
O único elemento que o incriminava era o depoimento de sua mulher, Vanderlúcia, que dizia que ele matou o empreiteiro Vanderlei Szczepanik, a mulher dele, Jaqueline (ambos de 43 anos), e do filho do casal, Christopher, 7.
De repente, Santos decidiu fazer um acordo com a promotoria e confessou que torturou, esquartejou e jogou os corpos das três vítimas, no rio Missouri, no dia 17 de dezembro de 2009.
Pelo acordo, o pedreiro não poderá ser condenado à morte. Como confessou o crime e delatou dois parceiros, ele poderá ser condenado a no máximo 20 anos de prisão, sendo que com a metade do tempo da pena tem o direito de ser posto em liberdade condicional. O novo julgamento está agendado para dezembro.
O triplo homicídio, conforme ele declarou ao tribunal anteontem, foi cometido juntamente com amigos que também trabalhavam como pedreiros na construtora de Szczepanik, em Omaha. Os coautores do crime, segundo a denúncia, foram José Carlos Coutinho, 37, e Elias Lourenço, 29. Todos se conheceram ainda crianças em Ipaba (MG). Os acusados negam os crimes.
Santos se declarou culpado depois que a mulher dele repetiu no tribunal a denúncia que já tinha feito à polícia, dizendo que cometeu o crime. Na ocasião, ela citou que têm dois filhos (de 6 e 7 anos) com Santos e que as crianças sentem muita falta do pai.
"Acho que ele [o réu] sentiu remorso e pensou na família", afirmou Tatiane Klein, 28, filha do primeiro casamento de Jaqueline.
Após a confissão, a polícia foi com Santos até o rio onde os corpos foram jogados e reiniciou as buscas. Até ontem, nenhum corpo havia sido encontrado. Peritos também retornaram ao imóvel onde ocorreram os assassinatos.

Segundo a denúncia de Santos, a família Szczepanik morreu por causa de um desentendimento financeiro. O mentor do crime foi seu amigo José Carlos Coutinho, que trabalhava com o empreiteiro havia quatro anos.
Coutinho convenceu Santos e Lourenço a matar a família para quitar dívidas que os dois tinham com ele contraídas assim que chegaram ao país. O dinheiro emprestado por Coutinho foi usado para pagar coiotes mexicanos que ajudaram a dupla a atravessar a fronteira americana ilegalmente em 2009.
O trio foi preso dois meses após o crime. A polícia chegou até eles após avaliar imagens do circuito interno de um supermercado que os flagrou fazendo compras com o cartão de Szczepanik.
Coutinho permanece preso em Omaha e a data de seu julgamento ainda não foi marcada. Lourenço foi deportado em abril deste ano porque a polícia dizia não ter provas para incriminá-lo.
OUTRO LADO
Familiares de dois dos três acusados de matar três brasileiros nos Estados Unidos negaram que eles tenham cometido o crime.
Mesmo diante da informação de que seu filho confessou o assassinato no tribunal americano, a dona de casa Maria Aparecida Gonçalves dos Santos, diz que o pedreiro Valdeir Gonçalves dos Santos, 31, é inocente.
"Tenho certeza que meu filho não matou ninguém. Ele deve ter confessado porque ficou com medo de ir para o corredor da morte", afirmou.
A dona de casa Cleonice Ferreira, irmã de José Carlos Coutinho, 37, acusado de ser o mentor do triplo homicídio, disse que a confissão de Santos aconteceu diante alguma ameaça.
"Meu irmão nunca mataria uma pessoa. Quanto mais três. Sei que ele é inocente", disse.
Procurado, o pedreiro Elias Lourenço, 29, que foi deportado para Ipaba em abril deste ano por ausência de provas, não foi localizado pela reportagem.
Fonte: Folha
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