domingo, 17 de julho de 2011

Família poligâmica desafia lei da bigamia nos EUA

Uma família poligâmica de Utah, formada por um homem e quatro mulheres e conhecida pela participação no reality show norte-americano “Sister Wives”, quer entrar com uma ação contra a lei que proíbe a bigamia no Estado, segundo informações da MSNBC.

A família Brown -- formada por Kody, Meri, Janelle, Christine e Robyn, que se juntaram devido às suas crenças religiosas -- tem 16 filhos. Legalmente, Kody é casado só com Meri.

Eles se mudaram para Nevada após a polícia de Utah iniciar uma investigação por bigamia, já que, neste Estado, uma pessoa pode ser acusada de bigamia apenas por morar junto – não é preciso ter um contrato matrimonial.

Segundo o promotor Jonathan Turley, defensor da família, a ação vai contestar o direito do governo de Utah de investigar pessoas por seus relacionamentos privados.

“Nós não estamos pedindo que a Justiça reconheça o casamento poligâmico. Estamos apenas contestando o direito do Estado de investigar pessoas por seus relacionamentos privados e pedindo tratamento igualitário a cidadãos que querem viver de acordo com suas crenças”, afirmou.

“É uma ação que vai beneficiar não apenas os poligâmicos, mas todos os cidadãos que querem viver suas vidas de acordo com seus próprios valores, mesmo que esses valores sejam diferentes dos da maioria no Estado”, continuou Turley.

O promotor também acredita que o processo representa o maior desafio à criminalização da poligamia em todo o país.

Precedentes

Em 2001, o governo de Utah já havia instaurado uma investigação contra Tom Green, que era casado com cinco mulheres e ficou conhecido após divulgar seu estilo de vida em programas de televisão de alcance nacional. Green passou seis anos na prisão, de onde saiu em 2007.

A prática da poligamia na região é um legado dos ensinamentos do mórmon Joseph Smith, fundador da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A maioria dos adeptos desse ramo da religião, no entanto, abandonaram este tipo de união após a proibição legal, em 1890.

Mesmo assim, cerca de 38 mil dissidentes da religião mórmon continuam a formar famílias poligâmicas. Muitos escondem a prática com medo de investigações por parte do Estado, apesar de um grupo de advogadas ter se mobilizado nos últimos dez anos para conscientizar o poder público sobre a cultura da região.

A própria família Brown acredita que mostrar o estilo de vida deles em cadeia nacional é um risco que vale a pena tomar se contribuir para o entendimento da poligamia. O processo judicial também deve avançar nesse sentido.

“Há milhares de famílias poligâmicas em Utah e em outros Estados. Nós somos uma dessas famílias, e só queremos viver nossas vidas de acordo com nossas crenças”, disse Kody Brown.


Fonte: UOL
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