terça-feira, 8 de maio de 2012

Salmos 69

Salva-me, ó Deus!
pois as águas subiram até o meu pescoço.
Nas profundezas lamacentas eu me afundo,
não tenho onde firmar os pés.
Entrei em águas profundas;
as correntezas me arrastam.
Cansei-me de pedir socorro;
minha garganta se abrasa.
Meus olhos fraquejam
de tanto esperar pelo meu Deus.
Os que sem razão me odeiam são mais
do que os fios de cabelo da minha cabeça;
muitos são os que me prejudicam sem motivo,
muitos, os que procuram destruir-me.
Sou forçado a devolver o que não roubei.
Tu bem sabes como fui insensato, ó Deus;
a minha culpa não te é encoberta.
Não se decepcionem por minha causa
aqueles que esperam em ti,
ó Senhor, Senhor dos Exércitos!
Não se frustrem por minha causa
os que te buscam, ó Deus de Israel!
Pois por amor a ti suporto zombaria,
e a vergonha cobre-me o rosto.
Sou um estrangeiro para os meus irmãos,
um estranho até para os filhos da minha mãe;
pois o zelo pela tua casa me consome,
e os insultos daqueles que te insultam caem sobre mim.
Até quando choro e jejuo, tenho que suportar zombaria;
quando ponho vestes de lamento, sou motivo de piada.
Os que se ajuntam na praça falam de mim,
e sou a canção dos bêbados. Mas eu, Senhor,
no tempo oportuno, elevo a ti minha oração;
responde-me, por teu grande amor,
ó Deus, com a tua salvação infalível!
Tira-me do atoleiro, não me deixes afundar;
liberta-me dos que me odeiam e das águas profundas.
Não permitas que as correntezas me arrastem,
nem que as profundezas me engulam,
nem que a cova feche sobre mim a sua boca!
Responde-me, Senhor, pela bondade do teu amor;
por tua grande misericórdia, volta-te para mim.
Não escondas do teu servo a tua face;
responde-me depressa, pois estou em perigo.
Aproxima-te e resgata-me;
livra-me por causa dos meus inimigos.
Tu bem sabes como sofro zombaria, humilhação e vergonha;
conheces todos os meus adversários.
A zombaria partiu-me o coração; estou em desespero!
Supliquei por socorro,
nada recebi, por consoladores,
e a ninguém encontrei.
Puseram fel na minha comida
e para matar-me a sede deram-me vinagre.
Que a mesa deles se lhes transforme em laço;
torne-se retribuição e armadilha.
Escureçam-se os seus olhos para que não consigam ver;
faze-lhes tremer o corpo sem parar.
Despeja sobre eles a tua ira;
que o teu furor ardente os alcance.
Fique deserto o lugar deles;
não haja ninguém que habite nas suas tendas.
Pois perseguem aqueles que tu feres
e comentam a dor daqueles a quem castigas.
Acrescenta-lhes pecado sobre pecado;
não os deixes alcançar a tua justiça.
Sejam eles tirados do livro da vida
e não sejam incluídos no rol dos justos.
Grande é a minha aflição e a minha dor!
Proteja-me, ó Deus, a tua salvação!
Louvarei o nome de Deus com cânticos
e proclamarei sua grandeza com ações de graças;
isso agradará o Senhor mais do que bois,
mais do que touros com seus chifres e cascos.
Os necessitados o verão e se alegrarão;
a vocês que buscam a Deus, vida ao seu coração!
O Senhor ouve o pobre
e não despreza o seu povo aprisionado.
Louvem-no os céus e a terra, os mares
e tudo o que neles se move,
pois Deus salvará Sião e reconstruirá as cidades de Judá.
Então o povo ali viverá e tomará posse da terra;
a descendência dos seus servos a herdará,
e nela habitarão os que amam o seu nome.


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