um ser divino, a encarnação de uma figura de pele branca, filha de um espírito da montanha, que se aventura no mar para se casar com uma mulher poderosa.

Bastou uma visita de Felipe às ilhas em 1974, para que a crença fosse confirmada. Assim nasceu uma religião.

Apateísmo

O apateísmo é definido mais como uma posição filosófica ou teológica, que difere do ateísmo, pois acredita-se que um deus possa existir, mas sua existência não é a questão central e mais importante.

Existem várias correntes proeminentes, incluindo aquelas sem uma motivação religiosa, que são completamente indiferentes, e que adotam uma abordagem mais científica, se aproveitando do argumento de que não há nenhuma evidência sobre a existência de um ou vários deuses.

O escritor americano Jonathan Rauch descreveu o apateísmo como "uma aversão à importância que alguém dá a sua própria religião, e uma aversão ainda maior à importância que se dá à religião dos outros".



Fonte: BBC Brasil
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Apresentadora tenta crucificar autor muçulmano que ousou escrever livro sobre Jesus Cristo — e transformou-o num bestseller

A Fox News, organização de mídia mais conservadora dos EUA, realizou uma entrevista que é, desde já, candidata a uma lista curta das mais estúpidas de todos os tempos.

A âncora Laura Green chamou para uma conversa o professor Reza Aslan, autor de um novo livro chamado Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth (Zelote: A Vida e a Época de Jesus de Nazaré).

Laura Green mandou ver de cara. “Você é muçulmano. Então, por que escrever um livro sobre o fundador do cristianismo?”

A pergunta, sem pé nem cabeça, merecia ser interrompida pelos comerciais ou pelo câmera. Mas Aslan se dignou a responder calmamente. “Bem, para ser claro, eu sou um estudioso das religiões, com quatro especializações, uma delas no Novo Testamento. Tenho fluência em grego bíblico e venho estudando as origens do cristianismo há duas décadas. Por acaso também sou muçulmano”.

Laura não entende nada e continua sua autoimolação intelectual. “Mas por que você estaria interessado no fundador do cristianismo?” Aslan, meio incrédulo, como se estivesse explicando como funciona um sapato a uma criança de 5 anos, diz que é o trabalho dele. “É o que eu faço da vida”, conta. “Eu sou um historiador, um PhD.”

Ela volta, citando críticas negativas ao livro. A inquisição prossegue: “Eu creio que você nunca revelou que é um muçulmano.” Ao que ele retorque afirmando que “a segunda página do meu livro diz que eu sou um muçulmano.” Ui.

Além do fato evidente de que você não precisa ser a mesma coisa que o assunto de que fala, por trás da burrice de Laura Green está um antiislamismo doentio que grassa no mundo, em geral, e nos Estados Unidos, em particular. Numa das resenhas no site da Amazon, um sujeito escreveu que a obra é “uma tática que o diabo usa desde o início dos tempos — atacar o maior homem que já viveu e ver as vendas subirem. JESUS CRISTO É DONO DO MUNDO”. Outro maluco: “Um terrorista falando de Cristo. Pfffui…”. E por aí vai.

O livro, por falar nisso, trata da vida mundana de Jesus, visto por Aslan como um revolucionário numa terra convoluta. Tem 336 páginas. Não é seu típico presente de amigo secreto. Mas a Fox acabou prestando um favor a Aslan. Depois que o vídeo da entrevista tornou-se viral, Zealot subiu nas listas de mais vendidos como um foguete. A editora, Random House, foi obrigada a imprimir mais 50 mil cópias para dar conta dos pedidos. O professor deve estar até agora agradecendo por ter participado de uma das conversas mais absurdas de sua vida.

Vídeo:



Fonte: Pragmatismo Político
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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Por religião, jogador recusa camisa de seu clube

O Newcastle, clube da primeira divisão inglesa, encara um impasse entre o respeito à religião de um de seus jogadores e o novo patrocínio do time. Isso porque seu atacante Papiss Cissé é muçulmano praticante e se recusa a divulgar o novo patrocinador do clube, a empresa de empréstimos de dinheiro Wonga. O atacante, da seleção de Senegal, afirmou “não estar preparado para promover uma empresa do ramo”.

Com o dilema, o jogador deixou a pré-temporada do clube, em Portugal. Dois outros atletas do Newcastle, também muçulmanos, Cheik Tioté e Moussa Sissoko, não apontaram nenhum problema em vestir a camisa do clube com o novo patrocinador. Papiss Cissé propôs atuar com uma camisa sem patrocínios ou substituindo a marca do patrocinador pela marca de alguma fundação de caridade. A cúpula do clube prontamente recusou, afinal, a Wonga pagará 8 milhões de libras (mais de 27 milhões de reais) à equipe inglesa pela exposição da marca nesta temporada.

O fato é que, embora a situação seja criada pelo atacante, o protagonista da história é o clube inglês. Porque está em suas mãos o impasse entre ética religiosa e obrigação contratual. Por contrato, claro, o jogador deve vestir a nova camisa. Mas precisa o Newcastle, tradicional clube inglês, desrespeitar as convicções religiosas de um de seus atletas?

O ideal nesse caso, para que todos saiam ganhando, é a negociação do jogador com algum clube. Já é sabido o interesse do Anzhi, clube da Rússia que está disposto a fazer uma oferta na casa das 10 milhões de libras (cerca de 34 milhões de reais) pelo atacante. Nesse caso, o clube consegue embolsar um bom valor pela rescisão, superior inclusive ao que foi pago pelo patrocínio da Wonga para todo o ano. O jogador manterá, feliz, suas convicções religiosas. O patrocinador? Bem, qual ação de marketing levaria o nome da Wonga mundo afora como a situação causada levou? Ainda que não da melhor forma esperada, a divulgação maciça da Wonga aconteceu.

Por enquanto, o atacante que é um dos destaques do time, segue treinando sozinho para aperfeiçoar a forma física, cuidando do corpo. Porque, ao negar o patrocinador atual de seu clube por questões religiosas, mostra que segundo suas convicções, seu cuidado com a alma está em dia.




Fonte: Exame
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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Série de explosões na Índia atinge templos budistas

Uma série de explosões atingiu três locais budistas no leste na Índia nesse domingo, ferindo duas pessoas. Quatro explosões ocorreram no templo Mahabodhi e outras quatro nas proximidades do templo Karma, informou o oficial de polícia S.K. Bhardwaj. Duas bombas que não foram detonadas também foram encontradas.

Bhardwaj disse que houve ainda a danificação de um portão de um templo em Bodhgaya, cidade a 130 quilômetros do sul de Patna, a capital do Estado de Bihar. Nenhum outro dano foi reportado sobre os locais budistas.

Um tibetano e um peregrino de Mianmar tiveram ferimentos leves nas explosões ocorridas no templo Mahabodhi e foram levados ao hospital, informou Bhardwaj. Também em Mahabodhi as bombas atingiram um ônibus vazio de turistas. O templo é patrimônio mundial da Unesco e conhecido como o local onde Buddha alcançou a iluminação.

O primeiro-ministro Manmohan Singh condenou fortemente as explosões, dizendo que ataques a locais religiosos jamais serão tolerados.

Os templos budistas atraem um grande número de peregrinos, especialmente do Japão, Tailândia, Sri Lanka e Mianmar, mas o período de peregrinação começa em setembro.

O ministro do interior, R.P.N. Singh, disse que nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelos ataques e uma investigação está sendo instaurada para determinar os envolvidos no caso.



Fonte: Agência Estado
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domingo, 7 de julho de 2013

Filme é proibido no Paquistão por mostrar amor entre muçulmana e hindu

Um filme indiano foiu proibido no Paquistão por mostrar a história de amor entre uma jovem muçulmana e um hindu. O enredo de Raanjhanaa, produção de Bollywood, foi considerado "inapropriado e polêmico" pelos censores paquistaneses, segundo o "Express Tribune". 

Índia e Paquistão, que possuem armas nucleares, vivem tensão bélica desde a sua independência do Império Britânico, em meados do século passado. Além disso, há décadas rebeldes separatistas islâmicos, que seriam municiados pelo Paquistão, lutam para pôr fim ao domínio indiano na região da Cachemira.


Fonte: Page not found
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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Lei das Religiões é cópia e não discute Estado laico, critica CNBB

Segundo o autor do projeto de lei, pastor evangélico George Hilton, a Igreja Católica estava em vantagem perante as demais

Concebida para igualar os direitos obtidos pela Igreja Católica no tratado com o governo brasileiro, feito em 2008 e aprovado pelo Congresso em 2009, a Lei Geral das Religiões (PLC 160/09) foi classificada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) como uma cópia do acordo, que "dificilmente contemplará a realidade das outras religiões", além de não contribuir para o debate sobre o caráter laico do Estado brasileiro. Aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado hoje, o projeto - de autoria do pastor e deputado George Hilton (PRB-MG) - foi criticado também por outros grupos religiosos antes da votação.

"Ele é, na prática, um carbono do acordo Brasil-Santa Sé, que tem toda uma lógica e razão de ser muito dependentes da própria estrutura jurídica da Igreja Católica, que no seu aspecto político-institucional se apresenta como Estado soberano. A lógica da Lei Geral das Religiões dificilmente vai contemplar a realidade das outras religiões", afirmou o advogado da CNBB Hugo Sarubbi.

Segundo ele, que participou de audiências na Câmara dos Deputados antes da aprovação, o debate sobre o que significa Estado laico foi deixado de lado. "Essa discussão está sendo conduzida de uma maneira absolutamente deturpada, como se o fenômeno religioso fosse algo totalmente estranho ao cidadão, como numa espécie de julgamento. O projeto deixa uma lacuna grande nessa discussão", salientou.

Foram necessárias oito emendas para que o PLC fosse aprovado. O relator da matéria, senador Eduardo Suplicy (PT-SP), entende que, mesmo com as contrariedades, o objetivo é favorecer outras religiões. "Algumas se sentiram um tanto desoladas, mas eu acho que as emendas de alguma maneira atendem boa parte das observações feitas na audiência. Eu acho que, na forma como está, com o meu parecer, se respeita o acordo realizado com a Igreja Católica e se procura dar garantia de direitos às outras religiões", argumentou.

Pastor fala em tratamento igual

Há quase um mês, a comissão recebeu representantes de todas as religiões para discutir se o projeto cumpria a função de equiparar as condições para todos os credos. A proposta foi criticada pelos representantes que participaram do debate e alguns trechos, como o que definia o ensino religioso como parte integrante da formação básica do cidadão, foram retirados. De acordo com o autor da Lei Geral das Religiões, pastor evangélico George Hilton (PRB-MG), a Igreja Católica estava em vantagem perante as demais com o acordo de 2009.

"Quando o Brasil reconheceu o estatuto jurídico da Igreja, houve uma quebra da laicidade. O acordo colocou a Igreja numa situação de, digamos, privilégio em relação às outras. A minha lei, longe de querer tirar dos católicos o que eles conquistaram, pretende dar um tratamento isonômico, de equilíbrio", explicou.

As mudanças também incluíram a garantia de assistência religiosa de qualquer credo nas instituições das Forças Armadas Brasileiras e de forças auxiliares e o atendimento espiritual em estabelecimentos como hospitais e prisões, sem a limitação de que apenas fiéis tenham esse direito.

O projeto estabelece normas sobre várias situações do cotidiano dos brasileiros que envolvem a religião. Além da questão da educação, o texto aborda pontos sobre casamento e imunidade tributária das entidades religiosas. Ainda pelas alterações incluídas no texto original, fica definido que o patrimônio histórico e cultural de cada religião é parte do patrimônio do País e precisa ser cuidado pelas entidades representativas.

A aprovação do parecer foi unânime, mesmo com a observação feita pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Ele lembrou que os convidados da audiência apontaram que o texto não tinha como ser "salvo", mesmo com alterações. "Vou acompanhar o relator na certeza que o debate vai continuar nas outras comissões", disse ele.

Pelo trâmite normal, com a aprovação na CAS o projeto deveria seguir para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Mas, como a matéria foi retirada do plenário a partir de um acordo de líderes, para que fosse avaliada com mais detalhes, a proposta volta direto ao plenário do Senado.



Fonte: Terra com informações da Agência Brasil
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domingo, 16 de junho de 2013

Comissão do Senado aprova projeto da Lei Geral das Religiões

O relator da matéria, senador Eduardo Suplicy (PT-SP), defendeu equiparação dos direitos historicamente concedidos à Igreja Católica para as demais religiões constituídas no país 

Foram necessárias oito emendas para que o projeto da Lei Geral das Religiões (PLC 160/09) fosse aprovado hoje (12) na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. O relator da matéria, senador Eduardo Suplicy (PT-SP), defendeu o texto que garante que os mesmos direitos historicamente concedidos à Igreja Católica sejam estendidos às demais religiões constituídas no país.

Há quase um mês, a comissão recebeu representantes de todas as religiões para discutir se o projeto cumpria a função de equiparar as condições para todos os credos. A proposta foi criticada pelos representantes que participaram do debate. De acordo com Suplicy, o atual projeto levou em conta as críticas e procurou contemplar as objeções apresentadas.

“Procurei levar em conta as diversas objeções que os representantes das diversas religiões tinham em relação ao projeto e procurei observar os preceitos constitucionais e garantir os direitos para todas as religiões”, explicou Suplicy.

O senador retirou, por exemplo, o trecho do texto original que definia o ensino religioso como parte integrante da formação básica do cidadão. "O ensino religioso tem que ter matrícula facultativa e será uma disciplina dentro dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental", disse ele.

As mudanças também incluíram a garantia de assistência religiosa de qualquer credo nas instituições das Forças Armadas Brasileiras e de forças auxiliares e o atendimento espiritual em estabelecimentos como hospitais e prisões, sem a limitação de que apenas fiéis tenham esse direito. “Retirei a palavra 'fiéis' para que qualquer pessoa, mesmo sem crença, possa ter direito a essa assistência, se desejar”, completou.

O projeto estabelece normas sobre várias situações do cotidiano dos brasileiros que envolvem a religião. Além da questão da educação, o texto também aborda pontos sobre casamento e imunidade tributária das entidades religiosas.

Ainda pelas alterações incluídas no texto original, fica definido que o patrimônio histórico e cultural de cada religião é parte do patrimônio do país e precisa ser cuidado pelas entidades representativas.

A aprovação do parecer foi unânime, mesmo com a observação feita pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Ele lembrou que os convidados da audiência apontaram que o texto não tinha como ser “salvo”, mesmo com alterações. “Vou acompanhar o relator na certeza que o debate vai continuar nas outras comissões”, disse ele.

Pelo trâmite normal, com a aprovação na CAS o projeto deveria seguir para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Mas, como a matéria foi retirada do plenário a partir de um acordo de líderes, para que fosse avaliada com mais detalhes, a proposta volta direto ao plenário do Senado Federal.




Fonte: EBC
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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Jesus não reprovou ninguém em Religião

“Os bispos espanhóis podem se sentir orgulhosos pelo que conseguiram. O que chama a atenção é que, utilizando esse procedimento, que consiste em “rebaixar o Evangelho” a simples disciplina curricular, o que até agora se conseguiu foi uma juventude que, na uma quase totalidade, não quer saber nada de bispos, nem de Igreja, nem de religião, nem possivelmente de Deus”, escreve o teólogo espanhol José María Castillo em artigo publicado no seu blog Teologia sin Censura, 18-05-2013. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Os bispos espanhóis obtiveram um “êxito” apostólico (!?) que não é fácil interpretar e mais difícil ainda explicar. A disciplina de religião, no currículo escolar, será uma disciplina avaliada com nota, como se faz com qualquer outra disciplina, a matemática, por exemplo. Pobre Religião! A que ficou reduzido o Evangelho! Evidentemente, assim os bispos ficam tranquilos. E têm a segurança de que quem não aprende religião, será reprovado. Para ter que se ver com Deus e com sua consciência? Não. Com o professor, em setembro.

Os bispos espanhóis podem se sentir orgulhosos pelo que conseguiram. O que chama a atenção é que, utilizando esse procedimento, que consiste em “rebaixar o Evangelho” a simples disciplina curricular, o que até agora se conseguiu foi uma juventude que, na uma quase totalidade, não quer saber nada de bispos, nem de Igreja, nem de religião, nem possivelmente de Deus.

Pois bem, sendo assim as coisas, o notável é que, em vez de se perguntar se o que os professores ensinam é o que ensinava Jesus, o que ensinou a Igreja dos primórdios que evangelizou por todo o mundo, e isso deveria ser ensinado na disciplina que nosso ministro da Educação e Ciência vai impor como aprendizagem obrigatória.

Não se deram conta de que sua missão é, sobretudo, transmitir o Evangelho. Foi o que fez Jesus, segundo consta nos Evangelhos. E, de acordo com o que eles relatam, Jesus não reprovou ninguém, nem os pagãos, nem os samaritanos, nem os pecadores, nem os publicanos, nem as prostitutas. Porque Jesus viu que o Evangelho não se ensina reprovando os maus alunos, mas mediante a bondade com todos. Isso cabe em um currículo escolar? Não, evidentemente.

Falando com sinceridade, a impressão que se tem é que o que os bispos são incapazes de ensinar com sua vida exemplar e evangélica, o que os cristãos não transmitimos às novas gerações, se deve impor mediante ameaças de reprovação na escola. E assim ficamos tranquilos.

Não, por favor. Não nos enganemos. Nem enganemos as pessoas. Já sei que os bispos não fazem isso por desejo de enganar. O fato é que, se a coisa é pensada com calma, a gente se dá conta de que o problema não está nos bispos. O problema está na teologia que sustenta e fundamenta um procedimento que serve para degradar o Evangelho (e a Revelação de Deus) a uma disciplina a mais. Uma a mais. Nada mais, nada menos. Foi para isso que Deus se fez homem?

Os Evangelhos não deveriam ter sido escritos pelos evangelistas. Deveriam ter sido escritos por cientistas, historiadores, sociólogos... Então, possivelmente, a decisão dos bispos faria sentido. Sem desmerecer os cientistas, nem os historiadores, nem os sociólogos, nem ninguém...

O fato é que o Evangelho de Jesus é outra questão, que coloca outros problemas e se ensina mediante outros procedimentos. Mas isso é mais duro e mais exigente do que conseguir do Governo um decreto imposto por lei. Sobretudo, se é o próprio Governo, ou seja, todos os cidadãos, que paga os professores dessa bendita disciplina. Não é fácil incorrer em tantos despropósitos em uma só decisão.




Fonte: Instituto Humanistas Unisinos
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