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sábado, 7 de junho de 2014

Alto consumo de álcool acelera em seis anos a perda de memória

Estudo realizado com pessoas de meia idade mostrou que houve declínio precoce de memória, dificuldade de executar tarefas e problemas na fluência verbal

Homens de meia idade que mantêm alto consumo de bebidas alcoólicas podem apresentar perda de memória antecipada em seis anos. Estudo realizado com um grupo de mais de sete mil pessoas, com média de idade de 56 anos, mostrou que aqueles que ingeriam mais de 36 gramas de álcool por dia - ou mais de duas latas e meia de cerveja, ou duas taças e meia de vinho, ou 100 ml de destilado - apresentaram antecipadamente perda de memória e problemas em outras funções cognitivas, como a execução de tarefas cotidianas e fluência verbal.

O estudo comparou os resultados de duas baterias de testes cognitivos realizados ao longo de dez anos. De acordo com Severine Sabia, pesquisadora do departamento de Saúde Pública da University College London e autora do estudo publicado no periódico científico Neurology, a comparação mostrou que houve “notável” declínio de todas as funções cognitivas em todos os grupos de alto consumo de álcool.

“Os mecanismos que associam o consumo de álcool e a perda de memória são complexos. A hipótese principal está no fato de o consumo abusivo de álcool estar ligado ao maior risco de doença vascular, que, por sua vez, pode aumentar o risco de comprometimento cognitivo. Além disso, o consumo excessivo de álcool tem efeitos no curto e longo prazo prejudiciais para o cérebro”, disse Severine Sabia.

A médica psiquiatra brasileira Camila Magalhães Silveira, da Unidade de Dependência Química do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, explica que além da relação cérebro-doença vascular, o álcool age diretamente no cérebro de duas formas. “Ele estimula neurotransmissores inibitórios da função cerebral, ocasionando uma diminuição da função cerebral. Fora isso, a ação direta do álcool na célula promove uma desidratação nas células, prejudicando neurônios de determinadas áreas do cérebro, como aqueles ligados à memória”, disse.

Camila, que não participou da pesquisa, afirma ainda que os resultados dos estudos realizados no Reino Unido não a surpreenderam. “Você nota isso no dia a dia. Geralmente essas pessoas se queixam de falta de memória. Cinquenta e seis anos é uma idade precoce para isto aparecer, mas não é o tipo de caso que não se encontre por aí”, disse.

O estudo também mostrou que não houve diferença no que se refere à memória e funções cognitivas entre o grupo de abstêmios e o de pessoas de consumo baixo ou moderado de álcool. “É sabido que o consumo baixo ou moderado pode ser benéfico para o coração, e o que é bom para o coração é bom para o cérebro. Porém, se aumentar a dose, o quadro muda”, disse Severine.

A pesquisadora afirma que ainda é preciso fazer mais estudos com mulheres para saber como o alcool atinge a memória delas. No estudo, no caso das mulheres, o  alto consumo de álcool (mais de 19 gramas de álcool por dia para elas) foi associado não à perda de memória mas ao declínio da execução de funções. “É preciso fazer mais estudos com mulheres. Acredito que este resultado pode estar relacionado ao baixo número de mulheres que consumem muito álcool, o que reduz a chance de encontrar uma associação”, disse. 




Fonte: IG
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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Estudo associa perda da fé à expansão da internet

A curitibana Wanda Karine Santana, de 33 anos, passou praticamente a vida inteira seguindo preceitos religiosos. Na infância, foi batizada na Igreja Católica e frequentou missas. Depois, participou de grupos jovens mórmons e integrou denominações evangélicas como a Igreja Pentecostal Deus é Amor, a Igreja Internacional da Graça de Deus e a Igreja do Evangelho Quadrangular. No ano passado, incentivada por um amigo, começou a participar de uma comunidade de ateus e agnósticos no Facebook. As discussões on-line levaram a estudante de Direito a repensar suas crenças e, de forma surpreendente, tornar-se ateia.

- Primeiro me tornei agnóstica, depois abracei o ateísmo. Nunca me senti tão livre. Sou capaz de assumir os meus atos, meu comportamento é determinado pelo que eu aprendi, não por imposição religiosa – conta Wanda, que compartilhou na rede social o seu depoimento. – A internet foi fundamental nesse processo. A rede estabeleceu um espaço para as pessoas discutirem livremente.

Para o pesquisador americano Allen Downey, ex-Google e professor da Olin College of Engineering de Massachusetts (EUA), casos como o da estudante se tornaram comuns. Em um polêmico estudo, ele vê ligação entre o avanço da web e a queda da adesão religiosa. Entre 1990 e 2010, o número de americanos sem religião aumentou de 8% para 18%, enquanto o uso de internet avançou de quase zero para 80%. O pesquisador ressalta que se trata de uma correlação estatística, sem relação causal. Entretanto, sustenta, fornece evidências em favor da causalidade.

Por outro lado, adeptos e estudiosos de religião criticam esse raciocínio. Eles veem a internet muito mais como uma aliada da catequese do que uma adversária. Citam, entre outros exemplos, o estreitamento entre líderes religiosos e fieis graças às redes sociais, aplicativos que facilitam a propagação de doutrinas e até mesmo o alcance midiático do Papa Francisco, que já reúne 13 milhões de seguidores em sites como o Twitter e o Facebook.

Divulgado no fim de março, o estudo da Olin College foi feito com base numa espécie de censo bienal conduzido pela Universidade de Chicago (EUA) e segmentou a amostra por idade, grau de escolaridade, renda, local de moradia, classe social e, claro, uso de internet.

Após o cruzamento de dados, três fatores surgiram como principais contribuidores para a redução da filiação religiosa: o aumento do número de pessoas que não recebem educação religiosa na família (de 3,3% para 7,7%), o crescimento da parcela da população com 16 anos ou mais de estudo (17,4% para 27,2%) e o avanço da internet (de 0% para 78%).

Educação religiosa tem forte queda

“Sem surpresas, o fator com maior efeito é o encolhimento da educação religiosa”, diz o estudo. “A educação superior diminui as chances de filiação religiosa, assim como o uso da internet”. Downey especula que a facilitação da comunicação e o aumento da circulação de ideias podem influenciar no processo de secularização.

- É fácil imaginar ao menos duas formas em que o uso da internet pode contribuir para a desfiliação religiosa. Para as pessoas que vivem em comunidades homogêneas, a internet oferece a oportunidade de encontrar informações e interagir com pessoas de outras religiões ou nenhuma. E, para os que têm dúvidas em relação à religião, a internet provê acesso a pessoas em circunstância similar em todo o mundo – explica.

A pesquisa foi destaque na “MIT Technology Review”, revista do prestigioso Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Contudo, para Yvonne Maggie, professora do departamento de Antropologia da UFRJ, o avanço da web e o aumento da população que se declara sem religião estão, ambas, ligadas ao mundo contemporâneo, não sendo possível aferir relação direta entre os fenômenos.

- Nós vivemos o desencantamento do mundo, onde os acontecimentos não são mais vistos pela ótica religiosa – afirma Yvonne. – O consumismo, as novas tecnologias, o aumento da escolaridade, a urbanização, o avanço do ateísmo… São fenômenos do mundo contemporâneo, mas fazer relação direta entre uma coisa e outra é complicado.

A antropóloga destaca que a secularização vem avançando no mundo inteiro nos últimos 40 anos, inclusive no Brasil. O último censo demográfico, realizado pelo IBGE em 2010, mostrou que 8% dos brasileiros se declaram sem religião, o que representa cerca de 15 milhões de pessoas, sendo que 615 mil se declararam ateus. Em 1991 o percentual era de 4,8%, em 2000, de 7,3%.

- A falta de religiosidade não quer dizer que as pessoas não tenham outras crenças. Para muitos, a ciência funciona quase como uma religião – propõe a antropóloga.

O padre Jesús Hortal Sánchez, pRofessor de Teologia na PUC-Rio, concorda que a falta de educação religiosa no âmbito familiar e o avanço do nível de escolaridade são variáveis que vêm contribuindo para a diminuição da filiação religiosa, mas discorda sobre a internet, considerada por ele apenas uma ferramenta. Na opinião de Sánchez, a rede mundial de computadores pode até mesmo facilitar a catequese.

- A internet amplia o acesso à informação, mas depende do que a pessoa busca na rede. No meu Facebook, quase todos os meus 400 contatos debatem questões religiosas – diz.

Magali Cunha, professora de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo e colunista do GLOBO, destaca o surgimento da “religiosidade cibernética”, formato para expressão da fé surgida com o avanço da internet e das novas tecnologias. Sites permitem acender “velas virtuais”, e, inspirados no tradicional confessionário, surgiram espaços para orientação espiritual on-line. No instituto Amaivos, por exemplo, qualquer pessoa pode entrar em contato com representantes de várias religiões para tirar dúvidas ou desabafar sobre seus problemas.

- As instituições religiosas pararam no tempo – diz o economista Tony Piccolo, fundador do instituto. – As pessoas estão buscando alternativas para trabalhar a fé, sem vínculo com as religiões.

Católico praticante, Piccolo afirma que a internet horizontalizou as relações humanas, minando a hierarquia tão presente nas religiões. Ele conta ter enfrentado dificuldades para convencer os religiosos sobre a importância da tecnologia quando o site foi criado, em 2000.

Esse não é o caso do padre espanhol José María Ramírez, da Congregação Legionários de Cristo, que no mundo tech pode ser considerado um aficionado de primeira hora. Há 14 anos ele adotou um palmtop para carregar versões digitais da Bíblia e, hoje, usa um iPad e um iPhone 4 para facilitar seu trabalho de evangelização e comunicação com os fieis.

- Faço parte de uns 20 grupos no WhatsApp – diz o padre de 59 anos, com orgulho. – A fé caminha junto com a cultura, porque faz parte dela.

A missa toda no smartphone

Os fiéis se beneficiam da tecnologia. A advogada paulistana Heloísa Cardillo Weiszflog, de 31 anos, instalou há cerca de três meses o aplicativo “Católico Orante” em seu smartphone. Desde então, trocou o tradicional folheto de papel pelo celular para acompanhar as missas.

- Se a pessoa é realmente religiosa, é uma forma de aprofundar ainda mais a fé – diz.

O criador do aplicativo, Rafael Ribeiro, afirma que ele já foi baixado quase 500 mil vezes na Google Play:

- Se a tecnologia existe, por que não usá-la em prol da religião?

E por que não usá-la para propagar ideias racionais e antirreligiosas? Essa é a proposição de Daniel Sottomaior, presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, que concorda com a inexistência de nexo de causalidade entre o avanço do acesso à internet e o arrefecimento da fé, mas vê no acesso à informação, de um modo geral, a porta de saída das religiões:

- Todo mundo nasce ateu. Somente depois as pessoas se convertem, por experiência emocional ou doutrinação infantil, e algumas abandonam a religião quando começam a questionar os dogmas. A informação é libertadora.





Fonte: O Globo
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quarta-feira, 12 de março de 2014

Número de consultas em centros espíritas ultrapassa o de grandes hospitais

Um levantamento realizado em 55 centros espíritas da cidade de São Paulo aponta que, juntos, os atendimentos espirituais chegam a cerca de 15 mil por semana (60 mil ao mês). "Este número é muito superior ao atendimento mensal de hospitais como a Santa Casa, que atende cerca de 30 mil pessoas, ou do Hospital das Clínicas, com cerca de 20 mil atendimentos", destaca o médico psiquiatra Homero Pinto Vallada Filho, professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). A média relatada de atendimentos semanais em cada instituição foi de 261 pessoas.

"Sabemos, por meio de vários estudos, que a abordagem do tema religiosidade ou espiritualidade exerce um efeito bastante positivo na saúde de muitos pacientes. Por isso, podemos considerar a terapia complementar religiosa ou espiritual como uma aliada dos serviços de saúde", revela, lembrando que, geralmente, o paciente não tem o hábito de falar sobre suas crenças religiosas e muito menos de contar que realiza tratamentos espirituais em centros espíritas.

Vallada Filho foi o orientador da dissertação de mestrado Descrição da terapia complementar religiosa em centros espíritas da cidade de São Paulo com ênfase na abordagem sobre problemas de saúde mental, de autoria da médica Alessandra Lamas Granero Lucchetti, apresentada ao Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP em dezembro.

A ideia foi mostrar a dimensão do trabalho realizado pelos centros, o grande número de atendimentos prestados e os diferentes serviços oferecidos. Observou-se também que apenas uma pequena minoria realiza cirurgias espirituais, sendo todas sem cortes. Na segunda parte da dissertação, a pesquisadora descreve passo a passo uma terapia complementar espiritual para pacientes com depressão realizada na Federação Espírita do Estado de São Paulo (Feesp).

Centros espíritas

A autora realizou um levantamento inicial de todos os centros espíritas da capital paulista que possuíam site na internet contendo endereço de contato. A médica chegou ao número de 504 instituições. Neste levantamento, foram considerados apenas centros espíritas "kardecistas", ou seja, aqueles que seguem a doutrina codificada pelo pedagogo francês Hippolyte Leon Denizad Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, e que tem como base as obras O Livro dos Espíritos (publicado na França em 1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868).

A médica enviou, via Correios, uma carta registrada a cada um dos 504 centros. Destas cartas, 139 voltaram devido a problemas como mudança ou erro no endereço. Das 370 que restaram, apenas 55 foram respondidas. "Se considerarmos que essa média de 60 mil atendimentos mensais representa menos de 15% da totalidade dos centros existentes na cidade, chegaremos a um número total de atendimentos muito superior aos dos 55 que participaram do estudo", destaca Vallada.

Um questionário foi respondido apenas pelo dirigente ou pessoa responsável do centro. O material era bastante extenso e continha perguntas ligadas à identificação e funcionamento do centro, o número de voluntários e de atendimentos, as atividades realizadas e os tipos de tratamentos, quais os motivos levavam as pessoas a buscar ajuda, e como é feita a diferenciação entre mediunidade, obsessão e transtorno psicótico e quais orientações para estes casos, entre outras questões.

Resultados

Entre os resultados, foi observado que a maioria são centros já estabelecidos e que têm mais de 25 anos de existência, sendo o mais velho funcionando há 94 anos e o mais jovem com dois anos. Em praticamente quase todos, os usuários são orientados a continuar com o tratamento médico convencional, caso estejam fazendo algum, ou mesmo com as medicações indicadas pelos médicos.

Os principais motivos para a procura pelo centro foram os problemas de saúde: depressão (45,1%), câncer (43,1%) e doenças em geral (33,3%). Também foram relatados dependência química, abuso de substâncias e problemas de relacionamento. Entre os tratamentos realizados, a prática mais presente foi a desobsessão (92,7%) e a menos frequente foi a cirurgia espiritual, (5,5%), sendo todas sem uso de cortes.

Quanto à diferenciação entre experiência espiritual e doença mental, realizada com base em nove critérios propostos pelos pesquisadores Alexander Moreira Almeida e Adair de Menezes Júnior, da Universidade Federal de Juiz de Fora, a média de acertos foi de 12,4 entre 18 acertos possíveis. Apenas quatro entrevistados (8,3%) tiveram 100% de acertos. Entre esses critérios, estão a integridade do psiquismo; o fato de a mediunidade não trazer prejuízos em nenhuma área da vida; a existência da autocrítica; e a mediunidade sendo vivenciada dentro de uma religião e cultura específicos, entre outros.

"Esse levantamento procurou descrever as atividades realizadas nos centros espíritas e salientar não só a grande importância social desempenhada por eles, mas também a grande contribuição ao sistema de saúde como coadjuvante na promoção de saúde, algo que a grande maioria das pessoas desconhece", finaliza.





Fonte: UOL
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Estudo liga uso de paracetamol na gravidez a risco de TDAH em crianças

O acetaminofeno (paracetamol), analgésico de uso comum, considerado seguro para mulheres grávidas, foi vinculado pela primeira vez ao risco de as crianças virem a desenvolver transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (THDA), segundo uma pesquisa publicada nesta segunda-feira nos Estados Unidos.

Serão necessários mais estudos para confirmar as descobertas. No entanto, especialistas da Universidade da Califórnia e da Universidade de Aharus (Dinamarca) descobriram que as mulheres grávidas que tomaram acetaminofeno tiveram um risco 37% maior de ter filhos que mais tarde seriam diagnosticados com transtorno hiperquinético, uma forma particularmente severo de transtorno de hiperatividade com déficit de atenção (THDA).

A origem desta condição, que afeta 5% das crianças americanas, ainda é desconhecida.

Segundo o estudo publicado na revista da Associação Médica Americana, em comparação com as mulheres que não tomaram o analgésico estando grávidas, as que o fizeram tinham 29% mais probabilidades de ter filhos aos quais foram prescritos remédios para o THDA e 13% mais chances de ter filhos com condutas parecidas às do THDA por volta dos sete anos.

Pesquisas anteriores tinham sugerido que o acetaminofeno pode interferir com o funcionamento normal dos hormônios e poderia afetar o desenvolvimento cerebral do feto.

A pesquisa se baseou em dados de mais de 64 mil mulheres dinamarquesas entre 1996 e 2002. Mais da metade delas disse ter tomado acetaminofeno pelo menos uma vez durante a gravidez.

Especialistas advertiram que os resultados da pesquisa não provam que o medicamento seja a causa do TDAH nas crianças, mas apenas um vínculo preliminar entre os dois fatores.

"Os resultados deste estudo deveriam ser interpretados com cautela e não deveriam mudar as práticas habituais", afirmou, em um editorial da revista, um grupo de especialistas da Escola de Medicina da Universidade de Cardiff.




Fonte: AFP
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Cresce número de pessoas sem religião, dizem especialistas do Rio Grande do Sul

Para antropólogo, crença no sagrado existe e não precisa de mediadores.
Grupo já soma 5% da população do estado e 8% da brasileira.

Cada vez mais cresce no país o número de pessoas que se consideram “sem religião”. Sem uma ligação religiosa com qualquer crença tradicional, elas se dizem mais felizes. No Rio Grande do Sul, esse grupo soma 5% da população, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Não ter uma religião não significa a perda da fé. De acordo com o antropólogo Rodrigo Toniol, a crença no sagrado existe, mas não precisa de mediadores. Ela está dentro de cada um na forma de energia e espiritualidade.

“Quem se declara como sem religião é, sobretudo, jovem, com idade média de 26 anos. Eles não rejeitam valores religiosos, mas sim a institucionalidade ou até mesmo a mediação de sacerdotes o de uma igreja, por exemplo”, diz o estudioso.

Toniol, que faz parte do Núcleo de Estudos de Religião da UFRGS, diz que o fenômeno dos “sem religião” ganhou força nos últimos anos: o grupo aumentou 70% em duas décadas e hoje representa 8% da população brasileira, de acordo com o censo do IBGE.

“Há 8% de declarantes sem religião, o que significa que se eles fossem considerados como uma religião, seria a terceira maior do país, perdendo apenas para católicos e evangélicos. Espiritualidade e energia são duas palavras-chaves para entender este fenômeno”, explica o antropólogo.

O professor de educação física Tiago Frosi é um admirador da filosofia oriental e garante que encontra a energia na meditação. “É como se fosse essa ideia de que somos parte da natureza do universo, mas não apegado a à ideia de um Deus fora de nós, o qual temos que adorar. Acho que esta divindade, este sagrado, é parte de nós mesmos e de tudo o que está à nossa volta”, diz.

Frosi diz ainda que atualmente se sente mais feliz e mais conectado com os outros do que quando estava inserido em uma religião organizada.

O professor de artes marciais Rodrigo Leitão também buscou apoio em muitas religiões, e procurou tirar de cada uma aquilo que acreditava. “Eu acredito em tudo um pouco e ao mesmo tempo em nada disso, mas não sou sem fé. Eu tenho muita fé na física, por exemplo”, conclui.



Fonte: G1
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Estudo mostra que ciência e religião andam de mãos dadas nos EUA

Ciência e religião podem se misturar facilmente nos Estados Unidos, um país relativamente religioso, revelou uma pesquisa divulgada no domingo. O estudo da Universidade de Rice, no Texas, foi feito com mais de 10 mil americanos, inclusive cientistas e evangélicos.

"Nós descobrimos que quase 50% dos (cristãos) evangélicos acreditam que ciência e religião podem trabalhar juntas e apoiam uma à outra", afirmou a socióloga Elaine Howard Ecklund.

Ecklund apresentou os resultados no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), em Chicago. Apesar de amplamente diverso, os Estados Unidos têm maioria cristã. "Isto contrasta com o fato de que apenas 38% dos americanos sentem que ciência e religião podem trabalhar juntas", explicou Ecklund.

A consulta revelou que 27% dos americanos acreditam que ciência e religião estão em desacordo e que entre aqueles que se sentem dessa forma, 52% se posicionam do lado da religião. O estudo da Universidade de Rice demonstrou que os cientistas e a maioria da população são ativos similarmente em suas vidas religiosas.

A pesquisa demonstrou que 18% dos cientistas assistiram a cultos religiosos semanais, em comparação com 20% da população em geral. A consulta também demonstrou que 15% dos cientistas se consideram muito religiosos contra 19% da população em geral.

Enquanto isso, 13,5% dos cientistas leem textos religiosos semanais, em comparação com 17% da população americana. Dezenove por cento rezam várias vezes ao dia contra 26% da população como um todo. Além disso, quase 36% dos cientistas afirmaram não ter dúvidas sobre a existência de Deus. "A maioria do que vemos nos noticiários é de histórias sobre estes dois grupos divergentes sobre questões controversas, como o ensino do criacionismo nas escolas", disse Ecklund.

Portanto, "esta é uma mensagem esperançosa para os desenvolvedores de políticas e educadores porque os dois grupos não têm que abordar a religião com uma atitude de combate", prosseguiu Ecklund. "Ao invés disso, deveriam abordar o tema tendo a colaboração em mente", concluiu.



Fonte: AFP
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Pesquisa feita por psicólogo da Universidade de Oxford aponta lista de profissões com a maior porcentagem de psicopatas

Presidente de empresa é o cargo com mais psicopatas 

Pesquisa feita por psicólogo da Universidade de Oxford aponta que os CEOs (sigla inglesa de Chief Executive Officer, que significa Diretor Executivo em Portuguêssão líderes em psicopatia; contadores vêm em último

Profissões com maior % de psicopatas

1. Ceo
2. Advogado
3. Apresentador de rádio e tv
4. Vendedor
5. Cirurgião
6. Jornalista
7. Policial
8. Pastor
9. Chefe de cozinha
10. Funcionário público

Profissões com menor % de psicopatas

1. Cuidador de idosos
2. Enfermeiro
3. Terapeuta
4. Artesão
5. Esteticista
6. Voluntário
7. Professor
8. Artista
9. Médico
10. Contador



Fonte: Revista Superinteressante com informações de "The Wisdom of Psychopaths"
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Quem são os verdadeiros "culpados" pelo aquecimento global?

O mapa-mundi ganha outro aspecto segundo o julgamento não-científico dos pesquisadores canadenses.[Imagem: H. Damon Matthews et al./Environmental Research Letters]

Sete culpados

Um novo estudo sobre o aquecimento global promete acender as controvérsias sobre o tema, não tanto pelos resultados que apresenta, mas pela forma como os resultados estão sendo apresentados.

Trata-se de um caso muito ilustrativo de como um "estudo científico" pode chegar a conclusões ou interpretações que pouco têm de científicas.

Damon Matthews e seus colegas da Universidade de Concordia, no Canadá, queriam saber quais países contribuem mais para o aquecimento global "como uma forma de alocar responsabilidades históricas pelas mudanças climáticas observadas," segundo eles.

Sua conclusão principal foi apresentada em seu estudo e em um comunicado à imprensa feito pela universidade, intitulado "Maiores criminosos do aquecimento global". A revista britânica New Scientist, alterou um pouco a manchete e publicou uma reportagem com o título "Os sete 'pecadores mortais' do aquecimento global".

Os culpados, em ordem de culpa, crime ou pecaminosidade são: Estados Unidos, China, Rússia, Brasil, Índia, Alemanha e Reino Unido.

Segundo os pesquisadores, esses países foram responsáveis por mais de 60% do aquecimento global entre 1906 e 2005.

Antropogênico sem humanos

Ocorre que a corrente principal da ciência defende que o aquecimento global é de origem antropogênica, ou seja, é causado pelo homem.

Assim, para descobrir quais países mais contribuíram para o aquecimento global é necessário dividir os efeitos do aquecimento pela população de cada país.

Quando isto é feito, o Canadá, país onde foi feito o estudo e que não aparece na anunciada lista de "criminosos", salta diretamente para o terceiro lugar do pódio - na verdade o Canadá é o 10º colocado na lista original, o que talvez explique um anúncio de cabalísticos "sete culpados".

Quando a população é levada em conta, todas as primeiras sete posições - número de culpados escolhido pelos próprios pesquisadores - passam a ser ocupadas por países desenvolvidos.

Os autores do estudo não concordam muito com isso: "Está claro que a população sozinha não determina a contribuição climática de um país", dizem eles, sem apresentar argumentos para essa alegada clareza, a menos que se considere a área de cada país - um elemento natural - como um fator essencial, o que tiraria peso do argumento de um aquecimento global antropogênico.

Assim, a conclusão do estudo, e o que foi liberado para a imprensa com grande alarde, foi uma lista de supostos "criminosos" indiciados sem base científica, uma vez que trata-se de um cálculo de responsabilidade pelo aquecimento global causado por humanos que não leva em conta os humanos.



Fonte: Inovação Tecnológica
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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

No Amapá, população evangélica cresceu 111% nos últimos 10 anos

Número de fiéis no Estado é de 187.163 mil, segundo o Censo do IBGE.

O Dia do Evangélico celebrado no último dia 30 foi marcado por momentos de fé e orações a todas as famílias que necessitam do amor de Deus, segundo destacou o pastor da igreja Assembleia de Deus, Oton Alencar. Para ele, a igreja conseguiu “levar reflexão a boa parte da população do Amapá”, o que pode significar o crescimento de 111% no número de protestantes nos últimos 10 anos. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Eu creio que a mensagem do evangelho vem de encontro a necessidade das famílias. Não é uma mensagem utópica, mas sim uma corrente que toca o coração das pessoas com muito amor e paz. Essa ideia é difundida desde o início da religião que já enfrentou muitos desafios, que são encarados de frente por todos aquele que temem a Deus”, explicou.

O número de fiéis no estado é superior a 187 mil e corresponde a 28% da população, o que significa que a cada 10 amapaenses 3 são evangélicos. O estado está acima da média brasileira, com 22,16%. Para o pastor, o crescimento decorre da estrutura de acolhimento social que a religião atingiu no país. “A igreja atinge todas as camadas sociais, o que dá a oportunidade de manifestar os pensamentos. É uma instituição onde prevalece a democracia do povo”, acrescentou.

Segundo o técnico do IBGE Joel Lima, o número de protestantes pode ser ainda maior. “Nos últimos 3 anos cresceu bastante o número de templos nas cidades, isso com certeza acarretou no aumento do número de evangélicos”, observou.

“É grande a diversidade de religiões, mas os dados ainda revelam que o cristianismo se mantém no ranking da lista”, reforçou Lima.


Fonte: G1
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Religião pode ser fator de proteção contra o uso de álcool

Pesquisa nacional aponta que a religiosidade pode proteger universitários brasileiros em relação ao consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas

Estudo recente publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria e divulgado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes no País sobre o tema, analisou a relação entre religiosidade e uso de álcool e drogas entre universitários.

A pesquisa utilizou o banco de dados do I Levantamento Nacional sobre o uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras, realizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) em parceria com o Programa do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (GREA-FMUSP), com o objetivo de traçar o perfil dessa população frente ao consumo de álcool e outras drogas e sua implicação para a saúde.  

Por meio de um questionário estruturado e anônimo, 12.595 jovens responderam aproximadamente 100 perguntas sobre uso de substâncias, religiosidade, questões acadêmicas, informações sociodemográficos, entre outras.

O envolvimento religioso foi avaliado pela frequência com que o estudante reportou ir a cerimônias, serviços ou outros tipos de reuniões religiosas. Os alunos responderam à pergunta: "Você pratica sua religião?", podendo escolher uma das seguintes opções: (a) Não (b) Sim, apenas em eventos especiais, (c) Sim, mais de uma vez por mês. Aqueles que assinalaram a alternativa “c” foram classificados como “praticantes” (39%), enquanto os que reportaram as alternativas “a” ou “b” foram denominados “não praticantes” (61%).

Cerca de 85% dos estudantes relataram possuir alguma afiliação religiosa, sendo o catolicismo a mais frequente (50%), seguida pela evangélica/protestante (17,5%). 

Entre os fatores sociodemográficos analisados, nota-se que o envolvimento com a religião é mais comum entre universitários mais velhos, negros e mulatos, casados e do sexo feminino. Ainda, os praticantes parecem ser mais propensos a frequentar bibliotecas e, dentre as atividades realizadas fora da instituição de ensino, dedicam tempo para o trabalho voluntário. Já os não praticantes são mais propensos a faltar às aulas, geralmente utilizando esse tempo para ficar com os amigos ou namorado(a), ir ao cinema, clube, praia ou realizar outra atividade de lazer. 

Em relação ao uso de substâncias, 8% e 2% dos não praticantes relataram já ter feito uso de, respectivamente, álcool e de outras drogas quando faltavam às aulas, enquanto que essas taxas entre os que praticavam religião foram de 2% e 0,2%, respectivamente. 

No mês que antecedeu a entrevista, verificou-se que os não praticantes relataram, em comparação aos praticantes, maior consumo de bebidas alcoólicas (80% versus 54%), tabaco (32% versus 14%) e drogas ilícitas (76% versus 17%). Ademais, constatou-se que os que não praticam religião são mais propensos a fazer uso de álcool, tabaco, maconha e outras drogas que os que praticam (2,5, 2,8, 2 e 1,4 vezes mais chances de uso para cada uma das substâncias citadas, respectivamente).  

De maneira geral, o presente estudo demonstrou que os universitários que praticam a religião tendem a participar mais de atividades normativas (ir à biblioteca e realizar trabalho voluntário); já os não praticantes apresentaram comportamentos menos normativos e que podem, dependendo da circunstância, trazer riscos. Os autores esclarecem que possivelmente a religiosidade tem influência nos valores e comportamentos saudáveis dos indivíduos, protegendo-os de comportamentos que possam comprometer a saúde – incluindo o consumo de álcool e drogas – e, ainda, melhorar a qualidade de vida. Contudo, embora a religiosidade seja um fator protetor, o mecanismo pelo qual essa proteção se confere ainda é desconhecido. 

Os pesquisadores sugerem que a inserção de aspectos espirituais em programas de prevenção e no tratamento de problemas relacionados ao consumo de álcool e drogas pode ser útil para reduzir a prevalência do uso entre os universitários. Além disso, enfatizam que novos estudos são necessários para identificar e esclarecer os mecanismos pelos quais a religiosidade exerce essa influência protetora. 





Fonte: Revista Brasileira de Psiquiatria
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domingo, 18 de agosto de 2013

Atividade cerebral pode ajudar a explicar experiências de quase morte

Neurologistas americanos descobriram que o cérebro é capaz de permanecer ativo até 30 segundos depois da morte clínica. Isso pode explicar as visões relatadas pelos sobreviventes de paradas cardíacas e acidentes

A visões relatadas pelos pacientes que estiveram a beira da morte variam imensamente. Uma das mais citadas é a sensação de estar fora de seu corpo, percorrendo um longo túnel, em direção a um foco de luz. Isso é interpretado por muitos religiosos como um sinal da existência da alma e de seu percurso em direção ao além (Thinkstock)

As experiências de quase morte são conhecidas há muito tempo pelos cientistas. Eles sabem que muitos pacientes que estão à beira da morte (por causa de um afogamento ou uma parada cardíaca, por exemplo) e conseguem sobreviver descrevem visões incrivelmente poderosas e realistas. Os relatos coletados são inúmeros: algumas pessoas enxergam o brilho de uma tênue luz no final de um longo caminho, outras narram o encontro com parentes mortos ou seres sobrenaturais como anjos e demônios, entre outros.

Essas visões costumam ser usadas pelos religiosos como uma prova da existência da alma e da vida após a morte. Já os cientistas, até agora, não tinham muito a dizer. Uma série de estudos havia mostrado que as experiências de quase morte acontecem quando o coração dos pacientes para de bombear sangue para o cérebro — o que é conhecido como morte clínica —, e os médicos conseguem trazê-los de volta a vida (pelo menos 20% dos sobreviventes de paradas cardíacas relatam ter tido esse tipo de visão). O que parecia difícil de explicar era o fato de o cérebro, já sem sangue e a caminho da morte definitiva, ser capaz de produzir visões tão claras e significativas.

Uma nova pesquisa publicada na segunda-feira na revista PNAS sugere, pela primeira vez, uma resposta científica para essa questão. Em testes realizados com ratos (experiências do gênero obviamente são impossíveis de serem conduzidas com humanos por razões éticas), os pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, descobriram que o cérebro pode continuar ativo por até 30 segundos após a morte clínica. "Este estudo, realizado em animais, é o primeiro a lidar com o que acontece ao estado neurofisiológico do cérebro que está morrendo", diz a neurologista Jimo Borjigin, professora da Universidade de Michigan e uma das autoras do estudo.

Ratos mortos — Os cientistas usaram eletroencefalogramas para medir a atividade cerebral de nove ratos anestesiados. Após sofrerem paradas cardíacas induzidas pelos pesquisadores, os animais apresentaram durante 30 segundos um aumento generalizado na atividade cerebral, que apresentou características semelhantes ao de um cérebro acordado e altamente excitado. Depois desse período, os animais morreram definitivamente, e mais nada foi registrado em seu cérebro. "A previsão de que iríamos encontrar alguns sinais de atividade consciente no cérebro durante a parada cardíaca foi confirmada com os nossos dados", diz Borjigin.

Os pesquisadores realizaram a mesma experiência com ratos que foram submetidos à morte por asfixia e o resultado foi o mesmo: um pico de atividade cerebral registrado logo depois que o sangue parou de chegar ao cérebro do animal. "O estudo nos mostra que a redução de oxigênio — ou de oxigênio e glicose — durante a parada cardíaca pode, na verdade, estimular a atividade cerebral característica da consciência", diz Borjigin.

Cérebro e espírito — Segundo os pesquisadores, a experiência deve ajudar a explicar a origem das visões realistas e marcantes relatadas pelos pacientes que estiveram à beira da morte. "Ela fornece a primeira estrutura científica para estudar as experiências de quase morte relatadas por muitos sobreviventes de parada cardíaca", diz Borjigin. No entanto, eles reconhecem que muitos outros estudos precisam ser feitos para que seja possível explicar toda a complexidade do fenômeno nos seres humanos.

Anders Sandberg, pesquisador da Universidade de Oxford que não esteve envolvido com a pesquisa, afirma que os resultados apresentados são importantes, mas demandam cuidado ao serem interpretados. Ele alerta, principalmente, que a experiência não deve ser vista como uma prova da existência da alma ou do além. Ao contrário, ela mostra que a experiência de quase morte tem origem biológica, no cérebro humano. "Não duvido que algumas pessoas vão alegar que o resultado seja uma evidência da existência de vida após a morte. Se alguém acredita nisso, então devíamos concluir que a vida após a morte inclui muitos ratos de laboratório", afirmou.

Se a pesquisa não pode ser encarada como uma prova da vida após a morte, no entanto, também será difícil usá-la para descartar por completo o lado espiritual da experiência. Em uma entrevista concedida ao site de VEJA em 2011, o neurocientista Kevin Nelson, da Universidade do Kentucky, havia previsto que a ciência algum dia iria conseguir descobrir o mecanismo por trás do fenômeno da quase morte. Ele afirmava que, mesmo assim, não seria possível provar a inexistência da alma — isso ficaria a cargo da crença de cada pessoa. “A ciência pode dizer como o cérebro funciona, mas não pode dizer por que ele funciona desse jeito. Mesmo se nós soubéssemos o que faz cada molécula cerebral durante uma experiência de quase morte, ou qualquer outra experiência, o mistério da espiritualidade continuaria existindo. E sempre haverá um espaço para a fé de cada um."



Fonte: Veja
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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Maioria dos ortodoxos russos não lê a Bíblia, não ora ou frequenta as igrejas

Levantamento foi comparado a similar realizado nos Estados Unidos

Uma pesquisa realizada pela Fundação de Opinião Pública da Rússia (FOM) revelou que, aproximadamente, 64% dos russos se identificam como seguidores da Igreja Ortodoxa, porém, muitos deles nunca leram a Bíblia e raramente vão à igreja ou sequer rezam. O levantamento constatou que cerca de 52% dos fiéis da ortodoxia disseram nunca ter lido o Novo Testamento, o Velho Testamento ou qualquer outra escritura importante, enquanto 24% revelaram ir raramente à igreja e 28% quase nunca rezam.

O estudo da FOM foi realizado em abril deste ano com 1.500 entrevistados, em 43 regiões do país e foi parcialmente baseada numa pesquisa similar encomendada pela revista norte-americana Newsweek, no ano de 2005, e também pelo site Beliefnet. Os resultados do instituto russo mostraram que há mais incrédulos na Rússia (num total 25%) agora do que nos Estados Unidos naquele ano, quando apenas 6% se declararam como pessoas não seguidoras de qualquer religião.

O instituto de pesquisa russo observou que apenas 57% das pessoas que se identificaram como cristãos ortodoxos afirmaram também acreditar que o universo foi criado por Deus. Aproximadamente, 43% acham que o céu e o inferno realmente existem, e 25% acreditam na reencarnação, o que contraria os ensinamentos cristãos.

O número total de entrevistados que acreditam na origem divina do universo gira em torno de 46%, enquanto nos Estados Unidos esse índice era de 80%. Em 2005, 67% dos norte-americanos que participaram da pesquisa disseram acreditar que as almas vão para o céu ou inferno. Já na Rússia, apenas 34% compartilham esse mesmo pensamento.

De acordo com a FOM, a pesquisa foi divulgada somente agora porque em junho passado, a Duma de Estado, câmara baixa do parlamento russo, aprovou uma lei pela qual a ofensa aos sentimentos religiosos dos fieis passou a ser considerada como crime punível com até três anos de prisão.

Outra pesquisa de opinião realizada pela FOM no início deste ano mostrou que 45% dos russos acreditavam que ofender sentimentos dos fiéis religiosos deveria ser um crime. Na época, 22% contestaram e ideia e 33% não tinham opinião formada a respeito do assunto.



Fonte: Diário da Rússia
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sábado, 22 de junho de 2013

Fundamentalismo religioso pode ser tratado como doença mental, diz neurocientista

Pesquisadora da Universidade de Oxford diz que fundamentalismo poderá ser reconhecido como doença e tratado no futuro

O fundamentalismo religioso poderá um dia ser tratado como doença mental - e curado. Quem diz isso é Kathleen Taylor, pesquisadora em neurociência da Universidade de Oxford. A afirmação foi feita na última quarta-feira, 19, em um festival literário no Reino Unido. 

Quando foi questionada sobre o futuro da neurociência, Kathleen afirmou que “uma das surpresas pode ser ver pessoas com certas crenças como pessoas que podem ser tratadas”, descreveu o jornal Times of London.

“Alguém que se tornou, por exemplo, radical em relação a uma ideologia - podemos deixar de ver isso como uma escolha pessoal resultante do puro livre-arbítrio e podemos começar a tratar isso como algum tipo de distúrbio mental”, disse a pesquisadora. “De várias formas isso pode ser uma coisa muito positiva porque sem dúvida as crenças em nossas sociedade podem provocar muitos danos.”

A autora deixou claro que não estava se referindo apenas ao fundamentalismo islâmico, mas também a cranças como a de que espancar crianças é aceitável.

Kathleen é autora do livro Brainwashing: The Science of Thought Control (Lavagem cerebral: a ciência do controle de pensamentos, em tradução livre), em que explora a ciência por trás das táticas de persuação de grupos como a Al Qaeda. “Todos nós mudamos as nossas crenças. Todos nós persuadimos uns aos outros para fazer coisas; todos nós assistimos publicidade; somos todos educados e experimentamos religiões; a lavagem cerebral é o extremo disso; é coercitiva, forte, um tipo de tortura psíquica”, disse ela em um vídeo no YouTube. A pesquisadora também é uma das que se preocupam com a ética de se aprofundar muito no cérebro humano, como as tecnologias que podem escanear ou manipular neurônios.



Fonte: Revista Galileu
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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Jovem confia mais em família, Deus e si próprio que no Estado, diz pesquisa

Pesquisa revelou que jovens confiam mais em si mesmo do que no Estado para garantir seu futuro

Eles confiam mais em sim mesmos, em Deus e na família do que no governo, acham que os políticos em quem votaram não os representam, estão ainda mais insatisfeitos com os serviços públicos e, claro, se mobilizam pelas redes sociais.

Esse é o perfil dos brasileiros que têm entre 18 e 30, de acordo com uma pesquisa denominada 'O novo poder jovem', do instituto Data Popular e divulgada nesta sexta-feira (21). O levantamento foi feito dias antes de as cidades brasileiras se tornarem palco de grandes protestos, iniciados justamente por essa faixa etária, que representa mais de 42 milhões de eleitores ou 33% do total.

'O que estamos vendo nas ruas tem a ver com essa grande crise de representatividade pela qual os jovens brasileiros estão passando. Pelo que vimos na pesquisa, ele têm a sensação de que não estão - ou no caso, não estavam - sendo ouvidos', afirma Renato Meirelles, presidente do Data Popular.

De acordo com o levantamento, dos 1.502 jovens ouvidos, 75% disseram não confiar nos parlamentares e 59%, na Justiça.

Maior exigência

Ao serem questionados sobre a avaliação que faziam do Poder Executivo, a prefeitura recebeu a pior nota (5 em uma escala de 10), seguida do governo estadual (5,26) e a Presidência (6,94).

O fato de o poder municipal receber a avaliação mais baixa demonstra, segundo Meirelles, que a juventude quer que o político no qual votaram esteja mais presente no seu dia a dia, a começar para os problemas mais preeminentes de sua cidade.
Entre os fatores pesquisados está a qualidade dos transportes, que recebeu nota 4,08 entre jovens de capitais e regiões metropolitanas e 5,15 entre os das cidades do interior.

Esse setor deve, segundo Meirelles, ser analisado à parte porque é um serviço pago, diferentemente de saúde e educação, em que temos hospitais e escolas públicas.

'O Brasil viveu muitos anos de predominância de trabalho informal, em que o cidadão pagava apenas impostos indiretos, ou seja, embutidos no valor dos produtos', afirma.
'Só agora, em um estágio de maior número de empregos formais, o brasileiro passa a ter o imposto retido na fonte e sente o leão no bolso. E então para de ver os serviços como um favor do Estado. Passa a vê-los como uma obrigação - e exige uma eficiência maior, especialmente os do serviço pagos, como os ônibus.'

Protagonismo

Em um aspecto mais comportamental, a pesquisa mostra ainda que o jovem de hoje confia mais em si mesmo do que no Estado para garantir seu futuro. Entre os ouvidos, 53% dizem que o próprio esforço é o principal fator que contribuiu para sua vida melhorar, enquanto que o governo foi citado por apenas 2% dos entrevistados - Deus por 31% e família por 11%.

'Há um anseio de assumir para si essa insatisfação, de ser protagonista da própria história, mas fazendo isso por meio das urnas', afirma o pesquisador, citando que 65% dos ouvidos disseram acreditar que podem melhorar a política brasileira por meio do voto.

A pesquisa também mostra um fator que foi crucial na atual onda de manifestações: o poder das mídias sociais.

De cada 10 jovens ouvidos, 7 tinha contas no Facebook, Twitter ou outras redes sociais. 'Elas são a base orgânica de mobilização hoje. Ocupam o papel que antes era ocupado pelos sindicatos, centros acadêmicos etc. E isso cria uma outra mudança: em vez de serem deflagradas por essas instituições, agora essas mobilizações se dão por causas, como o aumento das tarifas de ônibus.'



Fonte: BBC Brasil
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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Fé ajuda a encarar desafios, mas deve ser coerente com a prática

Pesquisas comprovam que quanto mais espiritualizada é uma pessoa, menores as chances de ela sofrer de ansiedade, depressão e estresse

Em um dos seus maiores sucessos, Gilberto Gil canta "andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar". Nos anos 80, quando a música ganhou as rádios de todo o país, pouco se falava sobre a influência da religiosidade no bem-estar físico e mental. De lá para cá, muitos cientistas, em todo o mundo, já se dedicaram a estudar essa relação, com resultados surpreendentes até para quem não crê. "Diversas pesquisas já mostraram que pessoas mais espiritualizadas sofrem menos de ansiedade, depressão e estresse, estão menos vulneráveis a doenças cardíacas, vasculares, endócrinas e autoimunes; como consequência, vivem mais e melhor", garante Ricardo Monezi, pesquisador do Centro de Estudos em Medicina Comportamental da UNIFESP. 

Em geral, quem tem fé tende a ser mais otimista e persistente com os desafios do dia a dia. "A experiência religiosa, na maioria das vezes, pressupõe a concentração e a busca do equilíbrio a partir da conexão com alguma força maior em que se acredita, que pode ser feita, por exemplo, a partir da oração", esclarece Jorge Claudio Ribeiro, filósofo e professor da PUC-SP. "Assim, a pessoa que crê conta com recursos para se refazer mais rapidamente, enquanto a que não acredita em nada tem mais chances de se desesperar diante de uma dificuldade", justifica. O pesquisador concorda que a espiritualidade facilite a conexão com o divino ou sagrado que zela por nós, produzindo um sentimento de segurança e conforto e ajudando, ainda, a lidar com os grandes mistérios da vida num nível mais subjetivo.

Fé sem religião também vale

Os benefícios da fé, no entanto, não requerem que ela seja institucionalizada. Ou seja, não é preciso seguir os preceitos de determinada religião ou sequer frequentar qualquer tipo de templo. "Ter fé é assumir um compromisso pessoal com uma determinada visão de mundo, com ideias, ideologias e conceitos que podem ser retirados de uma única religião ou de várias", afirma David Charles, teólogo e chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

De fato, muitas pessoas praticam uma fé própria e criam um mix de crenças de diferentes origens, sem se submeter a uma única vertente. "A religião e a religiosidade, que é a prática e a vivência da religião, são ferramentas que o ser humano pode usar para desenvolver a espiritualidade, mas não são as únicas", pondera Monezi. Meditação, leituras diversas, orações e músicas também podem ser empregadas com o mesmo fim. "Até pelo diálogo com outra pessoa, porque um dos maiores exercícios de espiritualidade é a doação amorosa", exemplifica. 

Fé na prática

Numa perspectiva objetiva, a grande contribuição da fé é oferecer diretrizes para o comportamento, uma vez que ela geralmente está ligada a determinados valores. Por isso mesmo, o ideal é combinar razão e emoção na adoção de uma religiosidade. "Só tem sentido comprometer-se pessoalmente quando se consegue atribuir verdade e valor ao conjunto de princípios que ela expressa", defende Charles. Quer dizer, não vale acreditar só por acreditar, por achar bonito. "É interessante que a experiência em que se está investindo apresente subsídios que poderão ser usados no dia a dia. Ou seja, o que se aprende no templo precisa fazer sentido no mundo lá fora", reforça. 

Em outras palavras, agir de acordo com o que se prega e vice-versa é o que fortalece a fé. "Quando há coerência entre o que se fala e o que se vive, a fé realmente passa a funcionar como um instrumento para o desenvolvimento pessoal, pautando a mudança real de atitudes", acredita o teólogo. E ela só é prejudicial quando pressupõe intolerância. "Quando uma determinada fé desrespeita o conjunto de crenças dos outros, automaticamente implica no desrespeito ao ser humano, o que pode levar a sentimentos como raiva e desejo de vingança", ressalva Monezi.




Fonte: UOL
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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Uma em cada quatro garotas de 10 a 15 anos já usou a pílula do dia seguinte, diz pesquisa em São Paulo

Um levantamento da Casa da Adolescente, unidade da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, mostrou que 23% das garotas já usaram a pílula do dia seguinte para evitar uma gravidez indesejada. Foram ouvidas 600 pessoas, entre 10 e 15 anos de idade. De acordo com a pesquisa, 75% das meninas e 60% dos garotos já conheciam o medicamento para impedir a gestação.

A coordenadora do Programa Estadual de Saúde do Adolescente, Albertina Duarte, explicou que as adolescentes estão deixando de lado a prevenção contínua - o uso de pílulas anticoncepcionais e do preservativo - para usarem a contracepção de emergência. “Para eles, a pílula de emergência é como uma varinha mágica. Virou a pílula do fim de semana, está sendo usada como se fosse anticoncepcional, porque algumas meninas chegam a tomar seis, sete vezes em um mês”.

De acordo com Albertina, a pílula de emergência é indicada em casos de estupro, quando o preservativo estoura, sai do lugar ou fica preso no corpo da mulher, ou até mesmo quando a mulher esqueceu de tomar o anticoncepcional rotineiramente. “Há adolescentes que acham mais fácil, mas não têm conhecimento e não sabem que há 15% de chance de falha, além dos riscos de doenças sexualmente transmissíveis. De cada 20 que tomam, três engravidam”.

Entre os riscos de abusar desse método, além da possibilidade de gravidez, é o desequilíbrio hormonal, pois uma pílula do dia seguinte equivale a meia cartela do anticoncepcional comum. “É um bombardeio porque uma dose que tomaria em 15 dias, ela toma de uma vez. Pode ter hemorragia e não reconhecer mais seu organismo, podendo achar que está menstruada e que não tem risco de engravidar”.

A pílula do dia seguinte usa os mesmos hormônios utilizados no anticoncepcional convencional, porém com dosagem maior. O uso é recomendado até 72 horas após a relação sexual.

A médica destacou que há 40 anos indica o método para casos específicos, e com o máximo de cautela. Segundo ela, o uso excessivo está ditando mais uma vez a submissão das mulheres, porque a responsabilidade de evitar a gravidez está novamente ficando apenas com elas. “As meninas não têm coragem de pedir que o menino use o preservativo e nem para que ele compre a pílula. Antes, o menino pelo menos bancava isso, hoje não. Está com ela o peso dos anticoncepcionais”.

A médica ressaltou que desta forma a relação está desigual, pois as garotas têm medo de desagradar ou perder o parceiro e o menino, de falhar. “São duas pessoas imaturas e inseguras, mas quem paga o preço ainda é a mulher. Se engravida, fica com o bebê e ainda é culpada. Se não tomar a pílula, também é a culpada. Mudar essa relação é uma prova de carinho com ela mesma”.




Fonte: Agência Brasil
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terça-feira, 28 de maio de 2013

Estudo investiga como homossexuais cristãos lidam com seus desejos

Homossexualidade e religião nem sempre andam de mãos dadas como poderiam. Boa parte dos gays cristãos têm a condição sexual vista como pecaminosa não apenas pela comunidade, mas também por eles próprios. Mas um pequeno grupo destoa nas igrejas: cristãos homossexuais que, quebrando preconceitos, não enxergam problemas em vivenciar sua fé e ter um companheiro do mesmo gênero.

Estes indivíduos foram alvo de um estudo da Universidade Hollins, uma faculdade exclusiva para mulheres no interior do estado de Virgínia (EUA). A pesquisa partiu de um grupo de pessoas em condição, digamos, polêmica: ex-gays. Os sociólogos da universidade defendem que é possível mudar a orientação sexual após a entrada no cristianismo, e que existe um grupo de antigos homossexuais que deixou de sê-lo.

Excluindo esta parcela, sobram aqueles que, segundo os sociólogos, “conciliam” homossexualidade e fé religiosa. Estes se dividem em dois grupos. Primeiro, há os chamados “gays lado A”, para os quais a orientação sexual e o cristianismo não são contraditórios.

Mas o foco da pesquisa foi o grupo dos “gays lado B”: homossexuais que acreditam estarem pecando por sua condição, de modo que procuram viver em celibato e dominar os próprios desejos.

O estudo teve pequena amplitude: foram entrevistados seis integrantes homossexuais da comunidade paroquial da cidade, sendo quatro homens e mais um casal composto de um homem gay e uma mulher lésbica.

Os sociólogos apuraram, após os depoimentos, que os denominados “gays lado B” encontraram conforto ao dar mais valor às atitudes do que às intenções. Consideram a homossexualidade pecaminosa, reconhecem que têm desejo por pessoas do mesmo gênero, mas se julgam livres do pecado por não levar a vontade à prática.

Um dos condutores da pesquisa, o sociólogo S.J Creek, garante que os integrantes deste grupo não vivem infelizes por negarem seus desejos. “Ex-gays dizem continuamente como homossexuais são infelizes, enquanto ativistas gays afirmam que o primeiro grupo é que vive de maneira infeliz”, pondera Creek, avaliando que não existe, neste caso, como “dar razão” a um lado ou a outro.



Fonte: Hypescience
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Cardiologistas estudam o efeito da espiritualidade sobre a saúde do coração

“Sem fé, a vida se torna muito mais curta.” A teoria do aposentado tijucano João de Oliveira é antiga e inquestionável entre os religiosos. Mas agora a questão chegou à ciência, que, apesar do imenso abismo que sempre a separou da espiritualidade, começa a investigar a influência da fé em pacientes com doenças cardíacas. O assunto será destaque no 68º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que acontecerá em setembro, no Riocentro.

- Baseado em alguns casos, resolvemos estudar se a religiosidade realmente faz com que os pacientes adoeçam menos e tenham menos problemas cardiovasculares - afirma o cardiologista Álvaro Avezum, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo.

Mas o fato é que, fora dos laboratórios e das universidades, muitos pacientes que se apegaram à fé para enfrentar grandes problemas de saúde já tiveram a comprovação de que precisavam. João recorre à Nossa Senhora da Conceição para enfrentar uma cardiomegalia (coração aumentado). Nicia Ribeiro, de 66 anos, tem o mesmo problema e se agarra ao Senhor do Bonfim para enfrentar a doença. Já o vendedor Hercílio da Silva, de 42, recorreu à São Jorge para domar seus dragões: além do problema de coração e de pressão alta, ainda venceu uma leucemia.

- Fiz o tratamento e sabia que ia ficar curado. Em três sessões de quimioterapia, todas as taxas já estavam voltando para o lugar - revela o devoto do Santo Guerreiro.

Avezum explica, no entanto, que há diferenças significativas entre espiritualidade e religiosidade, embora as duas situações sejam estudadas. A religiosidade é ligada a crenças e cultos. Já a espiritualidade está relacionada à forma como a pessoa encara os fatos cotidianos e os sentimentos no decorrer da vida.

- Pesquisamos se, antes de o problema celular se manifestar no corpo, o agir e o pensar podem antecipar essa desorganização celular - explica, lembrando que até mesmo um ateu pode se encaixar nesses casos.

Embora a maioria dos médicos ainda se atenha apenas aos hábitos de vida de seus pacientes, alguns especialistas já verificam que a crença em alguma vertente, qualquer que seja ela, colabora para o tratamento.

- Algumas escolas médicas afirmam que pessoas assíduas a um determinado culto religioso ou que se apegam à religião têm uma evolução melhor - diz o médico.

Com ou sem comprovação, são os próprios pacientes que dão a dica nesses casos: é melhor acreditar.

Nicia Ribeiro conta que, há muitos anos, esteve em Salvador e se emocionou muito quando entrou na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim. Desde então, virou devota.

- Sinto uma fé, um amor muito grande quando vejo a imagem de Jesus na cruz, e choro desesperadamente. Não tenho explicação para essa fé. Meu Senhor do Bonfim sempre me ajuda, nunca me desampara. Vou direto ao todo poderoso, ao chefão. Quando fiz um cateterismo, entrei na sala de exames agarrada a uma imagem que trouxe da Bahia. Durante o exame, chamei tanto pelo Senhor do Bonfim que o médico me perguntou se eu era baiana. Correu tudo bem. Com muita fé, estou aqui.

João de Oliveira, de 78 anos, devoto de Nossa Senhora da Conceição, também conta com sua fé para enfrentar a doença cardíaca.

- Se eu não tivesse toda essa fé, acho que já tinha ido embora há muito tempo. Muita coisa já aconteceu comigo. Sem minha medalhinha, com certeza teria sido muito pior. Até em situações de rua. Já fui assaltado duas vezes e tenho certeza de que tudo teria sido diferente se não estivesse com a minha proteção.

O aposentado conta que sempre foi ligado à religião:

- Acredita que essa fé tenha me ajudado a enfrentar o problema do coração desde os 50 anos. É por isso que não deixo a medalhinha por nada. Independentemente de qualquer coisa, as pessoas têm que acreditar em algo, mesmo que tenham problemas na vida, que tenham que se curvar. Sem fé, a vida não faz nenhum sentido.




Fonte: Extra
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terça-feira, 21 de maio de 2013

Pesquisa busca mapear relação entre música e religião

Musicista tocando Violino: projeto busca estudar como a música pode contribuir para o desenvolvimento da dimensão espiritual

Jetro Meira de Oliveira, pós-doutorando do Instituto de Artes (IA) da Unesp, desenvolve, até 2014, pesquisa que busca mapear a maneira como diferentes pessoas, de diferentes idades e credos se relacionam com a música, em especial, a que se dá no contexto de funções litúrgicas islâmicas, judaicas e cristãs.

Intitulado "Rituais de equilíbrio e desenvolvimento: práticas musicais litúrgicas islâmicas, judaicas e cristãs", o projeto sob orientação de Paulo Castagna, professor do IA, busca estudar como a música pode contribuir para o desenvolvimento da dimensão espiritual (independentemente das eventuais ligações das pessoas com instituições religiosas) e, em particular, se há características musicais ou relações específicas com a música que apontam para este sentido.

"Considerando-se que a religião deveria ser um dos principais canais promotores do desenvolvimento da dimensão espiritual, serão analisadas as práticas musicais litúrgicas das três grandes religiões monoteístas – islamismo, judaísmo e cristianismo – com o intuito de averiguar se e/ou como estas práticas contemplam aspectos de desenvolvimento humano em geral e, especificamente, da dimensão espiritual, permitindo assim um enriquecedor diálogo transcultural", diz Oliveira.

Ele conta que as três vertentes religiosas possuem a mesma origem, o patriarca Abraão, a mesma base histórica, e aceitam o Antigo Testamento da Bíblia como livro revelado. Ao mesmo tempo, estas três grandes religiões possuem aspectos significativos que as distinguem, especialmente no uso da música em suas liturgias e experiência religiosa.

"Um aprofundamento da compreensão do uso e funções da música na experiência religiosa destas três grandes religiões poderá elucidar diferentes aspectos da interação do ser humano com a música e como esta pode contribuir para estágios de desenvolvimento e estágios de manutenção de equilíbrio", afirma.

O pesquisador verifica ainda que o universo religioso representativo do islamismo, judaísmo e cristianismo no Brasil é gigantesco. "Proponho estudar 3-4 centros representativos de cada uma das três vertentes religiosas que estejam localizados no estado de São Paulo", diz.

Um pré-levantamento identificou 20 centros islâmicos e 16 centros judaicos localizados no estado de São Paulo que potencialmente poderão ser o campo desta pesquisa. O cristianismo tem produzido uma pluralidade de expressões. "Penso incluir representações de suas principais manifestações, como o catolicismo tradicional e carismático, o protestantismo e os movimentos pentecostais e neopentecostais, genericamente denominados de “evangélicos", comenta.

Entre os objetivos, estão levantar quais são os valores, necessidades e experiências que as pessoas esperam que a música contemple na sua prática religiosa, distinguindo quais destes são homeostáticos e quais são desenvolvimentistas;
e apontar como a música pode atender a estas expectativas e como pode participar da promoção ativa do desenvolvimento da dimensão espiritual.

"Espero produzir um mapeamento da contribuição das práticas musicais litúrgicas do islamismo, judaísmo e cristianismo para o desenvolvimento humano em geral, e especificamente para a dimensão espiritual", afirma Oliveira.

O pesquisador possui graduação em Música - Andrews University (1990), mestrado em Música, regência e musicologia - Andrews University (1996) e doutorado em Artes Musicais, regência e literatura musical - University of Illinois (2002) , atuando principalmente nos seguintes temas: regência, musicologia e educação musical.

"Trabalho com funções musicais litúrgicas em instituições religiosas/confessionais há mais de vinte anos. Já servi como ministro de música em diferentes denominações cristãs, incluindo a Igreja Presbiteriana, Igreja Batista e Igreja Adventista do Sétimo Dia. Como cantor, já participei de missas na Igreja Católica. Atualmente sou professor de regência e musicologia no UNASP, Câmpus Eng. Coelho, que é uma instituição confessional", comenta. "Minha interação com o assunto desta pesquisa será parte do processo da mesma, permitindo observação, interação e participação."



Fonte: Exame
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terça-feira, 23 de abril de 2013

A população evangélica brasileira está crescendo

A cada dez anos, o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística faz uma pesquisa populacional e indica os índices que norteiam as avaliações oficiais de nosso país. Um dado relevante no último senso foi o crescimento dos que confessam ser evangélicos entre a população brasileira. Nos dados do censo de 1991, o percentual de evangélicos na população brasileira era de 9%. Logo no ano 2000, cerca de 26,2 milhões de brasileiros se declarava evangélico, quantidade correspondente a 15,4% da população. Portanto, o IBGE constatou no último senso que os evangélicos comparados com o censo feito em 2000, tiveram o crescimento de 61,45% nos últimos dez anos. Como foi detectada, no ano de 2010, a quantidade de brasileiros que se identificaram como evangélicos saltou para 42,3 milhões, ou 22,2% da população brasileira. Diante desse crescimento impressionante e se manter esse ritmo, acredita-se na possibilidade do Brasil se tornar um país predominantemente evangélico.

Mas estamos preparados para sermos um país com sua maioria evangélica, tudo sendo ditado pelas convicções formatadas nos púlpitos, por uma política dominada pela ética, apresentada nas diversas formas de ser igreja, distribuída por esse Brasil que é de dimensões gigantescas, portanto muito diverso em si mesmo? Nunca se ouviu tanto falar em opinião evangélica nas televisões brasileiras, nos programas de entrevista dos canais abertos. A política brasileira nunca foi tão interessante para os evangélicos como nos últimos dias, pelo espaço político que esse grupo tem usufruído em nosso país. Apesar disso, os motivos dessa manifestação evangélica, na política brasileira, são pelos motivos corretos?

Contudo, o que fascina qualquer observador religioso são as possibilidades que esse meio insinua com seu crescimento. Para compreendermos melhor as consequências, vamos buscar a origem dos evangélicos em nossa terra. Os católicos eram praticamente cem por cento, da população em nosso país, após a catequização pelos jesuítas. Os evangélicos iniciaram no Brasil com a chegada de comunidades étnicas: com as igrejas luteranas para atender as comunidades alemãs, as anglicanas para atender a comunidade inglesa e outras igrejas para atender as comunidades migrantes de países distantes no século XIX. O projeto missionário que seria converter a comunidade Católica a partir do “proselitismo” se iniciou com igrejas oriundas de movimentos missionários da América do Norte no final do século XIX. Com a abertura desse caminho iniciou-se no Brasil o movimento pentecostal, com a Igreja Congregação Cristã no Brasil (Igreja do Véu) e a Igreja Assembleia de Deus; essa última se tornou a partir da década de cinquenta a maior denominação pentecostal do mundo. Logo, nos anos setenta, iniciou-se no Brasil um movimento conhecido como movimento neopentecostal, pelas igrejas midiáticas como a IURD – Igreja Universal do Reino de Deus, e outras, que trouxe para o Brasil a teologia da prosperidade (discurso de vender fantasias para pessoas que vivem nos pesadelos da vida social brasileira). Esse último movimento ensinou o modelo de prosperidade, a partir do seu exemplo de enriquecimento. Essas igrejas fizeram crescer os índices da população que assumiam ser evangélicos, em cima de campanhas mirabolantes e espetaculares, convencendo até o mais coerente e ambicioso dos homens e mulheres a doar seus bens a uma igreja, em nome de um Deus que abençoa a partir da demonstração de fé.

Assim sendo, muitos dos que migraram de outras igrejas para essas denominações, até mesmo de igrejas evangélicas se frustraram por não receber as bênçãos prometidas em campanhas. Algumas dessas denominações até tiveram problemas com a Justiça brasileira e foram por decisões judiciais orientadas a ressarcir aos fiéis que ainda confiaram na justiça humana. Nos últimos anos, após esse movimento neopentecostal, tem se visto outro grupo de evangélicos se destacando na sociedade brasileira, que por sinal tem se tornado cada dia mais individualista. Parece-me que esse fenômeno do individualismo tem sido a força motor para algumas igrejas criarem modelos de denominações as quais atendem aos anseios de parte de nossa população que não está se dando bem com a “solidão na coletividade”, pois, a competitividade em todas as áreas, tem transformado nossa população, em buscadoras de suas ambições individualmente.

Parece-me que a onda do momento é a proposta de igreja em células, que como a exemplo da teologia da prosperidade, as igrejas tradicionais e pentecostais clássicas estão aderindo. Esse modelo de igreja tem recebido vários nomes desde que chegou ao Brasil: G12, células, grupos familiares, núcleos pastorais e outros. Para compreender melhor esse modelo de igreja, o crescimento se justifica pela formação de líderes com a “visão”, em intensos treinamentos institucionais, sendo preparados para multiplicar os pequenos grupos e o líder ocupar uma posição de destaque na pirâmide do poder.

Com o método de crescimento, anunciados como eficaz, e sua habilidade em aproveitar a mídia, essas igrejas têm vendido esses modelos para outras denominações, que buscam o crescimento rápido para suas congregações. Assim sendo, as igrejas em questão têm produzido literaturas, palestras motivacionais, treinamentos, dinâmicas de crescimento, mensagens voltadas para o fortalecimento dessa visão. Com toda essa visão empreendedora e de aparente sucesso, algumas das igrejas evangélicas, que perderam a identidade e a visão cristã de ser igreja, têm se convertido a esses projetos que ainda, não se deu o tempo necessário de crescimento para avaliação de sua real eficiência e das consequências dessa modalidade religiosa evangélica.

Autor: Sérgio Batista, teólogo, cientista da religião e superintendente de comunicação da igreja Assembleia de Deus Ministério Fama



Fonte: Diário da Manhã
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