
Estamos cercados pela falta de compaixão, pela indiferença, por um “evangelho” cada vez mais banal, supérfluo e fajuto e tudo o que esperam é que você se conforme como se o lixo pregado nos grandes púlpitos e a perversidade do coração de muitos fossem exatamente a essência do discurso de Cristo. Jesus em seu tempo censurou a perversa incredulidade de muitos e creio que hoje censuraria a perversa religiosidade de outros. Não quero criar polêmicas – apesar de crer que elas sejam inevitáveis nos últimos dias – mas cada um (dos tantos) escândalos recentes não estão nem perto de ser a raiz do problema, ao contrário, são apenas os “primeiros” frutos dele.
Nosso Senhor em sua pregação já nos advertia “é impossível que não venham os escândalos”(LC 17:1) e tenho por certo que a seu tempo todos os que tiverem sido infiéis em seu tão digno chamado à reconciliação e à condução dos rebanhos darão contas de cada uma de suas ações. O que pretendo com este texto não é rotular, julgar ou trazer mais escândalos sobre os que já estão expostos. Para que fique mais claro, quero que você inverta seu ponto de vista e, sabendo que o que temos visto são os frutos de uma árvore podre em seus fundamentos, que sincera e francamente avalie o quanto você tem se esforçado para que as coisas sejam diferentes.
O crime de estelionato é vulgarmente conhecido como “O Conto do Vigário” – as razões históricas para este nome não vem ao caso agora – porém, entre os policiais é comum o entendimento que um “vigarista” só consegue ser bem sucedido quando aplica seu golpe contra outro vigarista. Todo estelionato é baseado nisto, um aproveitador encontra alguém que “queira se dar bem” de um forma fácil e alimenta sua motivação sem que ele ao menos perceba que a vítima é ele mesmo. O que isto tem a ver com os escândalos? Simples, os vigaristas travestidos como líderes religiosos têm se multiplicado pregando um “evangelho” pútrido que via de regra é apresentado como um paraíso de facilidades e vantagens pois é esta a mensagem que muitos têm querido ouvir. Sua mensagem mais se assemelha a uma proposta de crediário de qualquer loja medíocre do que com a verdadeira palavra de Cristo, afiada como uma espada que invade e transforma nossas vidas para toda a Eternidade. Em seus púlpitos não há espaço para o arrependimento, para o confronto ao pecado ou para o chamado ao inconformismo pois os “vigaristas proféticos” encontraram multidões de “facilitadores da cruz” que preferem sempre o “jeitinho”, alimentando e sendo alimentandos pela cobiça, pela troca, pela constante negociação do chamado e das bênçãos (em tempo – esta palavra vem invariavelmente associada ao ter, quando deveria vir associada ao ser, ou é em vão que se declara – “sê tu uma bênção”).
Nossa cobiça, nossa vaidade, nosso orgulho e nossa sede pelo poder têm sido o corrosivo da igreja brasileira e ela está a ponto de desabar sobre nossas cabeças.
Preciso contudo afirmar que em meio a isto há sim um exército de crentes sinceros, quebrantados e fiéis – simples e inocentes como a Palavra nos instrui a ser – mas se continuarmos conformados, isolados e calados – nos rendenderemos à nossa própria condenação.
Fonte: Blog do Aldric
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